A BermudAir será a segunda companhia aérea a operar o cargueiro convertido E190F da Embraer, mais de quatro anos após a fabricante brasileira lançar um programa que inicialmente mirava um mercado de centenas de aeronaves.
A empresa, sediada em Bermuda, vai arrendar um único E190F da Regional One, que possui cinco pedidos firmes para o modelo convertido. Será o primeiro E-Freighter operado nas Américas e o terceiro E190F a entrar em serviço comercial.
As outras duas aeronaves são operadas pela Bridges Air Cargo, de Malta. A companhia introduziu o primeiro E190F no serviço comercial em março de 2026 e acrescentou um segundo avião em junho.
A BermudAir informou que pretende utilizar o cargueiro para cargas expressas, e-commerce e remessas urgentes em sua malha, que liga Bermuda e outros destinos do Caribe aos Estados Unidos e Canadá.
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O E190F pode transportar até 13,5 toneladas e oferece mais de 100 metros cúbicos de volume de carga entre os porões principal e inferior. A Embraer desenvolveu a conversão para os jatos de passageiros E190 e E195 para ocupar um nicho entre grandes cargueiros turboélice e aeronaves convertidas da classe do Boeing 737.

Programa começou com expectativas bem maiores
A Embraer lançou o programa de conversão E190F e E195F em março de 2022, estimando inicialmente um mercado de cerca de 700 aeronaves em 20 anos. O plano de negócios considerava, em parte, a oferta prevista de E-Jets de primeira geração chegando ao fim de contratos de leasing de longo prazo para passageiros e ficando disponíveis para conversão.
O mercado, no entanto, evoluiu de forma diferente. Atrasos nas entregas de novas aeronaves ajudaram a prolongar a demanda pelos jatos existentes, enquanto empresas de leasing relataram forte procura e pouca disponibilidade dos E-Jets de primeira geração. Isso tornou os E190 e E195 de passageiros mais valiosos do que se previa quando o programa de cargueiros foi concebido.
O programa também perdeu o operador de lançamento originalmente previsto. A Astral Aviation, do Quênia, planejava operar dois E190F fornecidos pela Nordic Aviation Capital, mas desistiu desses planos em 2023. O CEO Sanjeev Gadhia afirmou na época que a proposta de valor da aeronave já não se encaixava na estratégia de frota da companhia.

Em julho de 2026, a lessor Azorra fez um pedido para 20 conversões do E190F e garantiu direitos de compra para mais 10, o maior compromisso com o programa E-Freighter até agora.
A220 substituirão E-Jets de passageiros
A BermudAir é, ela própria, uma operadora relativamente jovem. A companhia iniciou operações em setembro de 2023 com dois E175 e um modelo de negócios incomum, focado no segmento premium. O plano original previa a reconfiguração das aeronaves com apenas 30 assentos em layout 1-1, mas a empresa abandonou o conceito all-business class pouco após o lançamento e adotou uma cabine de duas classes.
Desde então, a companhia acrescentou dois E190, elevando sua frota de passageiros para quatro aeronaves, e expandiu além das rotas originais entre Bermuda, Estados Unidos e Canadá, entrando em outros mercados do Caribe e América Central.

Agora, a BermudAir se prepara para uma expansão bem maior. Em julho, a companhia anunciou um pedido firme para 10 A220-300, com entregas previstas para o quarto trimestre de 2027. O fundador e CEO Adam Scott afirmou que a empresa pretende mais que dobrar sua malha a partir das 11 rotas operadas no momento e pode ampliar a frota de A220 para até 20 aeronaves até 2030.
O E190F abrirá um novo negócio para a companhia. A BermudAir informou que o avião transportará carga expressa, remessas de e-commerce e frete urgente entre as ilhas e mercados norte-americanos já atendidos pela empresa.
