Suspeito de negligência pela destruição do An-225, CEO da Antonov é demitido

Sergiy Bychkov, diretor geral da Antonov, foi afastado do cargo a mando da Ukroboronprom, grupo estatal da Ucrânia que controla a fabricante de aviões gigantes
Único de sua espécie, o An-225 foi destruído no fim de fevereiro após um ataque de tropas russas

O conglomerado estatal ucraniano Ukroboronprom confirmou nesta semana a demissão de Sergiy Bychkov, que ocupava o cargo de CEO da fabricante Antonov. A companhia não esclareceu os motivos do afastamento do executivo, que está sob investigação.

“O motivo da demissão foi uma investigação formal para, em particular, verificar certos fatos que foram publicados na mídia. A Ukroboronprom está fazendo todo o possível para ajudar o Serviço de Segurança da Ucrânia a esclarecer as circunstâncias de possíveis violações”, diz o informe da Ukroboronprom sobre o fato.

O comunicado da estatal ucraniana não especifica quais são os “certos fatos” publicados na mídia que levaram ao desligamento de Bychkov. A suspeita, no entanto, é de que o executivo foi negligente em relação ao An-225 Mriya, que foi destruído no fim de fevereiro após um ataque de tropas da Rússia ao aeroporto de Gostomel, nas proximidades de Kiev, onde a aeronave ficava baseada.

A suspeita coincide com declarações de Dmitry Antonov, demitido recentemente do posto piloto-chefe da Antonov Airlines. No mês passado, ele afirmou que a empresa poderia ter salvado a aeronave da destruição levando-a para outro país, mas não o fez.

O Antonov AN-225 é o maior avião do mundo, com 84 metros de comprimento (Thiago Vinholes)
Antonov An-225 em passagem pelo Aeroporto de Viracopos/Campinas, em 2016 (Thiago Vinholes)

Houve alegações de que o An-225 não teria condições de voar, o que foi negado pelo ex-piloto da Antonov. “Eu voei com ela em 5 de fevereiro. Depois disso, seus motores foram revisados. Na noite de 23 de fevereiro, ela estava pronta para voar para Leipzig com 70 toneladas de combustível.”

O piloto também acusou os gerentes da Antonov de terem laços com a Rússia e ainda fez um alerta sobre a campanha de doações para reconstrução do An-225, orçada em cerca de US$ 3 bilhões. “Claro que você pode depositar seu dinheiro, mas por sua conta e risco”, disse o piloto, que por coincidência tem o mesmo sobrenome do fundador da fabricante, Oleg Antonov.

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