As consequências da queda do tampão de porta do jato 737 MAX 9 da Alaska Airlines em 5 de janeiro não param de surgir.

Enquanto a Boeing ainda lida com restrições do FAA (agência de aviação civil dos EUA) e as investigações do NTSB (órgão federal responsável pela segurança no transporte) a respeito do incidente, um dos seus clientes declarou que não considera mais o 737 MAX 10 em seus planos de frota.

Na segunda-feira, 22 de janeiro, Scott Kirby, CEO da United Airlines, disse que embora a transportadora mantenha seus pedidos da aeronave, já retirou o jato de corredor único do planejamento dos próximos anos.

O 737-10, como também chamado, é a aposta da Boeing para conter a forte demanda pelo A321neo, da Airbus. Desenvolvido com algumas artimanhas para contornar as limitações de sua estrutura, a aeronave pode levar até 230 passageiros, a maior capacidade já prevista na veterana série.

A United Airlines tem 230 pedidos firmes do 737 MAX 10 (Boeing)
A United Airlines tem 230 pedidos firmes do 737 MAX 10 (Boeing)

Embora não disponha do mesma alcance e espaço interno do rival, o 737 MAX 10 atraiu vários clientes que já encomendaram mais de 1.000 aeronaves e esperavam receber os primeiros exemplares a partir de 2025, incluindo a brasileira Gol.

Mas Kirby foi realista ao avaliar que o cronograma do modelo está atrasado em cinco anos. A aeronave ainda está à espera do início do procedimento de certificação de tipo pela FAA, mas a autoridade de aviação civil dos EUA segue focada no 737 MAX 7, a menor variante da família e que se esperava que fosse aprovada no final de 2023.

A United, que é hoje a maior operadora do 737 MAX 9, tem uma encomenda firme de 230 737-10 além de 200 opções de compra.

United celebra entrega do seu primeiro Airbus novo em mais de 20 anos, um A321neo (Airbus)
United celebra entrega do seu primeiro Airbus novo em mais de 20 anos, um A321neo (Airbus)

Na perspectiva da empresa aérea, a Boeing terá dificuldades para retomar as entregas do 737 MAX 9 durante 2024, empurrando as demais variantes para depois.

A situação só não é pior porque a Airbus não tem dado conta de tantas encomendas do A321neo. A própria United se rendeu ao modelo e recebeu sua primeira aeroanve nova da fabricante europeia em 2023 após muitos anos.