Airbus A380 da Qantas ficarão três anos guardados no deserto da Califórnia (Peter Lavender)

As medidas de contenção de custos anunciadas pela companhia aérea Qantas nesta quinta-feira, 25, dão bem ideia do abismo que o setor de transporte aéreo está no momento. Empresa de bandeira da Austrália, a Qantas não teve outra alternativa a não ser encolher e muito.

Sua frota de aeronaves, que hoje possui 133 unidades, só manterá cerca de 30 aparelhos voando. Os demais serão armazenados por pelo menos um ano, afirmou a empresa, entre eles os 12 Airbus A380, que serão enviados ao deserto do Mojave, na California, até 2023.

A sorte do gigante da Airbus, que ainda é visto como viável pela empresa, é bem melhor que a dos Boeing 747-400 da Qantas. Seus seis Jumbos restantes estão definitivamente aposentados, seis meses antes do previsto.

Encomendas adiadas

A Qantas revelou que reduzirá sua malha de longo alcance, que ficará a cargo de alguns jatos 787-9 e A330. A companhia aérea também confirmou que as encomendas pendentes do Dreamliner e do A321neo terão as entregas adiadas, embora não tenha revelado um prazo. O plano prevê um dispêndio de US$ 1 bilhão nos próximos 12 meses, mas que se refletirá numa economia de US$ 15 bilhões em três anos.

Como é de praxe na comunicação corporativa, o CEO da Qantas, Alan Joyce, garantiu que “o Grupo Qantas entrou nesta crise em uma posição melhor do que a maioria das companhias aéreas e temos algumas das melhores perspectivas de recuperação, principalmente no mercado doméstico”.

Joyce, no entanto, admitiu que isso significará “tornar-se uma companhia aérea menor no curto prazo” e que se adaptar à nova realidade obrigou a empresa a tomar “algumas decisões muito dolorosas como as perdas de empregos que anunciamos hoje” – serão 6 mil funcionários demitidos de um total de 21 mil.

Projeto Sunrise na geladeira

A pandemia pegou a Qantas em meio a um projeto ambicioso, o Sunrise (nascer do sol), que pretendia lançar rotas de ultra longo alcance entre Sydney e Melbourne e destinos como Nova York e Londres sem escalas.

A empresa realizou voos de testes no início do ano para analisar formas de tornar a viagem o menos desgastante possível. Antes de suspender o projeto, a Qantas havia apontado o A350-1000 como aeronave preferida para realizar esses voos, que envolvem distâncias de até 17.000 km.

A Qantas encerrou as operação com seus 747-400 seis meses antes do previsto e utilizará o 787 e o A330 (foto) nas rotas de longa distância (Simon Sees)

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