Japan Airlines receberá indenização milionária da Mitsubishi pelo fim do SpaceJet

Companhia aérea japonesa receberá o equivalente a R$ 307,3 milhões pelo encerramento do programa SpaceJet; empresa tinha pedido firme por 32 jatos da Mitsubishi
Ex-MRJ, programa foi renomeado como SpaceJet em 2019 (Divulgação)

A companhia Japan Airlines (JAL) informou no fim de fevereiro que receberá 8 bilhões de ienes (cerca de R$ 307,3 milhões) da Mitsubishi Aircraft Corporation como compensação pelo encerramento do programa SpaceJet de jatos regionais.

Após diversos atrasos e mudanças no projeto, o grupo Mitsubishi Heavy Industries (MHI) decidiu em sete de fevereiro por descontinuar o programa SpaceJet. A JAL era a empresa com mais pedidos firmes pela aeronave, com 32 jatos encomendados.

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O pedido da JAL foi efetuado há nove anos atrás, em 28 de agosto de 2014. Nessa época, a família de jatos da Mitsubishi ainda era conhecida pelo nome MRJ (Mitsubishi Regional Jet).

Com a compra do SpaceJet, a JAL planejava renovar a frota de jatos regionais da divisão J-Air, que opera atualmente com aeronaves Embraer E170 e E190. A empresa esperava receber os aviões produzidos no Japão em 2021.

O programa SpaceJet estava congelado por tempo indefinido desde 2020. Nesse meio tempo, a Mitsubishi também fechou a base de testes da aeronave em Moses Lake, nos Estados Unidos, e desmontou um dos protótipos.

Ex-concorrente do Embraer E-Jet

Iniciado em 2008, o programa MRJ previa o lançamento da aeronave de série em 2013, com a companhia japonesa ANA, mas o jato só voou pela primeira vez em 11 de novembro de 2015. A data da entrega do avião também foi adiada diversas vezes até o projeto ser suspenso. A família de jatos regionais da Mitsubishi, com capacidades entre 70 e 90 passageiros, concorria na mesma categoria dos E-Jets da Embraer.

Mitsubishi Space Jet - All Nippon Airways
Mitsubishi MRJ com a pintura da All Nippon Airways; empresa seria o operador de lançamento do jato japonês (Divulgação)

Enquanto durou, o SpaceJet foi o programa de aviação comercial mais ambicioso do Japão. A aeronave foi proposta nas versões M90 e M100, com capacidade entre 88 e 76 passageiros.

A variante M100 era proposta especificamente para atender a cláusula de escopo da aviação regional dos EUA, que proíbe operações nessa categoria com aviões com mais de 39.000 kg de peso máximo de decolagem. Ela competiria com o bem-sucedido E175 de primeira geração, com a qual a Embraer domina as vendas da categoria.

O modelo que seria capaz de enfrentá-lo é o E175-E2, a segunda geração de E-Jets, porém, a aeronave não atende à cláusula de escopo por ser muito pesado e ter uma capacidade de assentos acima do limite – a Embraer desenhou o avião dessa forma apostando que as regras seriam relaxadas pelos sindicatos de pilotos, o que não ocorreu até hoje.

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