Em situação grave, Avianca pede concordata nos EUA

Companhia aérea colombiana, uma das mais antigas do mundo, entrou com pedido de proteção judicial nos EUA por falta de recursos financeiros
Airbus A321neo da Avianca Colômbia: dívidas bilionárias (Airbus)
Airbus A321neo da Avianca Colômbia: dívidas bilionárias (Airbus)

Segunda maior companhia aérea da América do Sul, a colombiana Avianca corre grande risco de desaparecer. Neste domingo, 10, a empresa entrou com pedido de proteção judicial em uma corte de Nova York, nos EUA para evitar o pagamento de dívidas com seus credores.

Afetada pela crise do coronavírus, a Avianca não voa regularmente desde o final de março, porém, sua situação financeira já era grave antes da pandemia a ponto de atualmente não se saber exatamente qual o tamanho de sua dívida. Segundo alguns artigos, ela pode chegar a US$ 10 bilhões (cerca de R$ 58 bilhões).

A empresa também confirmou o fim da filial Avianca Peru, que operava no país vizinho. Nas palavras de seu presidente, Anko van der Werff, “a Avianca está enfrentando a crise mais desafiadora em nossos 100 anos de história, à medida que navegamos nos efeitos da pandemia de COVID-19”.

O argumento da companhia aérea para ter entrado em concordata novamente é o de preservar suas operações, que representam 50% do mercado doméstico colombiano, além das ligações internacionais nas Américas e Europa

A Avianca também citou seus 21.000 funcionários como motivo para renegociar suas dívidas, porém, a maior parte deles está em licença não remunerada desde que os voos foram suspensos. A empresa ainda discute um pacote de ajuda financeira do governo da Colômbia.

Nova crise

Fundada em 1919, a Avianca é a segunda companhia aérea mais antiga do mundo, após a KLM. A empresa chegou a entrar em concordata nos anos 2000 quando foi adquirida pelo empresário German Efromovich. Sob seu comando, a Avianca voltou a crescer e a expandir suas operações.

Efromovich e seu irmão José implantaram uma estratégia agressiva de expansão que incluiu outra companhia aérea, a OceanAir, que passou a utilizar a marca Avianca anos depois. Além da divisão peruana, o grupo também lançou a Avianca Argentina anos atrás.

Com dívidas crescentes, as duas companhias aéreas sucumbiram no ano passado. Os irmãos Efromovich, no entanto, haviam separado legalmente essas empresas de forma que elas não afetaram diretamente a Avianca Colômbia, mas prejudicaram sua imagem.

A situação da matriz, no entanto, não era muito diferente e o grande volume de dívidas acabou sendo usado como argumento para que os sócios de Efromovich, a United Airlines e a Kingsland Holdings Limited, o afastassem da direção da empresa.

Diante da expectativa de uma longa recuperação na demanda do transporte aéreo de passageiros nos próximos anos, parece difícil crer que a Avianca conseguirá se recuperar desta vez.

A Avianca nasceu como Scadta em 1919 (Domínio Público)

Veja também: Maioria das companhias aéreas pode falir até maio

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