Porta-aviões São Paulo está à venda por R$ 5,3 milhões

Com uma carreira conturbada, embarcação foi operada pela Marinha do Brasil entre os anos 2000 e 2017
NAe São Paulo parado na Ilha das Cobras, onde ficou durante boa parte de sua carreira no Brasil (Alexandre Galante/Poder Naval)
NAe São Paulo parado na Ilha das Cobras, onde ficou durante boa parte de sua carreira no Brasil (Alexandre Galante/Poder Naval)
NAe São Paulo parado na Ilha das Cobras, onde ficou durante boa parte de sua carreira no Brasil (Alexandre Galante/Poder Naval)
NAe São Paulo atracado na Ilha das Cobras, onde ficou durante boa parte de sua carreira no Brasil (Alexandre Galante/Poder Naval)

O Ministério da Defesa do Brasil, por meio do Comando da Marinha e a Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron), anunciou nesta segunda-feira (23) a abertura do processo de licitação para vender o casco do porta-aviões NAe São Paulo. Segundo o informe publicado no Diário Oficial da União, o lance mínimo para arrematar a embarcação é de R$ 5.309.733,65.

Maior embarcação militar que serviu com a bandeira brasileira, o navio-aeródromo São Paulo chegou às mãos da Marinha no ano 2000, comprado da França por US$ 12 milhões durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. O navio foi o substituto do NAeL Minas Gerais, que operou no Brasil entre 1960 e 2001, e posteriormente acabou vendido como sucata.

Quando ainda estava ativo, o São Paulo era o porta-aviões mais antigo do mundo. A embarcação foi lançada ao mar em 1960 e serviu com a marinha da França com o nome FS Foch de 1963 até 2000. Sob a identidade francesa, o navio de 32,8 mil toneladas e 265 metros de comprimento atuou em frentes de combate na África, Oriente Médio e na Europa.

Com a Marinha do Brasil, no entanto, a embarcação teve uma carreira curta e bastante conturbada, marcada por uma série de problemas mecânicos e acidentes. Por conta desses percalços, o navio passou mais tempo parado do que navegando. Em fevereiro de 2017, após desistir de atualizar o porta-aviões, o comando naval decidiu desativar o NAe São Paulo em definitivo.

Segundo dados da marinha brasileira, o São Paulo permaneceu um total de 206 dias no mar, navegou por 54.024,6 milhas (85.334 km) e realizou 566 catapultagens de aeronaves. A principal aeronave operada na embarcação foi o caça naval AF-1, designação nacional para o McDonnell Douglas A-4 Skyhawk, hoje operados a partir de bases terrestres.

Caças AF-1 estacionados no convés de voo do NAe São Paulo (MB)
Caças AF-1 estacionados no convés de voo do NAe São Paulo (Marinha do Brasil)

Porta-aviões pode virar museu

O Instituto São Paulo|Foch, formado por um grupo de entusiastas e ex-militares brasileiros e francesa, é um dos maiores interessados em adquirir o porta-aviões São Paulo. O objetivo da organização é transformar a embarcação em um museu flutuante.

Em contato com o Airway, Emerson Miura, representante do instituto, confirmou que o grupo vai iniciar reuniões para tratar sobre o assunto, mas que ainda é cedo para divulgar uma definição. “O processo de alienação do porta-aviões deve ser finalizado somente no final deste ano. Ainda há bastante tempo para trabalharmos com calma.”

Honrando o nome do porta-aviões São Paulo, o plano da organização é transferir o barco para o litoral paulista, de preferência para o porto de Santos.

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Joaquim Paulino Leite Neto

Por falar em porta-aviões, o Brasil precisa implementar novamente a construção do submarino nuclear. mas em vez da França como parceira, poderia pedir ajuda a Israel e Estados Unidos. E implementar também a construção de vetores para lançamentos de bombas atômicas, afinal com um país comunista como a Venezuela nas nossas fronteiras uma futura guerra é absolutamente possível. Que o presidente Bolsonaro tome tais medidas

Julio Cordeiro
Julio Cordeiro
2 anos atrás

Que seja transformado em museu…visitei o USS Intrepid, ancorado em Nova Iorque, com um monte de atrações, aeronaves, compartimentos, etc…visitado por muitas pessoas diariamente, imagino que em Santos poderia ocorrer o mesmo, acho uma bela opção.

LEONARDO MELLO DA CUNHA
2 anos atrás

Brasil gastou uma grana nesse elefante branco . Até hoje não entendi por que de ter um porta aviões antigo cheio de manutenção pra dar . Aí me pergunto qual propósito de Brasil projetar poder aeronaval se nem pode atacar outros países nem se envolver em guerras nem nada do tipo. Pq não cuidar aqui melhor de outros projetos internos , como corvetas que na pior das hipóteses ainda serve pra alguma coisa ,visto a extensão de nosso litoral

Raimundo sousa
Raimundo sousa
2 anos atrás

Temos um belo museu aqui no Rio de janeiro e porque não o deixar como peça do museu naval do nosso estado o rio merece já que a maior parte de sua vida útil em alguma as brasileirinhas foram aqui no Rio sobre o comando do terceiro distrito naval.

D. Matson
D. Matson
2 anos atrás

Nossas escolas nacionais de Educação Básica falidas e gente querendo fazer guerra com Venezuela: melhor, então, construir hospícios…

Benair Scarlatelli Storck

Com o litoral que tempo a aviação naval poderia ser baseada em terra, não havendo necessidade de um porta aviões. Melhor investir em meios navais de superfície rápidos e bem armados, e ampliar o uso de submarinos. Transformá-lo num museu seria uma boa opção, mas deveria ter condições de se deslocar e visitar os outros estados da federação. Ficar só vem Santos ….

Gil katioca
Gil katioca
2 anos atrás

O maior ladrão deste país foi o excelentíssimo senhor F.H.C. mais, como a sociedade entre aspas. Comeu com ele. Hoje fica tirando onda no seu castelo em Paris. E o culpado de tudo é o Lula via sítio Atibaia. Puts. Só um Bozo neste país pra fazer a gente rir da nossa própria desgraça.

Claudiston Plinii
Claudiston Plinii
2 anos atrás

O desperdício de dinheiro público na aquisição dessa banheira, exclama . Se investigar, acha.

Dario Lemos
Dario Lemos
2 anos atrás

Pagaram uma fortuna por essa tranqueira francesa e agora estão oferecendo a preço de “banana” para se livrar desse peso morto. Sempre deve ser feita uma análise criteriosa na compra deste tipo de produto em vez de querer “fazer média” com “parceiros” comerciais.

Tetsuo Shimura
2 anos atrás

Se eu tivesse a grana para comprar e modernizar eu iria montar um cassino com toda espécie de jogatinas e cabarés para público que pudesse chegar de helicópteros e jatinhos. Fundearia além das 200 milhas para que as leis de nenhum país pudesse emitir opiniões não solicitadas. Imagino que ficaria milionário.

Haroldo Amorim
2 anos atrás

Porque não tranformá- lo num porta helicópteros …? O maior problema era a catapulta de decolagem, desativa, já que helicóptero não precisa disso. Recupera, atualiza, pinta, troca o motor e pronto, mais um navio.

Haroldo Amorim
2 anos atrás

Tranforma num porta helicóptero, não precisa de catapulta, mecanismo mais complicado do NAE S.Paulo.

Hamilton Domingues da Silva

A Marinha deveria transformar o porta avião, em escola pública ou hospital público, e levar para a Amazônia para atender os moradores a beira do rio negro e solimões.

Klaus
2 anos atrás

Um absurdo!
Na época, quando Lula e seus “companheiros” estavam negociando a compra deste porta-aviões, a marinha francesa tinha aposentado (como sucata) o porta-aviões “Foch” e ele estava sendo enviado para a Índia, onde existe um lugar onde navios são desmanchados.

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