Gripen inicia fase de testes supersônicos no Brasil

Novo caça da FAB é projetado para voar a mais de Mach 2, duas vezes a velocidade do som

A Saab confirmou hoje (3) que o novo caça da Força Aérea Brasileira (FAB), F-39 E Gripen, iniciou a fase de testes em voo supersônico no Brasil. As provas com a aeronave são realizadas a partir da instalação da Embraer em Gavião Peixoto (SP), onde fica localizado o Centro de Ensaios em Voo do Gripen (GFTC, na sigla em inglês).

Os voos supersônicos, conduzidos pela Saab, são executados em áreas de testes pré-determinadas a noroeste do GFTC e em altitudes elevadas, acima de 5 mil metros.

A empresa sueca diz que os ensaios supersônicos “são essenciais para testar o desempenho e as funções da aeronave” e dar continuidade aos procedimentos de certificação e aceitação do novo caça da FAB, que espera receber os primeiros exemplares operacionais até o fim deste ano – o primeiro Gripen que chegou ao Brasil em setembro de 2020 é um modelo específico para testes de voo e certificação.

“O Gripen realizará voos supersônicos durante os próximos meses. Voar mais rápido do que a velocidade do som cria uma onda sonora diferente, um estrondo sônico, que pode parecer mais um trovão do que uma aeronave passando. É possível que os moradores da região ouçam esse barulho durante os testes com o novo caça brasileiro. Temos o cuidado de garantir que esses voos supersônicos sejam realizados em áreas de teste designadas, em coordenação com as autoridades aeronáuticas conforme os procedimentos da Força Aérea Brasileira”, explica Sven Larsson, diretor do GFTC.

Na Suécia, que também encomendou o novo caça para sua força aérea, o Gripen E iniciou os testes de voo supersônico em outubro de 2017. A aeronave é projetada para voar a Mach 2 (cerca de 2.470 km/h).

De acordo com a Saab, as atividades de testes do Gripen no espaço aéreo brasileiro ainda incluem avaliações dos controles de voo e sistemas climáticos. A empresa diz que um dos objetos dessas provas é observar como a aeronave se comporta no clima tropical do Brasil, que é bem diferente do frio da Suécia e exige cuidados diferenciados. Também serão testadas características únicas das aeronaves brasileiras, como integração de armamentos e o novo sistema de comunicação criptografa da FAB, o Link BR2.

A FAB encomendou 28 caças Gripen E (monoposto) e mais oito modelos F, para dois pilotos. Parte desse pedido será atendido pela própria indústria brasileira, que está “aprendendo” a construir a aeronave por meio do programa de transferência de tecnologia para o Brasil. Os primeiros Gripen fabricados por aqui devem ser entregues à FAB em meados de 2024.

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