Modernização dos 49 caças F-5 foi iniciada em 2001

O programa de modernização de 49 caças levou quase 20 anos para ser concluído (Embraer)

Foi realizada nessa quinta-feira (15) a cerimônia de entrega do último caça F-5M modernizado pela Embraer para a Força Aérea Brasileira (FAB) em Gavião Peixoto (SP). A Embraer Defesa e Segurança foi responsável pela atualização de 49 aviões, implementando sistemas e armamentos mais modernos e uma revisão estrutural que prolonga a vida útil do jato por mais 15 anos.

Orçada em US$ 285 milhões, a modernização dos F-5 brasileiros foi iniciada em fevereiro de 2001, quando o primeiro avião da FAB foi enviado aos cuidados da Embraer e serviu como protótipo para as fases de desenvolvimento e testes do Programa F-5BR.

A primeira aeronave atualizada retornou para a frota da FAB em 21 de setembro de 2005. Os jatos com o novo padrão são designados pela Força Aérea como F-5EM (monoposto) e F-5FM (biposto).

O cronograma original do projeto previa a entrega de todos caças atualizados até 2009. No entanto, limitações no orçamento de Defesa nos últimos anos atrasaram a conclusão do programa.

F-5 mais avançado do mundo

A despeito da demora, os F-5 modernizados da FAB estão entre os mais avançados do tipo no mundo, incorporando equipamentos e armamentos que elevam o antigo jato da Northrop a posição de caça de quarta geração. É um pulo de duas gerações do avião projetado no final dos anos 1950 e operado no Brasil há mais de 45 anos.

A modernização dos caças foi adotada como uma solução provisória enquanto a FAB estudava as opções de novos jatos para atualizar a frota, o que foi definido somente em 2013 com a escolha do SAAB Gripen E/F. À medida que os novos jatos suecos chegarem ao Brasil, os F-5 serão gradativamente desativados até o final desta década.

Caças F-5M da FAB

Ao longo dos últimos 45 anos, a FAB operou um total de 81 caças F-5 Tiger II; 49 jatos foram modernizados (FAB)

A frota de caças F-5E e F-5F foi incorporada pela FAB no início dos anos 70. Para aumentar a capacidade operacional dos jatos, foi criado em 2001 um programa de modernização. Cada avião recebe um novo conjunto de aviônicos que inclui sistemas de navegação, armamentos, pontaria e autodefesa mais avançados. No processo, os caças são totalmente desmontados e revisados. O processo é conduzido na unidade da Embraer em Gavião Peixoto. A AEL Sistemas, de Porto Alegre (RS), também participa do programa.

No lugar de antigos mostradores analógicos e sistemas digitais obsoletos, o cockpit do F-5M agora possui três monitores coloridos multifuncionais. Outra atualização importante é a incorporação de capacetes do tipo HMD (Helmet-mounted display), com um dispositivo que projeta informações no visor do capacete, permitindo ao piloto marcar os alvos aéreos movendo a cabeça.

Capacete HMD

O capacidade HMD usado nos F-5M foi desenvolvido pela AEL Sistemas (FAB)

O F-5M da FAB também adotou o radar italiano Grifo F fornecido pela Leonardo que pode detectar alvos independentes a 80 km de distância. Esse alcance de detecção habilita o uso de mísseis de médio alcance, colocando os F-5 brasileiros na faixa de combate BVR (Beyond-visual-range), além do alcance visual do piloto.

Para acomodar o novo radar, instalado no nariz da aeronave, foi necessário retirar um dos dois canhões de 20 mm (modelos Pontiac M39) do F-5E/F original. Em contrapartida, a aeronave agora pode carregar mísseis BVR israelenses Rafael Derby, orientado por radar ativo e com alcance aproximado de 50 km, e os Python IV para combate próximo, guiados por calor. A caça pode transportar uma carga máxima de quatro mísseis ar-ar, incluindo o modelo brasileiro Mectron MAA-1B Piranha II, de curto alcance.

A lista de atualizações do F-5 tem ainda novos rádios digitais com mensagens criptografadas que se conectam com as aeronave de alerta antecipado e controle aéreo E-99 da FAB, formando um sistema de defesa aéreo combinado.

Caça F-5EM armado com quatro mísseis

Vai encarar? F-5EM armado com dois mísseis Rafael Derby e um par de Python IV (FAB)

O novo pacote também inclui uma suíte de sistemas de autodefesa, com lançadores de chaff e flares para despistar mísseis e capacidade para operar com o casulo de guerra eletrônica Sky Shield (fornecido pela Rafael Advanced Defense Systems). A função desse equipamento é atuar em missões de Supressão de Defesa Antiaérea Inimiga, interferindo em radares e sistemas de mísseis inimigos, criando um corredor seguro para ações de combate.

Para missões de ataque ao solo, o arsenal do F-5M tem a disponível bombas de fragmentação e “inteligentes”, com sistemas de orientação por laser, além de bombas específicas para destruir pistas de pouso e foguetes de 70 mm. O caça atualizado também pode ser armado com o míssil brasileiro anti-radar Mectron MAR-1.

As forças aéreas do Chile e da Indonésia são outros exemplos que levaram seus caças F-5 ao máximo, equipando as aeronaves sistemas e armamentos semelhantes aos adotados nos aviões da FAB.

Oficina de caças da Embraer

Necessidades da FAB em atualizar suas aeronaves ou mesmo de clientes do exterior levaram a Embraer a criar uma espécie de “oficina” de aviões de combate, incluindo aeronaves fabricadas por outros fornecedores.

Caça AF-1M - Marinha do Brasil

Caça-bombardeiro AF-1M: Embraer criou a versão mais avançado do mundo do A-4 Skyhawk (MB)

Além do programa F-5M, a Embraer também executa o processo de modernização dos caças-bombardeiros A-1M (Embraer AMX) da FAB e dos caças navais AF-1M da Marinha do Brasil, hoje a versão mais avançada no mundo em operação do veterano McDonnell Douglas A-4 Skyhawk.

A Embraer também desenvolveu processos de modernização para o turboélice Tucano. Recentemente, a força aérea da Colômbia modernizou seus aparelhos localmente com auxílio da fabricante brasileira. Outro projeto conduzido pela empresa é a atualização dos “aviões-radares” E-99 da FAB, com a inclusão de equipamentos mais avançados.

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