Boeing alega que projeto do A321XLR tem potenciais problemas de segurança

Rival americana afirmou à EASA que instalação do tanque extra de combustível na fuselagem do novo jato da Airbus pode implicar em risco de incêndio
Airbus A321XLR
O A321XLR é projetado para voos de longa distância, uma nova tendência para os narrowbodies (Airbus)

Bem sucedido modelo da família A320neo que acumula centenas de pedidos, o novo A321XLR pode apresentar riscos de incêndio em pousos mal sucedidos, apontou ninguém menos que a Boeing, concorrente da Airbus.

O novo jato de corredor único, previsto para entrar em serviço em 2023, se vale de um tanque extra de combustível na parte traseira da fuselagem para oferecer um alcance imbatível em sua categoria.

A fabricante americana relatou à EASA (agência de aviação civil europeia) que a instalação de um tanque extra pode causar riscos potenciais de incêndio em situações que envolvem ultrapassar os limites da pista ou por avarias no trem de pouso. Segundo ela, justifica sua posição porque “tanques de combustível integrais à estrutura da fuselagem inerentemente fornecem menos redundância do que tanques de combustível estruturalmente separados”.

A Boeing foi solicitada pela EASA a analisar a solução planejada pela Airbus de instalar painéis de isolamento no piso do A321XLR para evitar que os pés dos passageiros sofram com baixas temperaturas, causadas pelo tanque.

A agência de aviação civil europeia teria concordado com a Boeing que a posição do tanque pode causar riscos em situações de avarias estruturais. A Airbus planeja utilizar tanques integrais à estrutura em vez de componentes separados a fim de aproveitar os poucos espaços internos da aeronave.

A Airbus afirmou à Bloomberg que está trabalhando em conjunto com as autoridades de certificação para cumprir todos os requisitos de segurança.

Boeing 737 MAX 10
Apresentação do 737 MAX 10 na sede da Boeing em Seattle, nos EUA (Boeing)

Sucesso imediato

Lançado em 2019, o A321XLR tem se mostrado uma jogada certeira da Airbus. A aeronave, com capacidade para até 244 assentos, oferece um alcance de 8.700 km, suficiente para operar em rotas transatlânticas, por exemplo.

Diante da queda na demanda do tráfego aéreo internacional, o novo jato serve com perfeição na estratégia de vários companhias aéreas no lugar de widebodies e não é por menos que recebeu cerca de 500 pedidos até hoje.

A Boeing, por sua vez, não possui uma aeronave capaz de oferecer o mesmo que o rival europeu. A família 737 MAX, abalada pelos problemas de segurança, contará com a variante 737 MAX 10, a maior da história do jetliner, mas com desempenho inferior ao Airbus.

A resposta está no futuro widebody que a fabricante dos EUA está desenvolvendo e que já foi referenciado como NMA (Novo avião médio). Após congelar o projeto, a Boeing retomou os estudos que devem dar origem a um jato bimotor de dois corredores com capacidade para 250 a 300 passageiros.

Mesmo que ganhe luz verde, o hipotético ‘Boeing 797’ só deverá entrar em serviço no final da década. No entanto, ao tentar atrasar o A321XLR, a fabricante ganha tempo enquanto convence seus clientes a esperar por um produto melhor. O jogo entre as duas gigantes aeroespaciais só está começando.

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  1. parece que para BOEING somente eles prestam , a poucos dias saiu uma previsão que até 2039 os avio~es acima de 200 pax teriam sucesso no mercado e a EMBRAER seria a prejudicada com isso , agora com a AIRBUS 321. ISTO SE CHAMA EM POUCAS PALAVRAS FALTA DE SEGURANÇA E MEDO.Arruumem seus problemas que não são poucos e deixa o barco correr.

  2. Sim Eriberto!! Parece que eles adotaram a tática de “atacar” seus concorrentes com “opiniões” tendenciosas. A gente não vê os profissionais da Airbus ou da Embraer, quando se manifestam/comentam situações típicas do ramo deles, utilizando esse expediente de “citar” os concorrentes!!

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