O B-52 continua em operação nos EUA mesmo após 60 anos de seu primeiro voo (USAF)

A USAF incorporou os primeiros B-52 a partir de 1955; o modelo mais “novo” foi fabricado em 1962 (USAF)

O bombardeiro Boeing B-52 “Stratofortress” está longe de ser um avião novo. O primeiro exemplar da aeronave voou há quase 70 anos (em 15 de abril de 1952) e os últimos aparelhos foram construídos em 1962. Apesar de tantos anos de serviço, o clássico BUFF (Grande, Feio, Gordo e Patife, usando um termo mais brando) ainda tem uma longa carreira pela frente. Pelo menos é o que pensa a General Eletric, tradicional fabricante norte-americana de motores aeronáuticos.

A Força Aérea dos EUA (USAF) planeja manter os aviões em condições de combate pelo menos até a década de 2040, mesmo com o novo bombardeiro furtivo B-21 Raider entrando em serviço. A GE, no entanto, acha que o B-52 pode ter uma vida muito mais longa. Quase 60 anos a mais, para ser exato.

A GE é um dos fornecedores que respondeu ao pedido da USAF para a prolongar a vida útil do B-52 e até o momento tem a proposta que dá maior sobrevida a aeronave. Outras empresas na disputa são Rolls-Royce e a fabricante dos motores originais do bombardeiro, a Pratt & Whitney, que sugere manter o aparelho em operação até 2050.

Os B-52 são equipados com turborreatores TF33, um dos primeiros motores a jato da aviação e que não são muito diferentes dos usados no antigo jato comercial Boeing 707. Trocar o conjunto propulsor da aeronave é um antigo sonho da USAF, que pede soluções mais eficientes e manutenção simplificada – afinal de contas o avião tem oito motores.

Os motores que a GE está propondo para equipar o B-52 são os modelos turbofan das séries CF34-10 e Passaport, ambos com extensas aplicações comerciais. Eles são usados, por exemplo, nos E-Jets da Embraer e no jato executivo Global 7500 da Bombardier.

Complicados de manter: os B-52 são impulsionados por oito motores TF33 da Pratt & Whitney (USAF)

Bombardeiro indispensável

O B-52 nasceu para ser uma resposta dos EUA a uma eventual guerra nuclear contra a antiga União Soviética. No auge da Guerra Fria, patrulhas do Comando Aéreo Estratégico da USAF eram mantidas constantemente no ar em diferentes partes do mundo transportando bombas atômicas preparadas para devastar cidades e estruturas militares de um inimigo que já não existe mais.

Com as mudanças nos cenários de batalha e o fim da ameaça soviética (hoje de certa forma mantida pela Rússia), o B-52 mudou de função e foi adaptado para vários tipos de guerra. A missão de bombardeiro estratégico ficou em segundo plano e o bombardeiro passou a atuar em voos de patrulha marítima e como plataforma de lançamento de mísseis de longo alcance.

Símbolo máximo do auge da Guerra Fria, o bombardeiro B-52 ainda hoje é visto no cemitério

A USAF ainda tem dezenas – talvez centenas – de células do B-52 armazenadas

Nem todas essas funções do B-52 podem ser facilmente executadas pelo novo B-21 Raider, por isso a força aérea americana quer manter seu antigo bombardeiro voando por tanto tempo que puder. Resta saber se ele aguenta se manter ativo por quase 150 anos.

Veja mais: Suécia já está pensando no substituto dos caças Gripen