O jato regional C909 da COMAC completou 10 anos de operação comercial neste domingo, 28 de junho, uma carreira que começou díficil e que ainda mostra que mesmo os chineses têm dificuldade em competir no segmento mais popular da aviação.
Inicialmente apresentado como ARJ21, o avião entrou em serviço pela Chengdu Airlines em 2016, após um desenvolvimento que sofreu atraso de cerca de oito anos. A COMAC rebatizou a aeronave como C909 no final de 2024 para alinhar o modelo à família de aviões comerciais da empresa, que inclui também o narrowbody C919 e o widebody C929, ainda em desenvolvimento.
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Segundo a COMAC, a frota transportou mais de 37 milhões de passageiros na última década, operando mais de 860 rotas que conectam mais de 180 cidades. O fabricante afirma que o avião realiza atualmente mais de 500 voos diários e representa cerca de 70% da frota de jatos regionais da China.
O C909 é amplamente utilizado em rotas regionais no oeste da China, onde a demanda de passageiros é menor e aeronaves de menor porte são mais adequadas do que os jatos narrowbody. Cerca de 70 aviões operam em Xinjiang, Mongólia Interior e Heilongjiang, atendendo mais de 460 rotas.
A aeronave também começou a expandir sua presença além da China. Operadoras na Indonésia e no Laos já utilizam o modelo, enquanto a VietJet, do Vietnã, anunciou planos para introduzir o avião. A COMAC informa que a frota internacional já transportou mais de um milhão de passageiros em 25 rotas internacionais que conectam 28 cidades.
De acordo com dados de frota compilados pela Air Data News, cerca de 187 aeronaves C909 foram produzidas e entregues, incluindo aviões de teste e demonstração. Air China e China Southern Airlines são atualmente os maiores operadores, com 35 aviões cada, seguidos pela cliente de lançamento Chengdu Airlines, com 31, e a subsidiária OTT Airlines, da China Eastern, com 24.
Diferentemente da maioria dos jatos regionais modernos, o C909 tem parte de sua origem no McDonnell Douglas MD-80, que foi montado na China nos anos 1980 por meio de uma joint venture. O avião mantém os motores instalados na parte traseira e a cauda em T característica do MD-80, embora a COMAC o descreva como um projeto nacional, incorporando uma nova asa supercrítica desenvolvida com apoio da Antonov, da Ucrânia.

O C909 é equipado com dois motores General Electric CF34-10A, da mesma família utilizada nos Embraer E-Jets e nos jatos regionais Bombardier CRJ. Por falar nos rivais, o jato da COMAC tem um 'apelo extra' na China, a determinação do governo comunista de oferecer o C909 para todas as companhias aéreas estatais do país. Não é por menos que hoje não se vê modelos brasileiros em servilo e a nova família E2 até aqui só ganhou certificação chinesa.
Apesar do marco, a COMAC tem sofrido com falta de peças para concluir os aviões. Em 2026 apenas três C909 foram entregues, além de alguns C919, ambos amplamente dependentes de componentes ocidentais.






