A Noruega pode ser o primeiro país a exigir a introdução de aviões elétricos no mercado doméstico (Zunum Aero)

Um dos países mais empenhados na redução de emissões poluentes, a Noruega pode ser a primeira nação do mundo a introduzir aviões com motorização elétrica no transporte de passageiros. Autoridades do país estão elaborando um programa para facilitar a entrada de aeronaves com motorização elétrica no mercado doméstico a partir de 2030 e a transição completa até 2040.

“É do próprio interesse da Noruega, da perspectiva da política ambiental e climática e de transportes, que sejam desenvolvidas aeronaves de baixa emissão capazes de operar na rede (de voos comerciais) norueguesa de curto alcance”, aponta a análise publicada pelo serviço de navegação aérea da Noruega (Avinor) e a agência de aviação civil do país escandinavo.

O texto ainda diz que a Noruega é um país “adequado e reconhecido” para a introdução de aviões comerciais elétricos e que o mercado local é uma “área de teste muito interessante”.

“Se a Noruega não assumir a liderança, também há o risco de que as aeronaves de baixa emissão sejam inadequadas para as condições de inverno norueguesas”, continua a análise.

O documento ainda lembra que existem hoje mais de 200 projetos em andamento para desenvolver aviões elétricos ou híbrido-elétricos, principalmente no setor de 19 lugares, e que várias companhias aéreas, incluindo a SAS da Escandinávia e norueguesa Widerøe, manifestaram interesse ou já participam de iniciativas nesse campo.

“Parece claro que não há obstáculos tecnológicos intransponíveis para o desenvolvimento aeronaves elétricas”, ressalta o documento, acrescentando que desenvolvimento, certificação e a introdução de aeronaves elétricas para 19 passageiros em rotas curtas devem ser “tecnicamente possíveis” entre 2025 e 2030 e aeronaves maiores nos anos seguintes.

Segundo a análise, a baixa capacidade das baterias continua sendo o principal obstáculo para a implementação de aviões elétricos e que seria necessário aumentar entre 50% e 75% a eficácia no armazenamento de eletricidade.

Autoridades norueguesas estimam que os primeiros aviões elétricos a entrar em operação deverão ser capazes de realizar rotas de 350 km a 400 km, o que seria o suficiente para atender a “grande maioria” das rotas de curta distância do país.

Projeto E-Fan X da Airbus pode abrir o caminho para o primeiros aviões comerciais híbridos-elétricos (Airbus)

“Para um alcance mais longo, dada a tecnologia atual de baterias, será necessário contar com soluções híbridas, na qual a aeronave será equipada com baterias e um ‘extensor de alcance'”, afirmam os órgãos de aviação da Noruega, que ainda sugere o uso de geradores movidos a biocombustível.

A análise, porém, reconhece que o prazo estipulado para a chegada dos aviões elétricos pode ser adiado. “É importante enfatizar que o desenvolvimento de aeronaves elétricas ainda está em sua infância, portanto, atualmente não é possível fazer previsões precisas em relação a prazos ou custos.”

O texto ainda relata que os maiores fabricantes do setor “até agora demonstraram um interesse relativamente modesto” em projetos de aeronaves elétricas de pequeno porte.

“Para as companhias aéreas, sempre há um risco associado em comprar uma aeronave recém-desenvolvida”, acrescenta “Pode-se supor que esse risco será ainda maior quando a nova tecnologia de propulsão for introduzida. A mitigação de risco para as companhias aéreas que desejam investir em aeronaves de zero a baixa emissão parece ser crucial.”

A Avinor e a agência de aviação civil da Noruega estão propondo um pacote de medidas, incluindo incentivos ao desenvolvimento de novas tecnologias e apoio a investimentos, durante a fase inicial de introdução dos aviões elétricos em voos domésticos.

O plano da Noruega para incentivar a introdução de aviões elétricos é semelhante ao proposto no mercado automobilístico do país, onde já se vende mais carros elétricos do que modelos com motores a combustão.

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