Maquete revela pintura da companhia aérea da Itapemirim (Reprodução/Linkedin)

Os planos de relançar uma companhia aérea acabaram sumindo do noticiário desde o advento da pandemia do coronavírus, mas a Itapemirim permanece decidida a entrar no mercado de transporte aéreo. Prova disso é que o novo CEO da empresa, Rodrigo Otaviano Vilaça, compartilhou em seu perfil no Linkedin nesta quarta-feira, 20, imagens de uma maquete de um turboélice Dash-8 400 exibindo o novo padrão de pintura da futura empresa.

Sem entrar em qualquer detalhe, o executivo apenas mostrou outras imagens de ônibus e um trem acompanhados da frase “Um grupo em reestruturação e que será sempre inovador! Aguardem”. Como se sabe, o grupo Itapemirim está em recuperação judicial, com dívidas que somam mais de R$ 2 bilhões, o que seus dirigentes negam. Ela tenta resolver sua situação com os credores ao mesmo tempo em que seu novo controlador, o empresário Sidnei Piva, encerra longas discussões com outros sócios, incluindo a família Cola.

Para tirar o projeto da companhia aérea low cost do papel, a Itapemirim diz contar com um investimento de US$ 500 milhões do fundo privado do xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum, primeiro-ministro e vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos. Seus executivos, incluindo Vilaça, tinham uma viagem planejada para Dubai em abril a fim de concretizar a negociação, mas o agravamento da pandemia impediu isso.

Desde que anunciou o projeto de voltar a voar, a Itapemirim pouco esclareceu seus planos. As primeiras informações dão conta de que o grupo teria encomendado 20 jatos A220 e 15 “Q900”, da “Bombardier”, citando um modelo que hoje é da Airbus e outro que não existe. Pensou-se então que Piva se referia ao jato CRJ900, uma das versões de maior capacidade do modelo que é rival da Embraer, mas a maquete indica que os 15 aviões são na verdade do turboélice que já pertenceu à Bombardier, mas que hoje é comercializado pela de Havilland Canada.

Cenário desolador

A insistência da Itapemirim em entrar no mercado de aviação comercial denota um certo ar aventureiro. Como se sabe, o mercado de transporte de passageiros está passando pela sua maior crise na história, com previsões alarmistas sobre a queda na demanda global. Ou seja, lançar uma iniciativa do tipo neste momento é temeroso, tanto assim que a Globalia, grupo espanhol dono da Air Europa, desistiu de criar uma subsidiária no Brasil recentemente.

Recentes iniciativas de Sidnei Piva também jogam mais dúvidas sobre a seriedade do projeto da companhia aérea. Em 2017, por exemplo, ele tentou comprar a Passaredo, mas o negócio desandou antes de ser sacramentado. Na área de transporte sobre trilhos, em que é dono de duas empresas, o empresário tentou vender para o governo do estado de São Paulo um projeto “requentado” de  monotrilho para o Metrô sem nunca ter construído sequer um vagão desse tipo de trem. A estatal, no entanto, preferiu contratar um fabricante chinês mesmo pagando um pouco mais caro pelo sistema.

O argumento de Piva tem sido afirmar que a companhia aérea trabalhará ligada à sua infraestrutura rodoviária, sobretudo no mercado de cargas e que isso chamou a atenção dos árabes. Mas foi justamente nesse segmento que a primeira tentativa de dar asas à empresa fracassou após menos de uma década operando dois Boeing 727 cargueiros.

Boeing 727 cargueiros que pertenceram à Itapemirim Cargo: projeto não durou uma década (Aero Icarus)

Veja também: Two Flex é rebatizada como Azul Conecta