A LATAM definiu uma função bastante clara para o Embraer E195-E2 em sua estreia: alimentar seus principais centros de conexão e, sobretudo, o hub internacional de Guarulhos. Embora o jato de 136 assentos permita explorar ligações diretas entre cidades de médio porte, a companhia preferiu inicialmente aproveitar sua capacidade menor para aumentar frequências e conectar mercados regionais à sua malha.

Os primeiros voos estão previstos para o final de novembro. Segundo Jerome Cadier, CEO da LATAM Brasil, 14 E195-E2 estarão envolvidos na primeira fase, com mais de 40 rotas. Outras dez unidades chegam a partir de abril de 2027, quando a empresa pretende abrir novas bases e ligações.

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Guarulhos aparece no centro dessa estratégia. Das rotas já incluídas nos sistemas de reservas, 21 partem do aeroporto paulista, incluindo destinos de diferentes perfis, como Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Maceió, Manaus, Recife e Vitória.

O E2 também permitirá à LATAM chegar a mercados menores diretamente a partir de Guarulhos. Cabo Frio, Ji-Paraná, Macaé e Rondonópolis são quatro novas bases citadas por Cadier, todas com acesso ao principal hub internacional da companhia.

Jerome Cadier, CEO da LATAM (LATAM)
Jerome Cadier, CEO da LATAM (LATAM)

“As novas aeronaves nos permitem atender mercados menores e abrir, já nesta primeira fase, quatro novas bases de tráfego corporativo”, disse o executivo. Segundo ele, serão oito rotas inéditas conectadas a Guarulhos e à rede de mais de 30 destinos internacionais oferecida pela LATAM a partir do aeroporto.

Cadier usou Rondonópolis como exemplo da lógica adotada. Um passageiro que parte da cidade mato-grossense poderá chegar a Barcelona com uma única conexão em Guarulhos. A rota começa em 14 de dezembro.

A configuração escolhida também ajuda a explicar como a LATAM pretende utilizar o avião. O E195-E2 terá 136 assentos, sendo 20 na cabine Premium Economy e 116 na Economy. Os Airbus A320neo da companhia transportam 180 passageiros, o que permite ao Embraer atender mercados nos quais a demanda não justificaria a mesma oferta de assentos.

Em algumas rotas já existentes, a intenção não é simplesmente substituir um Airbus por um Embraer. “O E2 nos permite substituir um voo diário de Airbus por dois voos diários de Embraer, dobrando a oferta de horários”, explicou Cadier.

Assentos do E195-E2 da LATAM
Assentos do E195-E2 da LATAM | LATAM

Esse uso pode ser especialmente relevante em viagens corporativas, nas quais frequência e horários costumam pesar mais que a quantidade total de assentos oferecida em uma única partida.

Guarulhos não será o único centro da operação. Brasília receberá uma quantidade relevante de voos com o E195-E2, incluindo ligações para Campina Grande, Campo Grande, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Teresina e Uberlândia.

Curitiba, Porto Alegre e Recife também aparecem como pontos de origem de voos com o novo modelo. Entre as ligações que fogem da concentração em Guarulhos estão Curitiba-Cuiabá, Porto Alegre-Viracopos e Brasília-Ribeirão Preto, todas novas na malha da LATAM.

Segunda fase pode abrir espaço para novas rotas

A primeira distribuição mostra, portanto, um uso relativamente conservador do potencial do E195-E2. Em vez de montar inicialmente uma extensa rede de voos ponto a ponto entre mercados intermediários, a LATAM utilizará grande parte da frota para alimentar hubs e substituir Airbus em determinadas frequências.

Isso poderá mudar à medida que mais aviões forem entregues. A companhia espera receber outros dez E195-E2 em abril de 2027 e já antecipa novas bases e rotas para essa segunda fase.

LATAM E195-E2
LATAM E195-E2 | Embraer

Com 24 aviões disponíveis, haverá mais margem para testar ligações que hoje seriam difíceis de sustentar com a família A320. O E195-E2 ocupa justamente o espaço abaixo dos Airbus na frota da LATAM e permite ajustar a capacidade sem necessariamente reduzir o número de frequências.

A companhia, porém, ainda não detalhou quais mercados entrarão nessa etapa. “Tudo isso é apenas o começo”, disse Cadier ao antecipar a chegada dos dez aviões adicionais e a abertura de novas bases em 2027.