Uma das maiores empresas aéreas do mundo, a Lufthansa pode entrar em uma situação delicada (Kiefer)

O Grupo Lufthansa admitiu nesta quinta-feira, 23 de abril, que precisa de assistência financeira governamental para poder sobreviver durante a crise no setor aéreo causada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

“Em vista da perspectiva dos negócios, dos passivos multibilionários existentes relacionados a contas a pagar e a reembolsos de bilhetes cancelados, bem como dos pagamentos futuros de passivos financeiros, o Grupo espera um declínio significativo da liquidez nas próximas semanas”, afirmou a empresa em comunicado. A Lufthansa “não espera poder cobrir os requisitos de capital resultantes com mais empréstimos no mercado. O Grupo está, portanto, em intensas negociações com os governos de seus países de origem em relação a vários instrumentos de financiamento para garantir de forma sustentável a solvência do Grupo em um futuro próximo.”

A Lufthansa tem atualmente 4,4 bilhões de euros (cerca de R$ 27 bilhões na cotação atual) em liquidez e está gastando cerca de 1 milhão de euros por hora em meio à crise do Covid-19, disse recentemente o CEO do grupo, Carsten Spohr, em mensagem de vídeo aos funcionários da empresa. “Hoje, não é possível prever quando as companhias aéreas do Grupo poderão retomar as operações de voo além do atual cronograma de repatriação”, continua o comunicado da companhia.

De acordo com fontes próximos às negociações consultadas pelo Aviation Week, a Lufthansa espera receber ajuda do governo alemão e dos governos da Áustria, Suíça e Bélgica, onde estão as principais subsidiárias do grupo alemão, a Austrian, Swiss e Brussels Airlines.

“O principal risco não é a falta de auxílio estatal, mas sim o auxílio”, disse Daniel Roeska, analista de companhias aéreas da consultoria Bernstein, em nota aos seus clientes. “A nosso ver, é do interesse de políticos da Alemanha, Áustria, Suíça e Bélgica fornecer assistência de liquidez à Lufthansa, a fim de apoiar seus setores industriais à medida que emergem da crise.”

Roeska ressalta que “o abalo da aviação está ganhando ritmo, com a nossa contagem de quatro falências nesta semana (Air Mauritius, SpiceJet, LGW e Virgin Australia). A liquidez da Lufthansa está se esgotando e o grupo não pode arrecadar fundos para sobreviver no mercado aberto, mesmo com cerca de 10 bilhões de euros em aeronaves não oneradas.”

A Lufthansa anunciou um prejuízo operacional de 1,2 bilhão de euros para o primeiro trimestre de 2020, uma vez que as receitas do grupo caíram 18%. Em março, as vendas de bilhetes da empresa caíram 47% quando os efeitos negativos da pandemia começaram a se desdobrar. Atualmente, a companhia aérea opera cerca de 2% de sua programação normal.

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