Instituto do Reino Unido afirma que caça Saab Gripen seria o mais efetivo para reforçar Ucrânia

Segundo o Royal United Services Institute for Defence and Security Studies, jatos de combate suecos poderiam operar em qualquer parte do país e dependem de pouca infraestrutura de apoio
Gripen C da Suécia
O Gripen C da força aérea da Suécia (Tuomo Salonen)

A Saab, fabricante do caça Gripen, ganhou uma publicidade favorável à sua aeronave de onde menos se esperava. O Instituto Real de Serviços Unidos para Estudos de Defesa e Segurança (RUSI na sigla em inglês), do Reino Unido, publicou um longo artigo sobre a guerra aérea na Ucrânia e propôs como uma das soluções para reforçar a Força Aérea do país o fornecimento de caças Gripen C/D.

“O Saab Gripen C/D sueco é de longe o candidato mais adequado em termos de requisitos operacionais. Ele foi projetado desde o início para facilitar a manutenção e pode ser reabastecido, rearmado e receber manutenção básica por equipes de apenas seis pessoas em solo que utilizam dois veículos e operam a partir de pequenas pistas ou rodovias mesmo em clima frio”, diz o artigo.

A análise, feita pelos especialistas Justin Bronk, Nick Reynolds e Jack Watling, argumenta que a Rússia ainda possui superioridade aérea na região do conflito, a despeito de os caças Su-35 e MiG-31 não chegarem a sobrevoar a Ucrânia como no início do conflito.

Com versões desatualizadas dos caças MiG-29 e Su-27, a Ucrânia tem realizado missões em baixíssima altura para evitar mísseis mais modernos russos.

A Saab projetou o Gripen desde o início com capacidade para pousar e decolar a partir de estradas (Divulgação)
A Saab projetou o Gripen desde o início com capacidade para pousar e decolar a partir de estradas (Divulgação)

Apesar disso, a Força Aérea da Rússia (VKS) não realiza missões dentro do território ucraniano desde abril por conta da presença de baterias de mísseis terra-ar mais eficientes e sobretudo armamentos portáteis fornecidos pelo Ocidente. Além disso, a Ucrânia tem organizado sua defesa de forma a operar sem posições fixas, para dificultar sua localização e consequentes ataques das forças russas.

Por essa razão, o Instituto RUSI pontua que o caça Gripen C/D, a segunda geração da aeronave, seria uma alternativa bastante eficiente de aeronave ocidental em vez dos caros e exigentes F-15, F-16 e F/A-18, que necessitam de uma infraestrutura mais complexa e que poderia ser um alvo fácil para a Rússia.

Tradicional oponente russo

O jato supersônico da Saab foi concebido justamente para combater um possível ataque vindo do lado russo. Desde os Draken, Viggen e outros caças, a Suécia manteve uma postura de independência em sua estratégia para conter uma eventual investida da União Soviética. Essa tradição foi assumida pelo Gripen, um caça de porte pequeno e especializado em operar de forma improvisada já que os suecos não dispõem de muitas bases aéreas no país.

(SAAB)
O Gripen pode lançar o míssil de longo alcance Meteor (SAAB)

“Conceitualmente, a Força Aérea Sueca sempre enfatizou táticas de superioridade aérea de baixo nível a partir de bases dispersas, de maneira semelhante à forma como a Força Aérea Ucraniana opera atualmente, e assim o Gripen foi projetado com equipamentos de apoio terrestre e requisitos de manutenção compatíveis com essa abordagem”, acrescenta o texto.

Ainda segundo o instituto, o Gripen só necessita de um especialista treinado, com os demais integrantes da equipe podendo ser somente soldados sem experiência.

O Gripen C/D possui uma suíte de contramedidas eletrônicas otimizada para conter caças e mísseis terra-ar russos, além de ser capaz de disparar mísseis Meteor de longo alcance, com propulsão Ramjet, e ainda realizar missões anti-navio.

Atualmente, as forças aéreas da República Tcheca, Hungria, África do Sul, Tailândia e Suécia operam os Gripen C e D (de dois assentos). Seriam pouco mais de 130 aeronaves, mas o RUSI garante que mesmo poucos caças já seriam suficientes para dissuadir a Rússia a realizar ataques mais profundos em território ucraniano.

Os caças Su-27 e MiG-29 da Ucrânia estariam defasados e sem condições de enfrentar seus oponentes russos, segundo instituto (Jonathan Webb)

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9 comments
  1. Está aí.
    Gripen, sem dúvidas um caça fantástico. Leve, ágil, com mísseis dos mais TOP que existem.
    Matador de SUKOI.

  2. Se o gripen for escolhido, todas as dúvidas que haviam sobre suas qualidades cairiam por terra e finalmente teria um volume maior de vendas

  3. FAB acertou em cheio . . .
    Gripen resolve até enchermos o espaço de Drones de 1a. linha . . .
    inclusive AMX e F-5 autônomos !

  4. Para uma ação futura com certeza, porém de imediato não existem Gripens disponíveis para esta finalidade…

  5. Mauricio, a Força Aérea sulafricana possui dois esquadrões de gripens no solo, por falta de recursos para manutenção. Poderia ser uma fonte, digo poderia porque, a África do Sul é membro do BRICS… Não acredito que se indisporia.

  6. Será um ótimo custo benefício se a Ucrânia adquirir uma aeronave desse nível, ainda mais uma que bate de frente com caças de quinta geração.

  7. Grande notícia para a Saab e para o Brasil. Os países que tem hoje a versão C e D poderiam fornecer para a Ucrânia em troca da versão E e F. O único problema que vejo é que o principal financiador da Ucrânia é os EUA e certamente a proposta seria a troca dos Gripen pelos F16, mesmo com um custo de operação mais alto e sem a vantagem de poder operar de pistas sem preparo.

  8. Creio que a desvantagem Ucraniana no conflito não se resolve apenas pela adoção de um novo tipo de equipamento de guerra, olhando de maneira mais ampla o cerne da questão é: porque Zelensky aceitou o papel de bucha de canhão da Otan para atrasar o nascimento de um mundo multipolar?

    Na opinião de vários analistas internacionais em breve vários países europeus poderão diminuir o apoio financeiro a Ucrânia, pois já enfrentam contribuintes cada vez mais irritados com a inflação, devido a questão energética, que também causa a perda da competitividade dos produtos europeus pelo aumento de custos de produção.

  9. Bom saber disto. Tô torcendo pela Ucrânia, e sonhando com um desfecho menos sangrento para o fim desta guerra.

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