NASA libera montagem final do jato supersônico X-59 QueSST

Protótipo será a plataforma de testes para a nova uma nova geração de jatos comerciais supersônicos e silenciosos
Aeronave de pesquisa X-59 QueSST da NASA
(NASA)
O primeiro voo do X-59 é programado para 2021 (NASA)

A NASA anunciou nesta semana a liberação para a montagem final e integração de sistemas da aeronave experimental X-59 Quiet SuperSonic Technology (QueSST). O protótipo será usado para avaliar voos em velocidades supersônicas com baixo impacto sonoro. A agência espacial dos EUA espera concluir o aparelho no final do próximo ano e realizar o primeiro voo em 2021.

O alto nível de ruído foi um elementos complicadores na carreira do Concorde. O “Sonic Boom” (Estrondo sônico), ondas de choque criadas por aviões viajando acima da velocidade do som, podem incomodar pelo barulho e também pelo risco de causar danos materiais em regiões habitadas, como deixar um rastro de vidraças quebradas. Por conta disso, o antigo jato comercial não era autorizado a realizar viagens supersônicos em regiões continentais, podendo acelerar ao máximo apenas em voos sobre o mar.

Asas e a fuselagem do X-59 em fase de montagem na fábrica da Skunk Works (Lockheed Martin)

Desenvolver tecnologias capazes de eliminarem ou talvez reduzirem o efeito do Sonic Boom a níveis mais seguros são essenciais para trazer os jatos supersônicos de volta ao transporte de passageiros. O Concorde foi o último avião comercial supersônico, operado entre 1976 e 2003. Seu concorrente foi o Tupolev Tu-144, que teve um carreira curta e fez pouco sucesso.

“Com a conclusão do KDP-D (a certificação Key Decision Point-D), mostramos que o projeto está dentro do cronograma, está bem planejado e no caminho certo. Temos tudo para continuar essa missão histórica de pesquisa para o público de viagens aéreas do país ”, disse Bob Pearce, diretor da área Aeronautics da NASA.

O X-59 é projetado para reduzir o volume do estrondo sônico que atinge o solo. O protótipo será testado em voos sobre comunidades selecionadas dos EUA para gerar dados de sensores e pessoas no local para avaliar a percepção do público. Segundo a agência, esses dados ajudarão os reguladores a estabelecer novas regras para permitir viagens aéreas supersônicas comerciais por terra.

A construção do X-59, sob um contrato de US$ 247,5 milhões, é tarefa da fábrica Skunk Works da Lockheed Martin em Palmdale, no estado da Califórnia.

X-Planes

Como o próprio nome do avião já diz, o X-59 QueSST é o 59° projeto da série de aeronaves e foguetes experimentais dos EUA, usados para testar e avaliar novos tecnologias e conceitos aerodinâmicos (embora nem todos tenham voado).

Os projetos X foram iniciadas pela antiga agência NACA (Comitê Consultivo Nacional de Aeronáutica), depois sucedida pela NASA, em parceria com a força aérea dos EUA. O pioneiro do programa foi o Bell X-1, o primeiro avião a romper a barreira do som em 1947.

A longa lista de “X-Planes” da NASA inclui projetos dos mais variados tipos, desde aeronaves supervelozes, como o icônico X-15, até o hoje o avião mais rápido da história, e os veículos espaciais X-38 e X-40. Além do novo jato supersônico, outro programa em andamento na agência é o  X-57, um protótipo de avião totalmente elétrico projetado para avaliar a aplicação de motores elétricos na aviação comercial.

(Domínio Público)
Pioneiro do voo supersônico, o Bell X-1 foi o primeiro “X-Plane” dos EUA (Domínio Público)

A missão do QueSST agora é corrigir a falha que o X-1 deixou há mais de 70 anos. Segundo dados da NASA, o X-59 poderá a voar a mais de Mach 1.4 (cerca de 1.500 km/h) a 16,800 metros (55 mil pés) de altitude. E sem incomodar ninguém nem quebrar nada pelo caminho.

A NASA prevê que a aeronave vai criar um estrondo sônico de 75 decibéis no solo, algo como o barulho de uma porta batendo. O Concorde, como comparação, gerava 110 dB. Os artifícios no protótipo para reduzir o nível de ruído são a entrada de ar do motor montada na parte superior da fuselagem e os canards, pequenas asas localizadas à frente da asa principal.

As lições aprendidas no X-59 podem abrir o caminho para uma nova geração de aviões comerciais supersônicos mais seguros e até certo modo acessíveis. Essas são algumas das promessas da Boom Supersonic e a Aerionempresas que planejam lançar jatos comerciais supersônicos até o final da próxima década.

Veja mais: Em seis meses, A321XLR acumula mais de 450 pedidos

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  1. O avião supersônico tem tudo para se tornar um sucesso, mas o fator combustível é essencial. Se gastar mais do que um jato convencional, não terá aplicabilidade no mercado. mas acredito que os projetistas deste novo avião já tenham levado isso em consideração. Gostaria de saber também dos planos da NASA para o avião hipersônico sub-orbital

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