Boeing 737 MAX 8 - Gol Linhas Aéreas

Boeing 737 MAX em Congonhas: jato vai virar figura frequente do aeroporto central de São Paulo (GOL)

A partir de quarta-feira (9/12), a Gol vai iniciar a reativação dos jatos Boeing 737 MAX em sua malha de voos domésticos, após uma paralisação que durou 20 meses. A companhia aérea brasileira será a primeira do mundo a retomar as atividades com a aeronave, que passou por um meticuloso processo de revisão e testes para corrigir as falhas no projeto que causaram dois acidentes fatais.

Preparando o terreno para a volta do MAX, a Gol promoveu um voo de demonstração do jato revisado para a imprensa, com a presença de executivos da companhia e da Boeing e autoridades do setor aéreo. A aeronave (o 737 MAX 8 PR-XMA) decolou de Congonhas, em São Paulo (SP), e seguiu para o aeroporto de Confins, região metropolitana de Belo Horizonte (MG), onde fica o centro de manutenção de aviões da empresa, o Gol Aerotech. O Airway participou do evento.

Paulo Kakinoff, diretor presidente da Gol, participou da viagem. Em speech durante o voo, o executivo celebrou o retorno do 737 MAX e destacou o trabalho de revisão do projeto efetuado pelas agências reguladoras internacionais e a ANAC, que autorizou o retorno no final de novembro.

“Estamos empolgados com o retorno do Boeing 737 MAX à nossa malha. O MAX está entre as aeronaves mais eficientes já produzidas na história da aviação e a única a passar por um processo de recertificação completo, garantindo os mais altos níveis de confiabilidade e segurança. Agradecemos às autoridades que participaram das etapas de validação, em especial a ANAC que, com alto grau de competência e eficiência técnica, teve papel protagonista junto aos outros órgãos internacionais. Reiteramos nossa confiança na Boeing, parceira exclusiva desde o início da companhia, em 2001, com quem sempre tivemos um relacionamento de transparência”, disse Kakinoff.

Sobre ser a primeira companhia aérea do mundo a reintroduzir o MAX em voos comerciais, Kakinoff afirmou que a decisão da Gol não é precipitada. “Simplesmente estamos prontos. Nossos pilotos passaram pelo novo treinamento e os aviões estão em processo de despreservação e com as atualizações de segurança.”

Correção do problema

Raiz do problema que resultou nos dois acidentes do 737 MAX entre 2018 e 2019, o software de controle de voo MCAS (Sistema de Estabilidade Automática) agora é a prova de falhas, garante a Boeing.

Boeing 737 MAX 8 - Gol Linhas Aéreas

A Gol tem sete jatos 737 MAX na frota; em 2021, chegam mais 10 unidades (Thiago Vinholes)

Ativações inadvertidas do MCAS foram apontadas como os principais motivos que causaram os acidentes com o MAX. Além disso, a maioria dos pilotos habilitados para voar a aeronave não eram treinados para lidar com o mau funcionamento do software.

O MCAS é um sistema que controla automaticamente a posição da aeronave quando ela alcança um ângulo de ataque crítico. O computador entende que o nariz do avião está muito elevado e isso pode levar a perda de sustentação. Para evitar essa situação, software envia comandos para o estabilizador vertical e corrige a trajetória do voo.

A primeira versão do software baseava-se em informações de um único sensor para monitorar o ângulo de voo do avião. Nos dois acidentes, o sensor passou informações incorretas ao MCAS e o sistema foi ativado várias vezes enquanto os pilotos tentavam retomar o controle.

Com as atualizações, o MCAS agora compara as informações de dois sensores de ângulo de voo antes de ser acionado. Se houver desacordo entre as informações dos sensores, o sistema não será ativado. Se ambos os sensores estiverem em acordo e o software for ativado, isso acontecerá uma única vez e os pilotos poderão cancelar a ação sem que os comandos sejam ativados automaticamente mais uma vez. De acordo com a Boeing, a capacidade do piloto de controlar o avião simplesmente puxando o manche para trás jamais será anulada, como aconteceu nos acidentes.

Um dos sensores de ângulo de ataque do Boeing 737 MAX (Thiago Vinholes)

“É impossível repetir a mesma falha que causou os dois acidentes”, garantiu o presidente da Gol. “Nenhuma outra aeronave comercial do planeta passou por um escrutínio tão grande. O negócio da aviação não existe sem segurança”, acrescentou.

Como explicou Celso Ferrer, diretor vice-presidente de Operações da Gol, a atualização de cada aeronave leva cerca de cinco dias. O processo consiste basicamente na atualização do software MCAS e a integração do segundo sensor de ângulo de ataque ao sistema. Feito isto, equipes de empresa executam três voos técnicos com as aeronaves antes de disponibilizá-las a frota operacional.

“Além de testar as atualizações, os voos técnicos também são necessários para o processo de despreservação das aeronaves, que passaram os últimos 20 meses sem voar”, acrescentou Ferrer.

Pilotos preparados

A falta de conhecimento dos pilotos sobre as possíveis falhas do MCAS foi um dos temas mais debatidos nos últimos meses e apontado como o segundo principal motivo nos acidentes do MAX.

Era possível evitar a queda dos aviões desativando os atuadores elétricos do estabilizador vertical, mas os pilotos da Lion Air e da Ethiopian Airlines não haviam treinado essa situação ou sequer sabiam da possibilidade dela acontecer.

No processo de recertificação do 737 MAX, os requisitos de treinamento foram atualizados e todos os pilotos da aeronave agora devem passar por sessões em simuladores de voo. Dos mais de 1.500 pilotos da Gol, 140 deles já estão habilitados para voar no jato revisado. Segundo a companhia, esse efetivo sustenta a operação de até 12 aeronaves.

Cabine de comando do Boeing 737 MAX 8

Cabine de comando do Boeing 737 MAX 8 (Thiago Vinholes)

Como ainda não existe um simulador de 737 MAX no Brasil, os pilotos da Gol estão passando por treinamentos em Miami, nos EUA, onde a Boeing mantém um centro de preparação.

“No simulador de voo treinamos todas as falhas possíveis do MCAS, mesmo que elas estejam eliminadas”, disse o diretor de operações da Gol, que também piloto e passou pelo treinamento nos EUA.

Nome MAX continua

Durante o evento de demonstração, Paulo Kakinoff frisou diversas vezes que a posição da companhia sobre o MAX é de total transparência.

“Todos os nossos clientes serão informados com antecedência quando um voo for em um 737 MAX. Para aqueles que por algum motivo não quiserem embarcar na aeronave, vamos oferecer a chance de remarcar o voo sem custos”, garantiu o presidente da Gol.

Kakinoff também encerrou a especulação sobre a mudança no nome da aeronave. No ano passado, circularam pela internet supostas imagens de um 737 MAX da Gol renomeado como “737-8”.

Fim da especulação: Gol vai manter o nome 737 MAX (Thiago Vinholes)

“Se isso aconteceu, provavelmente foi num ambiente de testes em nossas instalações. Em nossas operações com passageiros, o avião segue com o nome 737 MAX”, concluiu o presidente da Gol.

Ganho ambiental e de eficiência

O 737 MAX é fundamental para os planos de expansão da GOL e possui motores de última geração, asas e superfícies de comando redesenhadas, o que aumenta a produtividade em 24%, reduz o consumo de combustível em aproximadamente 15%, com um alcance de cerca de 1.000 km a mais (chegando a 6,5 mil) quando comparado com as aeronaves atuais 737NG.

Desde o início das operações com o Boeing 737 MAX 8, em junho de 2018, a Gol realizou 2.933 voos comerciais, totalizando mais de 12.700 horas. A partir de amanhã, essa contagem será reiniciada. Até o fim deste mês de dezembro, a expectativa é que todas as sete aeronaves Boeing 737 MAX que estão na atual frota da Gol estejam totalmente na atividade regular.

Para quem vai embarcar pela primeira vez no 737 MAX, aguarde uma experiência diferente. Os motores de última geração deixaram a aeronave mais silenciosa e as atualizações aerodinâmicas a tornaram mais estável, o que garante uma viagem mais confortável e com menos turbulência. Aos que ainda estão apreensivos, vale lembrar que a Gol, como todas as empresas aéreas brasileiras, trabalha com um alto nível de segurança e tem um histórico impecável.

Veja mais: Emirates Airlines volta a receber um A380 “zero km” após 12 meses