O voo inaugural do E175-E2 foi realizado em dezembro de 2019 (Embraer)

Devido às atuais condições do mercado de aviação comercial em todo o mundo, em virtude da pandemia de Covid-19, a Embraer confirmou nesta quarta-feira, 5, que está reprogramando a entrada em operação do jato regional E175-E2 para 2023. Anteriormente, a fabricante pretendia iniciar as entregas da aeronave a partir de 2021, embora o novo produto ainda não tenha pedidos.

A Embraer ressaltou que manterá o desenvolvimento da aeronave, ainda que de maneira mais prolongada. A empresa acrescentou que o E175-E2 “estará disponível em um momento mais adequado para entrar em serviço para atender à demanda do mercado pelo jato”. Até lá, a fabricante continua oferecendo o jato E175 de primeira geração, que ainda soma 159 pedidos firmes.

Comparado ao E175 de primeira geração, o E175-E2 possui uma fileira adicional de assentos, podendo ser configurado para receber 80 passageiros em duas classes ou até 90 em classe única. De acordo com a fabricante, o avião economizará até 16% em combustível e 25% nos custos de manutenção por assento em relação ao modelo da primeira geração.

O E175-E2 é equipado com motores Pratt & Whitney PW1700G de alto desempenho, asas completamente redesenhada, controles 100% eletrônicos (fly-by-wire) e um novo trem de pouso. Comparado ao E175 de primeira geração, 75% dos sistemas do modelo E2 são novos, segundo a Embraer.

À espera de pedidos

A despeito dos primeiros modelos da série E2, que juntos somam mais de 151 pedidos firmes, o E175-E2 ainda não recebeu nenhuma encomenda oficial. A Embraer chegou a divulgar em 2013 uma carta de intenção da companhia norte-americana SkyWest Airlines para adquirir até 100 aeronaves, mas em seguida acabou excluindo essas opções de seu backlog.

Terceiro membro da nova família E2, o E175-E2 ainda não recebeu nenhum pedido (Embraer)

Candidato a novo “best-seller” da Embraer, o E175-E2 é projetado para substituir o E175 da primeira geração, o avião comercial de maior sucesso da fabricante brasileira com mais de 800 unidades entregues desde 2005, a maioria para empresas regionais dos EUA.

A introdução da aeronave reformulada nos EUA, porém, depende de alterações na legislação local. Os contratos de sindicatos de pilotos do país contêm uma cláusula que impede companhias regionais de operarem aviões com peso máximo acima de 39.000 kg. O E175 de primeira geração obedece esse limite, diferentemente do novo E175-E2 que excede essa marca em quase 6.000 kg.

A Embraer vem trabalhando no novo jato com a esperança de que a chamada “Cláusula de Escopo” seja aliviada nas negociações contratuais pelos sindicatos das empresas aéreas American Airlines, Delta, United e Alaska. Essas companhias operam a primeira geração do E175 por meio de empresas terceirizadas, como a SkyWest e a Republic Airlines, hoje os maiores clientes das aeronaves da fabricante brasileira.

Veja mais: Dona da maior frota de Fokker 100 do mundo vira cliente da Embraer