Volta ao mundo em primeira classe
Com avião comercial adaptado para levar apenas 50 passageiros, expedição partiu de São Paulo com destino a nove locais históricos no planeta


É uma espécie de viagem de turismo, mas as coincidências param por aqui. Batizada de “Private Jet Expedition“, a viagem percorre o mundo desde a segunda-feira (22) com destino a nove locais paradisíacos e históricos como a Ilha de Páscoa, Polinésia Francesa e Petra, na Jordânia. Detalhe: apenas 50 privilegiados embarcaram no Boeing 757-200 especialmente adaptado para a ‘expedição’.
Em vez de cerca de 200 assentos de classe econômica, 50 poltronas de primeira classe que reclinam 180º, Wi-fi, tela privativa, serviço de bordo proporcionado por um chef exclusivo, consumo ilimitado de bebidas, concierges e até um iPad como parte do kit de bordo.
Engana-se, no entanto, quem pensa que se trata apenas de diversão. A viagem tem um objetivo pouco comum: ver e entender in loco o significado de algumas das obras mais significativas da história da humanidade.
Conhecimento no lugar do lazer puro
Segundo a empresa que organiza o evento, a Latitudes, trata-se da primeira volta ao mundo do gênero organizada no Brasil e batizada de “A Origem do Homem e seus Deuses”. A razão é colocar no roteiro locais que são considerados patrimônios da humanidade como o Parque Nacional Rapa Nui, na Ilha de Páscoa, o Taj Mahal, na Índia, ou os templos de Borobodur e Prambanan, na Indonésia, todos reconhecidos pela Unesco.
A agência existe desde 2003, mas só agora, após um longo período de maturação de cinco anos, a primeira expedição decolou, literalmente. Ela atua num segmento específico onde os turistas têm um interesse por história acima de qualquer necessidade de lazer. Mas até então a Latitudes não havia pensado em montar um voo com avião exclusivo, algo comum no exterior.

Foi o relato de dois clientes que fez a empresa começar a planejar sua primeira expedição: “Eles voltaram encantados com a experiência, mas lamentaram que os pacotes eram muito específicos para o público estrangeiro, acostumado a uma rotina diferente”, explica Juliana Zola, gerente de marketing da Latitudes. Depois uma negociação com o grupo norte-americano TCS, a Latitudes conseguiu o know-how e equipamento (o 757) para lançar seu primeiro produto do gênero no Brasil.

Equipe de apoio
O primeiro diferencial do pacote está na personalização do jato. O 757 foi especialmente adaptado para oferecer mais conforto a bordo. Mas, curiosamente, os passageiros não passarão nenhuma das 10 noites a bordo do avião – os voos serão diurnos e na maior parte de média duração (3 a 5 horas). A ideia é que os deslocamentos sirvam para receber informações sobre o destino, como se fossem aulas de histórias. O descanso virá em terra: no roteiro, estão incluídos hotéis 5 estrelas e resorts badalados nos intervalos da longa viagem.
Para aproveitar ao máximo o tempo em cada local histórico que visitarão até meados de março (quando o avião retornará ao Brasil) acompanham o grupo um historiador e geólogo, além de um experiente médico que participou de outros tipos de expedições incluindo viagens à Antártica.
A certeza do interesse crescente no pacote já fez a Latitudes preparar sua próxima expedição,que será anunciada dentro de algumas semanas. Os interessados, em sua maior parte empresários, desembolsam um valor significativo por cada lugar no voo e ainda desfrutam da experiência de conhecer pessoas tão bem sucedidas quanto eles. Nada mal para uma aula de história tão especial.
Veja também: Jato comercial faz primeiro pouso na Antártica
Agradecimentos ao fotógrafo Lucio Daou que cedeu gentilmente as imagens do Boeing 757 (http://www.airplane-pictures.net/top-rated-photographer.php?p=7348)