A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) assinou com a Lockheed Martin um contrato de US$ 694 milhões para produzir e colocar em operação o AGM-183A Air-Launched Rapid Response Weapon (ARRW), retomando um míssil hipersônico que a própria Força havia decidido não adquirir há apenas três anos.
O contrato foi assinado em 29 de setembro, mas divulgado pela Força Aérea em 26 de outubro. Segundo a USAF, o acordo formaliza a transição do ARRW da fase de prototipagem e testes de voo para a produção.
A Força Aérea não revelou quantos mísseis serão fabricados nem quando as entregas começarão, alegando questões de segurança operacional.
O ARRW é uma arma do tipo boost-glide projetada para ataques de longo alcance contra alvos de alto valor e sensíveis ao tempo, protegidos por defesas aéreas avançadas. Um foguete de combustível sólido acelera o míssil além de Mach 5 antes de liberar um veículo planador hipersônico não motorizado, capaz de manobrar até o alvo.
Siga AIRWAY: WhatsApp | Instagram | LinkedIn | Twitter | Facebook
O bombardeiro B-52H Stratofortress, amplamente utilizado durante o programa de testes do ARRW, será a primeira plataforma operacional da arma. A Força Aérea também trabalha na integração do míssil ao B-1B Lancer.
Do cancelamento à produção
O contrato de produção representa uma reviravolta incomum para um programa que parecia próximo do fim em 2023.
A Lockheed Martin iniciou o desenvolvimento do ARRW para a Força Aérea em 2018, com testes de transporte cativo no B-52H realizados em 2019. O programa enfrentou uma série de falhas em testes, incluindo três tentativas de lançamento malsucedidas em 2021.

O primeiro teste bem-sucedido do propulsor ocorreu em maio de 2022, quando um ARRW lançado de um B-52H se separou corretamente, acionou o motor-foguete e superou Mach 5.
Um míssil completo foi testado com sucesso pela primeira vez em dezembro de 2022. Outro teste de míssil completo em março de 2023 apresentou problemas, reacendendo dúvidas sobre o futuro do programa.
Ainda em março, o então chefe de aquisições da Força Aérea, Andrew Hunter, informou ao Congresso que o serviço não pretendia prosseguir com a aquisição do ARRW. Os testes restantes seriam realizados apenas para coleta de dados, enquanto os investimentos migrariam para o Hypersonic Attack Cruise Missile (HACM).
Mesmo assim, o ARRW continuou sendo testado. Ensaios adicionais forneceram mais dados à Força Aérea sobre o sistema completo, incluindo um lançamento em março de 2024 a partir de um B-52H que demonstrou sua capacidade de atingir um alvo em terra.
Em 2025, a posição mudou. O então chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general David Allvin, declarou ao Congresso que o serviço pretendia adquirir o ARRW, e o orçamento do ano fiscal de 2026 destinou US$ 362 milhões para retomar a produção e iniciar a aquisição.
O pedido orçamentário para o ano fiscal de 2027 acrescenta mais US$ 452 milhões para a compra do ARRW. Documentos de planejamento da Força Aérea projetam gastos anuais entre US$ 556 milhões e US$ 621 milhões de 2028 a 2031, embora o número de armas correspondente a esses valores não tenha sido divulgado.

ARRW chega à produção antes do HACM
A decisão cria um desfecho incomum para os dois principais programas de armas hipersônicas lançadas do ar da Força Aérea.
O HACM tornou-se prioridade do serviço quando a aquisição do ARRW foi abandonada em 2023, mas o míssil desenvolvido pela Raytheon ainda está em fase de testes de voo. O ARRW agora se tornou a primeira arma hipersônica da Força Aérea dos EUA a entrar em produção.
Os dois mísseis adotam abordagens diferentes para o voo hipersônico. O ARRW utiliza um propulsor de foguete e um veículo planador não motorizado, enquanto o HACM é um míssil de cruzeiro menor, movido por um motor scramjet.
Notícias relacionadas
O emprego previsto também difere. O tamanho do ARRW favorece bombardeiros como o B-52 e o B-1, enquanto o HACM está sendo desenvolvido como uma arma mais compacta, apta a ser transportada por aeronaves táticas.

Segundo ARRW já está planejado
A Força Aérea também financia o desenvolvimento de uma versão aprimorada da arma, em vez de tratar o atual AGM-183A como etapa final do programa.
O orçamento de pesquisa para o ano fiscal de 2027 solicita US$ 296 milhões para o ARRW Increment 2, incluindo desenvolvimento de um buscador terminal e data link, além de mudanças de hardware e iniciativas para reduzir custos de produção.
Esses acréscimos dariam à arma uma capacidade ausente no ARRW original: receber informações de designação de alvo e localizar o objetivo na fase final do voo.
Isso pode permitir que o Increment 2 ataque alvos móveis, e não apenas posições pré-determinadas, abrindo a possibilidade de empregar a arma hipersônica contra alvos como navios de guerra.



