O Shandong pode transportar até 40 aeronaves, entre caças e helicópteros (News.cn)

O Shandong, o primeiro porta-aviões construído na China, foi comissionado pela Marinha do Exército de Libertação Popular do país nessa terça-feira (18). O termo usado pelos militares significa que o navio está integrado à frota operacional e pronto para o serviço.

A embarcação com 315 metros de comprimento e peso máximo em torno de 70 mil toneladas, é um passo tecnológico importante para a China e segue o plano do presidente chinês Xi Jinping de tornar a marinha do país em uma das forças militares mais poderosas do mundo.

O nome da embarcação é uma homenagem a província costal de Shandong, no norte da China e com a segunda maior população do país, passando dos 100 milhões de habitantes. No passado, foi a casa do filósofo chinês Confucios e um dos berços do budismo e o taoismo. O lançamento do barco, com a presença de Xi Jinping, porém, foi realizado em Hainan, no sul.

O Shandong é o segundo porta-aviões da marinha chinesa. O outro é o Liaoning, um navio que começou a ser construído na antiga União Soviética nos anos 1980 e foi finalizado somente em 2011 pela própria China. A embarcação foi adquirida da Ucrânia em 1998.

O navio fabricado na China segue o mesmo conceito do Liaoning, com propulsão convencional e pistas “skyjump”. Diferentemente dos grandes porta-aviões nucleares dos EUA, o Shandong não precisa de dispendiosas catapultas para lançar as aeronaves. Em vez disso, os aviões usam a força dos próprios motores e correm pela pequena pista do convés até uma rampa, onde decolam. Os pousos são realizados com sistemas de cabos de frenagem convencionais.

O Shandong é uma espécie de nova geração do Liaoning com modificações pontuais, mas muito importantes. A embarcação pode transportar cerca de 40 aeronaves, entre caças e helicópteros, enquanto o Liaoning leva cerca de 25.

O principal avião a bordo do Shandong é o caça Shenyang J-15, versão local do Sukhoi Su-33. O navio também conta com sistema de defesa contra mísseis e baterias de mísseis de ataque contra aviões inimigos. A autonomia do porta-aviões não é divulgada pela marinha chinesa.

O presidente da China, Xi Jinping, participou da cerimônia de comissionamento do Shandong (Divulgação)

Poder naval de classe mundial

A China vive um momento de enorme crescimento no meio militar e busca protagonismo no cenário mundial, sobretudo nos mares. Dezenas de embarcações de guerra vêm sendo finalizadas no país nos últimos meses em um dos maiores esforços da indústria bélica na história.

A marinha chinesa tem hoje em serviço cerca de 500 embarcações, incluindo submarinos convencionais e nucleares, convertas de última geração, navios anfíbios e agora porta-aviões. O país também já colocou em andamento a construção de mais dois porta-aviões, maiores que o Shandong.

O aumento do poderio chinês é uma mensagem para afastar os EUA e seus aliados na região do Pacífico. A frota americana, considerada ainda a mais avançada do mundo, também opera cerca de 500 embarcações (incluindo 12 porta-aviões), mas que começa a ter sua supremacia em números ameaçada pelos chineses.

Caças J-15 no convés de voo do porta-aviões Liaoning (reprodução)

O lançamento do navio chinês também é um marco especial na Ásia. A China se tornou primeira nação da região que projetou e construiu um porta-aviões desde a Segunda Guerra Mundial. O último país asiático que fabricou navios desse tipo foi o Japão.

Apontada como uma arma fundamental para projetar poder e dissuasão, porta-aviões também são questionados por seus altos custos ou mesmo por serem antiquados contra ataques com armas de última geração, como mísseis de cruzeiro ou ataques de submarinos. Ainda assim, é um símbolo importante militar e afugenta más intenções.

Atualmente apenas oito países possuem porta-aviões considerados ativos. São eles: EUA, França, Itália, Rússia, Espanha, Reino Unido, Índia, Tailândia e a China. O Marinha do Brasil fazia parte desse grupo até pouco tempo com o NAe São Paulo, descomissionado em 2018.

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