A Hungria acionou dois caças Saab JAS 39 Gripen em 29 de agosto após um Cessna 172 roubado decolar sem autorização e voar em direção à usina nuclear de Paks, provocando uma resposta militar antes que a aeronave leve realizasse um pouso forçado.
O incidente começou no aeródromo de Kalocsa, no sul da Hungria, onde um homem de 24 anos teria pegado o Cessna sem permissão e conseguiu decolar. Autoridades húngaras informaram posteriormente que o homem estava embriagado.
Siga AIRWAY: WhatsApp | Instagram | LinkedIn | Twitter | Facebook
O radar militar húngaro detectou a aeronave após a decolagem e o par de alerta de reação rápida do país foi acionado, segundo o ministro da Defesa, Romulusz Ruszin-Szendi.
O Cessna voava na direção de Paks, cerca de 100 km ao sul de Budapeste, onde está localizada a única usina nuclear em operação da Hungria.
A instalação é cercada por espaço aéreo permanentemente proibido. Aeronaves civis geralmente são impedidas de voar em um raio de 3 km ao redor da usina, tornando a aproximação de uma aeronave não identificada uma potencial ameaça à segurança.
As autoridades, no entanto, não informaram se o Cessna chegou a entrar na zona proibida ao redor da usina nuclear.

Antes que os Gripen alcançassem a aeronave, o Cessna realizou um pouso forçado próximo a Gerjen, uma vila próxima a Paks. Imagens divulgadas pelas autoridades húngaras mostram a aeronave danificada em um campo agrícola após o colapso do trem de pouso.
Os Gripen chegaram após o Cessna já estar no solo e sobrevoaram a área até que um helicóptero de resgate e equipes terrestres chegassem ao local. Não há, portanto, indicação de que os caças tenham interceptado a aeronave ou forçado o pouso.
Piloto detido após o pouso
As circunstâncias do voo não autorizado seguem sob investigação. A polícia húngara informou que o homem de 24 anos removeu os dispositivos que prendiam a aeronave em Kalocsa e decolou sem autorização. Após o pouso forçado, ele deixou o Cessna e foi localizado caminhando por uma estrada próxima.
Segundo relatos policiais divulgados pela imprensa húngara, um motorista parou para ajudá-lo, mas o homem tentou tomar o veículo antes de ser impedido de fugir.
A polícia o deteve pouco depois. As autoridades informaram que ele estava embriagado e abriram processo por subtração não autorizada de veículo e outros possíveis delitos.
O incidente também levou a uma análise sobre a segurança em aeródromos menores da Hungria. Polícia e autoridades aeronáuticas investigam as circunstâncias que permitiram a retirada do Cessna e indicaram que inspeções podem ser realizadas em outros aeródromos.

Espaço aéreo sensível
A rápida resposta militar também se insere em um contexto mais amplo de segurança. A Hungria faz fronteira com a Ucrânia em cerca de 137 km e, como membro da OTAN na ala leste da aliança, mantém vigilância aérea reforçada desde o início da invasão russa em 2022.
A Hungria não registrou as repetidas incursões de drones russos observadas na vizinha Romênia nem a grande penetração do espaço aéreo polonês por drones russos em setembro de 2025. A Romênia já registrou diversas incursões e achados de destroços de drones desde 2022, especialmente durante ataques russos a portos ucranianos no Danúbio, enquanto a Polônia também acionou caças repetidas vezes em resposta a ataques de mísseis e drones russos próximos ao seu território.
Notícias recentes
Ainda assim, a Hungria vivenciou um incidente atípico poucas semanas após o início da guerra. Em 10 de março de 2022, um drone de reconhecimento Tupolev Tu-141, de projeto soviético, entrou na Hungria após cruzar a Romênia, permaneceu cerca de 40 minutos no espaço aéreo húngaro e seguiu para a Croácia, onde caiu em Zagreb.
O episódio levantou questionamentos à época sobre a capacidade das defesas aéreas regionais de responder a uma aeronave não identificada vinda da direção da Ucrânia.
Os Gripen húngaros também são acionados rotineiramente para aeronaves não identificadas ou em desacordo com as normas, como parte das missões nacionais e da OTAN de policiamento aéreo. Caças húngaros destacados para a Lituânia interceptaram aeronaves militares russas durante a rotação do Baltic Air Policing em 2025.

Segundo alerta em dois dias
O incidente em Paks foi o segundo alerta envolvendo Gripen húngaros em dois dias. O Ministério da Defesa informou que caças também foram acionados em 28 de agosto após um Piper PA-28, registrado na França, entrar no espaço aéreo húngaro próximo a Fertőszentmiklós sem autorização. As autoridades húngaras comunicaram a violação do espaço aéreo aos órgãos competentes.
Nenhum dos eventos teve relação com a guerra na Ucrânia, mas os alertas consecutivos ilustram a variedade de situações enfrentadas pela força de reação rápida da Hungria, desde violações convencionais do espaço aéreo até a aproximação de aeronave não identificada a um dos locais mais sensíveis do país.
A decolagem dos caças em 29 de agosto ocorreu apenas cinco dias após a Hungria perder um de seus Gripen C em um acidente em Szolnok.
A Hungria ampliou sua frota de Gripen com quatro aeronaves adicionais encomendadas à Suécia em 2024, elevando o inventário planejado de 14 para 18 Gripen C/D. Os caças adicionais foram entregues em 2026.
O incidente com o Cessna não causou danos à usina de Paks, e não há indícios divulgados pelas autoridades húngaras de que a aeronave tenha sobrevoado diretamente a instalação nuclear.




