A nova série MAX é a quarta geração do consagrado 737 (Boeing)

Reta final para a volta do 737 MAX ao serviço (Boeing)

A FAA (Federal Aviation Administration) divulgou dois documentos nesta segunda-feira, 3, que detalham a última fase do processo de recertificação do 737 MAX, jato mais vendido da Boeing e que está proibido de voar desde março de 2019. Segundo a autoridade americana, a Boeing conseguiu comprovar que as mudanças adotadas na aeronave são capazes de corrigir os erros que levaram à queda de dois jatos da Lion Air e Ethiopian Airways.

“Por meio de um processo completo, transparente e inclusivo, a FAA determinou preliminarmente que as alterações propostas pela Boeing ao projeto do 737 MAX, aos procedimentos da tripulação e aos procedimentos de manutenção atenuam efetivamente os problemas de segurança relacionados ao avião que contribuíram para os acidentes do voo 610 e do voo 302”, disse a agência.

A FAA também listou os passos finais para permitir que o 737 MAX volte ao serviço. Será preciso substituir o software MCAS (Maneuvering Characteristics Augmentation System), que contribuiu para os acidentes, por um novo sistema de controle de voo, que fará a leitura de dois sensores de ângulo de ataque. O checklist de emergência do jato também deverá ser revisto para incorporar novos procedimentos para a equipe de voo, entre eles, como anular uma possível tendência do 737 MAX abaixar o nariz. Por fim, a Boeing terá reacomodar a fiação da aeronave, com uma separação maior entre os fios, seguindo os padrões de segurança estabelecidos pela agência.

Volta ao serviço no início de 2021

Além de divulgar a nova diretiva de aeronavegabilidade, a FAA também abriu a consulta pública para receber comentários sobre as propostas para recertificar o 737 MAX com duração de 45 dias, ou seja, até meados de setembro.

A agência estima que a modificação dos jatos custará cerca de US$ 1 milhão (R$ 5,3 milhões) por avião às companhias aéreas dos EUA. American, United e Southwest têm juntas pouco mais de 70 aeronaves aterradas, além de dezenas à espera da entrega.

Segundo a agência, “essa revisão completa levou mais de 18 meses e incluiu o trabalho em tempo integral de mais de 40 engenheiros, inspetores, pilotos e equipe de suporte técnico. O esforço representa mais de 60.000 horas de análise, teste de certificação e avaliação de documentos pertinentes da FAA. Isso inclui aproximadamente 50 horas de testes de voo ou simulador da FAA e análise de mais de 4.000 horas de testes de voo e em simulador da empresa”.

Equipe da FAA e da Boeing a bordo do 737 MAX: lista de mudanças na aeronave está pronta (Reprodução)

A fase final de mudanças, que incluirá o treinamento dos pilotos para os novos padrões do 737 MAX, deve tomar o resto do ano, o que faz com que a previsão de retorno da aeronave ao serviço ocorra apenas no início de 2021. Até lá, no entanto, a Boeing poderá retomar as entregas dos mais de 400 aviões que estão prontos. A grande dúvida é qual será a demanda por eles em meio aos efeitos da pandemia. E também a possível rejeição de passageiros em voar no jato.

Próximos passos no Brasil

De acordo com nota da ANAC enviada ao Airway, “para que as aeronaves retornem à operação no Brasil, atividades adicionais ainda são necessárias. Em primeiro lugar, o processo que comprova a segurança e cumprimento com requisitos em termos de engenharia precisa ser concluído. A avaliação de aspectos operacionais e de treinamento também é um pré-requisito para o retorno ao serviço”.

Segundo a agência brasileira de aviação civil, somente após  a FAA recertificar o 737 MAX, será possível finalizar o processo no país. “após a autoridade norte-americana, como autoridade primária, declarar o término da certificação da modificação endereçando também aspectos relacionadas à aeronavegabilidade continuada (emissão das diretrizes de aeronavegabilidade), a ANAC concluirá a sua validação sinalizando positivamente para que a operação no Brasil seja retomada uma vez implementadas as modificações na aeronave e o treinamento da tripulação”, explicou.

Apenas a Gol opera o modelo 737 MAX, com sete aeronaves já recebidas como parte de uma encomenda total de 101 unidades.

A Gol é a única cliente do 737 MAX no Brasil (Gol)

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