Na borda da estratosfera: único registro do Concorde voando em velocidade supersônica (Adrian Meredith/British Airways)

Tratado como uma celebridade dos aeroportos, o Concorde foi eternizado em fotografias e vídeos nas mais variadas poses. Não faltam imagens do clássico jato supersônico estacionado em portões de embarque, decolando ou pousando com seu peculiar nariz abaixado ou mesmo captado em voo por fotógrafos profissionais. O que poucos viram de perto foi a aeronave voando em velocidade máxima de Mach 2 (mais de 2.200 km/h).

A imagem do Concorde em velocidade máxima foi registrada em abril de 1985 sobre o mar da Irlanda por Adrian Meredith, fotógrafo oficial da British Airways e até hoje na ativa. Ele viajou no assento traseiro de um caça Panavia Tornado da Royal Air Force (RAF), a força aérea britânica. O encontro com o jato comercial supersônico aconteceu na faixa dos 45.000 pés de altitude (13.700 metros), onde é possível observar a curvatura da Terra no horizonte.

Em sua página no Facebook, Meredith lembrou que o encontro com o Concorde voando em Mach 2 durou menos de quatro minutos. Várias tentativas de captar a cena foram realizadas até que o jato da British reduziu momentaneamente a velocidade para Mach 1.6 (quase 2.000 km/h) e a equipe no Tornado, em potência máxima e perto de esgotar o combustível, conseguiu a rara foto do avião, que seguiu sua viagem supersônica rumo ao aeroporto JFK em Nova York.

Para o Concorde era fácil voar duas vezes acima da velocidade do som e manter esse ritmo por mais de duas ou três horas. O avião podia decolar com peso máximo de 185 toneladas, sendo mais da metade só de combustível (95,6 ton) e que era consumido sem moderação. Em uma conta simples, o jato queimava uma tonelada de querosene por passageiro no voo entre Londres e Nova York em cerca de três horas.

Os Tornado da RAF podem voar a mais de 2.400 km/h, mas por poucos minutos (RAF)

Caças como o Tornado também podem alcançar a mesma velocidade ou até superar o Concorde, mas só por alguns minutos. O jato da RAF, por exemplo, transporta cerca de 5.000 kg de combustível em tanques internos e pode dobrar essa capacidade com o tanques externos descartáveis, mas isso limita o desempenho do voo. São aviões muito rápidos, mas não são projetados para manterem o voo supersônico de cruzeiro como fazia o antigo jato de passageiros fabricado pelo consórcio anglo-francês formado pela BAC (atual BAE Systems) e a Sud Aviation (mais adiante transformada em Aérospatiale e depois incorporada ao grupo Airbus)

Registros especiais do Concorde

A foto do primeiro voo, um Concorde no Rio de Janeiro, um avião com pintura da Pepsi… A carreira do último jato supersônico da aviação comercial foi amplamente registrada em seus quase 30 anos de carreira. O avião operou comercialmente entre 1976 e 2003 e teve apenas dois clientes: Air France e British Airways (cada uma comprou sete unidades).

Concorde fotografado no aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro

Os primeiros voos do Concorde com passageiros começaram em 21 de janeiro de 1976. A British lançou a rota Londes – Bahrein e a Air France, o voo Paris – Rio de Janeiro (com uma parada de reabastecimento em Dakar). Mais adiante, a aeronave estreou frequências regulares nos EUA, México e Venezuela – os voos regulares para o Brasil duraram até abril de 1982.

Na véspera do Natal de 1986, a British Airways fez um registro histórico com quatro Concordes voando em formação sobre os arredores de Londres por cerca de uma hora. O marco mais um vez foi eternizado pelas lentes de Adrian Meredith, a bordo de um Learjet.

Outra imagem rara do Concorde de 1986, quando estava perto de completar 10 anos de operações (British Airways)

Um dos aviões mais fotografados do mundo, o Concorde não escapou das câmeras em seu pior momento quando um modelo da Air France caiu no subúrbio de Paris no dia 25 de julho de 2000. Imagens da aeronave em chamas captadas antes da queda circularam pelo mundo e até hoje são um dos registros visuais mais lembrados e tristes na história da aviação.

Após o acidente na França, todos os aparelhos foram aterrados e receberam modificações, mas o fim do avião já estava decretado. O alto custo por ser revolucionário perseguiu toda a carreira do Concorde, um avião de manutenção complexa e consumo de combustível astronômico. Outro impasse era o ruído gerado pela aeronave em voo supersônico quando passava em regiões habitadas. Com tantas contas para pagar, os bilhetes para voar no avião eram proibitivos para o público geral.

O retorno de aviões comerciais supersônicos é cogitado para o decorrer desta década ou na próxima. As novas propostas prometem manter o legado do Concorde, oferecendo viagens rápidas e confortáveis, mas corrigindo os problemas que encurtaram a carreira da icônica aeronave.

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