Quem nunca? Como qualquer outro objeto, uma bomba atômica também pode ser perdida... (The Ronald Grant Archive)

Como qualquer outro objeto, uma bomba atômica também pode ser perdida… (The Ronald Grant Archive)

Durante os anos da Guerra Fria, as forças militares dos Estados Unidos, sobretudo a Força Aérea (USAF), ficavam em alerta constante esperando por um ataque da União Soviética. Bombardeiros permaneciam em voo durante 24 horas para atuarem imediatamente no caso de alguma ação contra o território norte-americano ou base militar em algum ponto do planeta. Em grande parte dessas missões os aviões carregavam bombas nucleares.

Com milhares de artefatos nucleares a disposição, como mísseis e bombas, e manuseados em diversas aeronaves todos os dias, a chance de algo dar errado, mesmo que pelo menor descuido, era apenas uma questão de tempo.

E deu, mais uma de vez. Os EUA admitem terem perdidos bombas atômicas em pelo menos cinco oportunidades no passado, quase todas em acidentes aéreos. No lado da antiga URSS ou atualmente por parte da Rússia, que possui o segundo maior estoque de armas nucleares, nunca foi noticiado, ao menos oficialmente, a perda de algum armamento desse tipo. Por outra lado, há suspeitas de que artefatos nucleares soviéticos possam ter parado no mercado negro de armas, algo que os russos também não confirmam. Mas também não negam.

Conheça abaixo a história das bombas nucleares perdidas pelos EUA. E se encontrar algumas delas pelo caminho onde estiver passando mantenha a distância e chame as autoridades.

13 de fevereiro de 1950

A tripulação de um B-36 teve de lançar uma bomba atômica do porão para se salvar (USAF)

A tripulação de um B-36 teve de lançar uma bomba atômica do porão para se salvar (USAF)

Um bombardeiro B-36 que ia do Alasca ao Texas durante um exercício de treinamento perdeu três motores devido a uma pane e começou a perder altitude. Para aliviar o peso, a tripulação ejetou a sua carga, uma bomba nuclear de 30 quilotons Mark 4 (Fat Man) no Oceano Pacífico. Os explosivos convencionais da bomba detonaram no momento do impacto, produzindo um flash e uma onda de choque. Os componentes de urânio da bomba foram perdidos e nunca recuperados. De acordo com a USAF, o núcleo de plutônio não estava presente.

10 de março de 1956

Um B-47 caiu no Mar Mediterrâneo com duas bombas nucleares e nunca foi encontrado (USAF)

Um B-47 caiu no Mar Mediterrâneo com duas bombas nucleares e nunca foi encontrado (USAF)

Um bombardeiro B-47 transportando duas armas nucleares da Base da Força Aérea MacDill, na Flórida para uma base aérea no exterior desapareceu durante um reabastecimento aéreo sobre o Mar Mediterrâneo. Após entrar numa espessa nuvem a 14.500 pés (4.000 m), o avião nunca mais foi visto e seus destroços, incluindo as bombas, nunca foram encontrado. Embora o tipo de arma permaneça sem ser revelado, seriam bombas Mark 15 termonucleares (comumente transportadas pelos B-47) de 3,4 megatons.

24 de janeiro de 1961

Uma bomba que caiu de um B-52 está perdida em um pântano nos EUA desde 1961 (USAF)

Uma bomba que caiu de um B-52 está perdida em um pântano nos EUA desde 1961 (USAF)

Um bombardeiro B-52 carregando duas bombas nucleares de 24 megatons caiu durante a decolagem na base aérea em Goldsboro, na Carolina do Norte. Uma das armas afundou na terra pantanosa, e seu núcleo de urânio nunca foi encontrado, apesar dos esforços e intensiva procura até uma profundidade de 16 metros. Para garantir que ninguém mais conseguisse recuperar o artefato, a USAF conseguiu que quem deseje cavar na região primeiro tem que ter permissão do governo dos EUA.

05 de dezembro de 1965

Um caça A-4 armado com uma bomba nuclear está perdido no Oceano Pacífico (US Navy)

Um caça A-4 armado com uma bomba nuclear está perdido no Oceano Pacífico (US Navy)

Um avião de ataque A-4E Skyhawk levando uma bomba termonuclear (bomba de hidrogênio) de 1 megaton, decolou do porta-aviões USS Ticonderoga e caiu no Oceano Pacífico. O avião e arma afundaram a 16.000 pés (4.800 m) na água e nunca foram encontrados. Quinze anos depois, a Marinha dos Estados Unidos finalmente admitiu que o acidente tinha ocorrido, alegando que aconteceu a 500 milhas (800 km) da terra e em relativa segurança de alto mar, porém, não era verdade. O acidente ocorreu a apenas 80 milhas (130 km) ao largo da cadeia de ilhas Ryuku no Japão, já que o porta-aviões estava navegando para Yokosuka, após uma missão de bombardeio sobre o Vietnã. Estas revelações causaram um alvoroço político no Japão, que proibiu os Estados Unidos de levarem armas nucleares ao seu território.

Primavera de 1968

O submarino USS Scorpion com dois mísseis nucleares afundou próximo a Ilha dos Açores e nunca foi encontrado (US Navy)

O submarino USS Scorpion carregava dois mísseis nucleares quando se perdeu (US Navy)

Ao voltar para casa, na base em Norfolk, Virginia, o USS Scorpion, um submarino de ataque nuclear, misteriosamente afundou, cerca de 400 milhas (640 km) a sudoeste das ilhas dos Açores. Além da trágica perda de todos os 99 membros da tripulação, o Scorpion transportava dois mísseis nucleares não especificados, que poderiam ser armas anti-submarina ou torpedos dotados de ogivas nucleares. Estes poderiam produzir até 250 quilotons de potência explosiva.

Fonte: Cavok

Veja mais: Voando de planador