A Eve Air Mobility conseguiu transformar mais uma carta de intenção em um pedido firme para seu eVTOL, mas em quantidade bem menor que a inicialmente prevista. A FlyBIS assinou contrato para comprar duas aeronaves, além de obter direitos de compra para outras dez unidades.
O acordo anunciado nesta quarta-feira (4) substitui uma carta de intenção assinada pelas empresas em dezembro de 2022. Na ocasião, a FlyBIS previa adquirir até 40 eVTOLs da empresa controlada pela Embraer.
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Embora a Eve apresente o novo negócio como um acordo para “até 12 aeronaves”, apenas duas são pedidos firmes. As outras dez dependem do exercício dos direitos de compra pela FlyBIS.
A empresa pretende utilizar os eVTOLs no Sul do Brasil, inicialmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Entre as ligações estudadas estão Navegantes, Balneário Camboriú e Florianópolis, além de destinos turísticos da Serra Gaúcha, como Gramado e Bento Gonçalves.
Fundada em Caxias do Sul, a FlyBIS surgiu em 2022 com planos de atuar no mercado de mobilidade aérea avançada. A empresa é ligada à Brave Aviation, companhia de aviação executiva que opera, entre outras aeronaves, o Embraer Phenom 100.

eVTOL só deve entrar em serviço no fim de 2028
Apesar da conversão de parte do acordo em pedidos firmes, ainda há um longo caminho até que a FlyBIS possa receber seus primeiros eVTOLs. A Eve reviu novamente neste ano o cronograma de desenvolvimento da aeronave e agora trabalha para obter a certificação e iniciar as primeiras operações no fim de 2028.
O prazo original era bem mais otimista. A empresa chegou a prever a certificação em 2026, posteriormente adiou a meta para 2027 e, em junho deste ano, confirmou uma nova postergação para 2028.
O cronograma continua apertado. A Eve prevê que o primeiro protótipo de conformidade tripulado, já representativo da configuração que será certificada, faça seu primeiro voo apenas no segundo semestre de 2027. A partir daí, a empresa estima aproximadamente 12 meses de ensaios até obter a certificação.
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Embora as primeiras operações ainda sejam previstas para 2028, a Embraer espera que a Eve passe a contribuir de maneira mais relevante para seu crescimento depois de 2029 e 2030, já no início da próxima década.
A Eve possui atualmente um protótipo de engenharia em escala real em ensaios de voo em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. Segundo a atualização divulgada nesta quarta-feira, a aeronave já realizou mais de 70 voos e concluiu as fases de voo pairado e de baixa velocidade.
Os testes agora avançam para a transição entre o voo sustentado pelos oito rotores de sustentação e o voo horizontal, no qual as asas passam a gerar a sustentação e um propulsor traseiro fornece o empuxo. Em agosto, a Eve iniciou essa fase com o primeiro acionamento em voo do propulsor traseiro.

Esse avião, no entanto, não é o protótipo que será utilizado na campanha final de certificação. A Eve pretende construir seis aeronaves de conformidade, já representativas da configuração que será certificada.
Mercado brasileiro
O acordo com a FlyBIS cria mais um compromisso firme de um operador brasileiro com o eVTOL da Eve. A Revo, empresa do grupo Omni Helicopters International que oferece transporte aéreo em São Paulo, já possui um contrato para até 50 aeronaves.
A preparação para uma eventual operação comercial também envolve questões que vão além da aeronave. Em setembro, o Ministério de Portos e Aeroportos reuniu a Eve, autoridades aeronáuticas e representantes do governo para discutir temas como certificação, vertiportos, fornecimento de energia, telecomunicações, segurança operacional e integração dos eVTOLs ao espaço aéreo.
No caso da FlyBIS, as empresas afirmam que ainda trabalharão na definição da malha, infraestrutura e requisitos operacionais necessários para colocar os dois primeiros eVTOLs em serviço no Sul do país.



