A China deverá precisar de menos novos jatos de corredor único do que o estimado anteriormente e a culpa é da malha de trens de alta velocidade que continua a competir com os voos domésticos, segundo uma revisão da previsão de mercado da Airbus.
A fabricante agora projeta que as companhias aéreas chinesas vão demandar 7.480 novas aeronaves de corredor único nos próximos 20 anos, revelou a Bloomberg. A previsão anterior era de 7.950 aeronaves, uma redução de 470 jatos, ou quase 6%.
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A revisão diz respeito ao mercado chinês como um todo, não apenas às vendas da Airbus. Uma demanda menor por aeronaves de corredor único reduz o mercado potencial disputado por Airbus, Boeing e COMAC com as famílias A320neo, 737 MAX e C919, respectivamente.
A Airbus estima que os trens de alta velocidade podem, eventualmente, conquistar cerca de 10% do tráfego aéreo doméstico chinês. A concorrência é especialmente intensa em rotas nas quais a vantagem de tempo do voo é reduzida pelo acesso ao aeroporto, procedimentos de segurança e outras etapas da viagem.

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Estudos sobre o mercado chinês já identificaram efeitos significativos após o início da operação de trens de alta velocidade em rotas concorrentes com o transporte aéreo. Pesquisas sobre ligações entre grandes cidades chinesas apontaram reduções expressivas no tráfego, frequência e capacidade das companhias aéreas em rotas de aproximadamente 500 a 800 km.
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Outros estudos sugerem que o alcance competitivo pode ser ainda maior. Os trens de alta velocidade já impactaram a oferta aérea em rotas entre 600 e 1.400 km, dependendo do tempo de viagem dos trens e das cidades envolvidas.

Pressão sobre as companhias aéreas domésticas
O impacto não se limita às previsões de longo prazo para aeronaves. As companhias aéreas chinesas já enfrentam concorrência mais forte dos trens ao definir tarifas e capacidade em rotas domésticas.
Os três maiores grupos aéreos da China — Air China, China Eastern e China Southern — registraram prejuízos combinados no primeiro semestre de 2026. A Reuters informou em agosto que a concorrência dos trens de alta velocidade e do transporte rodoviário está entre os fatores que limitam a capacidade dessas empresas de elevar tarifas domésticas.
Ainda assim, a China segue como um mercado gigantesco para aeronaves comerciais. A Airbus projeta que o país vai precisar de 8.830 novas aeronaves de passageiros e cargueiros em todas as categorias nas próximas duas décadas.

As aeronaves de corredor único respondem pela maior parte dessa demanda. Elas são amplamente utilizadas na densa malha doméstica chinesa, incluindo rotas em que os trens de alta velocidade oferecem alternativa direta.
A China construiu a maior rede de trens de alta velocidade do mundo, conectando muitas de suas maiores cidades. A expansão contínua indica que as companhias aéreas devem enfrentar concorrência ferroviária em mais rotas domésticas à medida que novas linhas entram em operação e os tempos de viagem diminuem.



