Marinha remarca leilão do porta-aviões São Paulo, mas só há um comprador qualificado

Lance mínimo para adquirir o barco segue em R$ 5.309.733,65; navio será vendido como sucata
NAe São Paulo
(MB)
NAe São Paulo parado na Ilha das Cobras, onde ficou durante boa parte de sua carreira no Brasil (Alexandre Galante/Poder Naval)
NAe São Paulo parado na Ilha das Cobras (RJ), onde ficou durante boa parte de sua carreira no Brasil (Alexandre Galante/Poder Naval)

A Marinha do Brasil remarcou o leilão do porta-aviões NAe São Paulo para o dia 29 de outubro. O aviso foi publicado na edição desta quarta-feira (14) do Diário Oficial da União.

O processo de licitação para vender a embarcação, conduzido pela Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON, vinculada ao Ministério da Defesa), foi iniciado em setembro de 2019, mas acabou suspenso em agosto deste ano.

O que está à venda é o “casco” do porta-aviões, que não tem mais condições de navegar e será desmontado para ter suas partes revendidas como sucata. A embarcação foi descomissionada pela Marinha do Brasil em 2018.

Por exigência da França, que vendeu o navio ao Brasil no ano 2000 e incluiu esse detalhe no contrato, a embarcação deve ser desmantelada por estaleiros de reciclagem aprovados pela União Europeia.

O lance mínimo para adquirir o barco segue em R$ 5.309.733,65. Das sete empresas credenciadas para efetuar lances pelo porta-aviões, apenas uma delas atendeu todos os requisitos para desmontar o barco, a Mediterranean Ships Breaking (representada pela TP Abastecimento e Serviços Navais LTDA, de Niterói – RJ).

Essa clausula evita que o porta-aviões desativado seja enviado para os desmanches de navios na Índia, que não têm a certificação da UE. O mais famoso fica na praia de Alang, na costa oeste do país, onde velha embarcações são desmontadas por homens e máquinas em condições precárias e sem nenhum cuidado com os resíduos poluentes.

Maior navio de guerra do Brasil

Maior embarcação militar que serviu com a bandeira brasileira, o navio-aeródromo São Paulo chegou às mãos da Marinha no ano 2000, comprado da França por US$ 12 milhões durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. O navio foi o substituto do NAeL Minas Gerais, que operou no Brasil entre 1960 e 2001, e posteriormente acabou vendido como sucata.

Caças AF-1 estacionados no convés de voo do NAe São Paulo (MB)
Caças AF-1 estacionados no convés de voo do NAe São Paulo (MB)

Quando ainda estava ativo, o São Paulo era o porta-aviões mais antigo do mundo. A embarcação foi lançada ao mar em 1960 e serviu com a marinha da França com o nome FS Foch de 1963 até 2000. Sob a identidade francesa, o navio de 32,8 mil toneladas e 265 metros de comprimento atuou em frentes de combate na África, Oriente Médio e na Europa.

Com a Marinha do Brasil, no entanto, a embarcação teve uma carreira curta e bastante conturbada, marcada por uma série de problemas mecânicos e acidentes. Por conta desses percalços, o navio passou mais tempo parado do que navegando. Em fevereiro de 2017, após desistir de atualizar o porta-aviões, o comando naval decidiu desativar o NAe São Paulo em definitivo.

Segundo dados da marinha brasileira, o São Paulo permaneceu um total de 206 dias no mar, navegou por 54.024,6 milhas (85.334 km) e realizou 566 catapultagens de aeronaves. A principal aeronave operada na embarcação foi o caça naval AF-1, designação nacional para o McDonnell Douglas A-4 Skyhawk, hoje operados a partir de bases terrestres.

NAe São Paulo
Caças AF-1 da MB e um ST-2 Tracker da Armada Argentina a bordo do NAe São Paulo (MB)

Proposta de museu flutuante não deve avançar

O Instituto São Paulo|Foch, formado por um grupo de entusiastas e ex-militares brasileiros e francesa, era um dos maiores interessados em adquirir o porta-aviões São Paulo. O objetivo da organização era (e continua sendo) transformar a embarcação em museu flutuante.

Porém, devido a grande quantidade de materiais tóxicos a bordo do navio (sobretudo amianto), a Marinha do Brasil descartou o plano de transformar a embarcação em museu.

Veja mais: Quais aeronaves faltam nas forças armadas do Brasil?

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9 comments
  1. Saudações!
    O Amianto não é limitante para que o Navio-Aeródromo seja impossibilitado ao projeto do Museu.
    Deixamos abertos desde o início todos canais de comunicação com a Marinha para que caso nosso projeto não se enquadre, que a própria Marinha pudesse propor alternativas.

    A última conversa que tivemos com representantes da marinha foi em Dezembro de 2019 e não foi a última reunião. Estamos aguardando um novo agendamento.

    Não desistiremos até que seja tratado oficialmente.

    Segue a luta.

    “NON DVCOR, DVCO!”

    Instituto São Paulo /Foch

  2. Mais um exemplo de desperdício dos recursos publicos! Um equipamento desta magnitude e valor adquirido para operar menos de 20 anos e de forma parcial, pois mais ficou mais atracado do que em operaçao, muito provavelmente por ser o navio do tipo mais antigo no mundo, necessitando de manutenção constante! Lamentável! Tomara que vire museu mesmo para que lembremos dessa história.

  3. Era uma época diferente, hoje em dia navios desse tipo não mais correspondem aos desejos da.marinha, a compra do porta helicópteros praticamente novo da Inglaterra isso sim foi um grande negócio

  4. O navio é muito grande para ser museu…
    Manutenção carissima, mesmo como museu.
    Não vale a pena!
    O museu da Marinha já tem um bom acervo,com navios e aeronaves representativos, além de exibições da maior importância histórica.

  5. Acho que deveria torná-lo um porta helicópteros, assim as dificuldade que existem com as catapultas não existiriam, e acomodaria diversos equipamentos ficando assim um navio que serviria para a proteção da nossa costa. Sei que talvez tenha um custo alto para comissionalo , mais consertesa seria menor do que comprar um outro.

  6. Incompetentes mais uma vez. 206 dias de mar não eh nada desde 2000. Se acham os bambans em gestão essas autoridades da marinha. Todos gestores péssimos . Só fazem aparecer p o povo como uma marinha modernas mais de atrasos . Pensam w dão donos da Marinha e falam em família naval. Vivem de mentiras . Como pode comprar uma coisa dessas. Teve compras dos navios deltas q não serviram nos anos 900 e aeronaves q não serviram. Nunca aprendem . São donos a armada. O resto são restos e corporativistas. Por isso no mesmo atraso de 40 anos atrás época que incorporei . Só valorizam a carreira deles . Praças lixo.
    .

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