Boeing 777-200 da Alitalia: ninguém tem interesse pela companhia, exceto Germán Efromovich (Masakatsu Ukon)

Na lógica dos negócios, uma empresa em dificuldades financeiras busca compradores entre grupos sólidos e com capital suficiente para investir. Mas na aviação comercial isso nem sempre ocorre, como é o caso da Alitalia, a eternamente problemática companhia aérea italiana.

Há bastante tempo, o governo italiano está à procura de novos sócios para mais uma vez tentar colocar a companhia aérea de bandeira nos eixos, mas a pandemia do coronavírus jogou esse esforço por terra.

Prestes a retomar uma pequena parte de seus voos no dia 13 de julho, a Alitalia está em processo de nacionalização após tentativas fracassadas de leiloá-la mais uma vez. Mas ao menos um candidato a tornar-se sócio da companhia aérea continua a mostrar interesse pelo negócio, o empresário boliviano Germán Efromovich.

Em audiência ao comitê de transprote do parlamento italiano, Efromovich manifestou disposição em participar da empresa. “Estou pronto para assumir uma participação tão grande quanto o governo italiano está preparado para oferecer… Não peço a maioria, mas quero ter uma opinião sobre a governança e a administração da empresa”, disse.

A grande questão no ar é entender com que credenciais o empresário se apresentaria após ter uma empresa sua em recuperação judicial e sem a mínima condição de voltar a voar, a OceanAir (vulgo Avianca Brasil), e outra, a Avianca Colômbia, do qual é sócio, mas cujos demais acionistas o afastaram da direção diante de prejuízos enormes.

“Salvador da pátria”

O empresário Germán Efromovich: oferta pela Alitalia ainda em pé (Cruks/Wikimedia)

Pois o fato de ter causado milhares de demissões e acumular uma dívida bilionária com credores e funcionários não parece ser um problema para Efromovich que se considera capaz de salvar a empresa italiana.

“Garanto que a Alitalia poderá voar muito longe novamente”, disse Efromovich aos presentes na audiência. E citou o caso da Avianca colombiana como prova disso. Segundo ele, quando a resgatou antes da falência, ninguém acreditava que a empresa duraria mais que 30 dias, mas que levou a Avianca a voar para quase 80 destinos e acumular uma frota de 200 aviões. Vale lembrar que a companhia aérea está hoje em concordata, afundada em dívidas bilionárias anteriores à pandemia.

O empresário ainda considerou a estimativa de 3 bilhões de euros do governo italiano para relançar a Alitalia como exagerada. “Pessoalmente, esse número não faz sentido com base na minha experiência”, disse para depois reconhecer que sem ter acesso aos dados financeiros da empresa não pode opinar com segurança.

O enredo dessa história parece familiar.

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