(Airbus)

O voo inaugural do A330-800 foi realizado em novembro de 2018 (Airbus)

Sem fazer muito alarde, a Airbus decidiu adiar a certificação do novo jato A330-800 para 2020, alterando o cronograma para a homologação e entrada em serviço da menor variante do A330neo.

Falando durante a apresentação de resultados financeiros do grupo aeroespacial europeu referente ao terceiro trimestre deste ano, Guillaume Faury, diretor executivo da Airbus, disse que a certificação do A330-800 aconteceria apenas no “início de 2020”.

O objetivo da Airbus era conseguir o certificado de tipo para o novo jato comercial no segundo semestre deste ano. Faury não deu detalhes sobre os motivos que levaram ao adiamento, embora a demanda pelo A330-800 ainda seja fraca: apenas 10 aeronaves foram encomendadas (8 pedidos da Kuwait Airways e dois da Uganda Airlines). Além disso, a fabricante vem focando seus esforços para acelerar a produção de jatos de um corredor das famílias A220 e A320neo.

O “certificado de tipo” é um processo realizado por fabricantes em parceria com agências de aviação civil e consiste em avaliar e atestar que um determinado produto (aeronave ou seu componente) possui as características mínimas que assegurem seu uso seguro para o tipo de operação pretendida.

Com a confirmação do adiamento da certificação, o A330-800 segue o mesmo caminho de atrasos do A330-900. O primeiro modelo da série A330neo enfrentou uma série de contratempos durante seu desenvolvimento e as primeiras entregas aconteceram somente em novembro de 2018. Até setembro, a Airbus entregou 29 aeronaves para 10 companhias aéreas, entre elas a Azul no Brasil.

O primeiro A330neo da Azul deve estrear no dia 10 de junho (Airbus)

A Azul vai receber um total de cinco A330-900 alugados pela Avalon (Airbus)

O A330-800 foi desenvolvido para substituir o A330-200, lançado em 1998 e com cerca de 660 unidades produzidas. O novo jato mantém o mesmo comprimento (58,8 m) e capacidade de passageiros (257 a 406) de seu antecessor, mas ganhou soluções para voar distâncias maiores, em viagens de até 15.094 km.

As principais mudanças no A330-800 são as asas de maior envergadura (foi de 60 metros para 64 m), winglets de nova geração e os motores Rolls-Royce Trent 7000, que geram maior potência com menor consumo de combustível.

De acordo com a Airbus, o efeito das novas tecnologias no A330neo é uma redução de 14% no consumo de combustível e custos de manutenção mais baixos, já que o novo modelo ainda compartilha cerca de 95% dos componentes do A330 de primeira geração.

Rival para o Boeing 787

Se o novo projeto da Airbus provar suas capacidades, o Boeing 787 Dreamliner pode ganhar um concorrente de peso. Embora não tão avançado como o jato americano, o A330neo, com sua capacidade sugerida de voar por mais de 15.000 km, supera todas as versões do 787 em autonomia – em capacidade de passageiros perde apenas para o 787-10.

Tecnologias desenvolvidas pela Boeing no Brasil serão aplicadas em futuras atualizações de seus produtos, como o 787 (Boeing)

O A330-800 tem medidas e desempenho semelhantes aos do Boeing 787 (Boeing)

O alcance do A330-800 ainda pode causar até um efeito de migração do A350-900, que tem autonomia semelhante (embora transporte mais passageiros), mas custos operacionais mais elevados.

O preço do A330-800, avaliado em US$ 259,9 milhões, também pode atrair operadores. Nesse quesito o novo jato da Airbus é mais barato que os 787-9 e 787-10, que custam entre US$ 281,6 milhões e 325,8 milhões – o A350-900 custa cerca de US$ 317 milhões.

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