King Air 360: turboélice executivo mais vendido do mundo continua a evoluir (Textron)

Sinônimo de avião turboélice executivo, o King Air acaba de ganhar uma nova versão, a King Air 360. A Textron Aviation, dona da Beechcraft, criadora do modelo, anunciou nesta semana que o veterano bimotor atualizado já está em produção e terá as primeiras unidades entregues a partir de outubro.

As melhorias na aeronave foram discretas, mas importantes. Segundo a fabricante, o King Air 360 passou a contar com avanços no cockpit, uma cabine de passageiros redesenhada e melhorias no conforto dos passageiros.

“O Beechcraft King Air 360 se baseia em décadas de versatilidade e confiabilidade renomadas na família King Air, e essa atualização o eleva ainda mais com os recursos superiores da aeronave e os avanços de engenharia projetados para criar uma experiência de voo aprimorada para passageiros e tripulantes”, disse Ron Draper, presidente e CEO da Textron Aviation.

Para os pilotos, o novo King Air oferecerá o recurso “ThrustSense Autothrottle”, que oferece gerencia automaticamente a potência do motor, desde o início de decolagem até as fases de subida, cruzeiro, descida e pouso. A fabricante também introduziu um novo controle digital de pressurização, que pode programar os níveis durante subida e descida da aeronave, reduzindo a carga de trabalho da tripulação – os mostradores passaram a integrar a suíte de aviônicos Collins Aerospace Pro Line Fusion.

Por falar em pressurização, a Textron aprimorou o sistema que passa a oferecer uma altitude de cabine de 5.960 pés (1.816 metros) em voo de cruzeiro de 27.000 pés (8.230 metros). Trata-se de uma redução de 10% em relação ao modelo anterior, o King Air 350, e significa na prática mais conforto para os ocupantes, sobretudo em etapas longas de voo.

A cabine de passageiros também foi redesenhada para oferecer um layout mais leve e agradável, além de contar com amenidades como mesas de trabalho embutidas, tomadas elétricas, tomadas USB e um banheiro privativo traseiro.

Sem concorrentes

Desenvolvido a partir do Queen Air, o bimotor surgiu no início da década de 60 graças à introdução do motor Pratt & Whitney PT6, o turboélice mais produzido da história. A Beechcraft pretendia oferecer à aviação executiva uma opção entre os aviões a pistão e os jatos, que começavam a surgir na época. Entretanto, o primeiro cliente da aeronave foi o Exército dos EUA que recebeu os primeiros exemplares em 1964.

Desde então, a fabricante introduziu diversas modificações no King Air como a cauda em T das séries 200 e 300 e produziu até um derivado para a aviação regional, o Beechcraft 1900. Mas a base do projeto permaneceu intacta em todos esses anos, a confiabilidade e robustez do projeto, assim como as eternas PT6.

Apesar da receita simples, o King Air nunca teve um concorrente à sua altura. A Cessna (hoje também parte da Textron Aviation) lançou o modelo 425 nos anos 80 e só produziu pouco mais de 230 unidades. Pouco antes, a Embraer criou o EMB-121 Xingu, seu primeiro avião pressurizado que usava os mesmos PT6, mas apenas 106 exemplares foram fabricados.

Até a própria Beechcraft achou que seria uma boa ideia projetar uma nova aeronave capaz de substituir o King Air e na década de 90 colocou no mercado o inovador Starship, de configuração canard e estrutura em material composto. O resultado foi um fracasso absoluto.

Nesse meio tempo, foram entregues 7.600 turboélices King Air, de longe, a família de turboélices comerciais mais vendida no mundo. Segundo a Textron, a frota mundial já ultrapassou 62 milhões de horas de voo. Quase seis décadas depois, o veterano turboélice continua imbatível.

EMB-121 Xingu: a Embraer foi uma das empresas que tentaram competir com o King Air e fracassaram

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