Boeing confirma que reduzirá produção do 787 em quase um terço

Produção do Dreamliner, que foi exceção positiva em ano catastrófico da Boeing, cairá de 14 para 10 unidades montadas por mês em 2021
Desde 2017, nenhuma empresa chinesa encomenda o 787 (Boeing)
Desde 2017, nenhuma empresa chinesa encomenda o 787 (Boeing)

Em um oceano de más notícias reveladas durante a apresentação dos resultados da empresa em 2019, a Boeing confirmou que reduzirá de fato a produção do 787 Dreamliner. Atualmente são produzidos 14 aeronaves por mês, mas esse volume será cortado para 12 aviões no final deste ano e apenas 10 unidades no ano que vem “com base no ambiente atual e nas perspectivas de mercado de curto prazo”, afirmou.

A fabricante já havia sinalizado essa intenção anteriormente, mas admitia que a meta de 12 unidades por mês seria suficiente. No entanto, o panorama para o jato avançado é mais grave do que se previa diante do acirramento da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, de onde a Boeing esperava por muitas encomendas. A empresa tem esperança de retomar o ritmo de 12 aeronaves mensais a partir de 2023.

O 787 é produzido em duas linhas de montagem, em Everett e também na unidade de North Charleston, no estado da Carolina do Sul, cada uma delas responsável por metade da produção. Não se sabe se a Boeing reduzirá de forma idêntica ambas ou se dará preferência a uma delas.

Segundo o site da empresa, há 546 unidades pendentes de entrega – 346 do 787-9, 144 do 787-10 e 56 do 787-8, menor variante do modelo. Mas a lista inclui clientes como a Jet Airways, que parou de voar em 2019 e cujo retorno ao serviço depende da venda do seu espólio para outro grupo, o que parece ser pouco provável.

A maior ameaça, entretanto, é o mercado chinês, que tem consumido boa parte da produção do Dreamliner. Dos 109 aviões encomendados, apenas 12 ainda não foram entregues, mas é na ausência de novos pedidos que reside o drama da Boeing. As últimas encomendas chinesas foram realizadas em 2017 e de forma modesta – somente 13 jatos.

Ou seja, já são quase três anos sem um mísero pedido da China, o que parece fora de questão diante das incertezas criadas pelo presidente Donald Trump em sua cruzada contra o impacto da indústria chinesa sobre os Estados Unidos.

Salvador da pátria

Apesar dessas incertezas, o 787 tem sido uma exceção positiva para a Boeing. Em 2019, o modelo liderou as entregas e encomendas da fabricante norte-americana, afetadas pelo aterramento do 737 Max. Foram 158 jatos entregues, ou 42% do total de aviões comerciais da empresa. Os pedidos no ano passado chegaram a 110 unidades, ou 74 aviões, descontados os cancelamentos.

A Emirates fez a maior encomenda de 2019, com 30 unidades do 787-9, mas Korean Air e Lufthansa também ampliaram seu backlog, com 20 aviões cada. A maior novidade foi a companhia aérea vietnamita Bamboo Airways, ampliou seu pedido de Boeing 787-9 de 20 para 30 aviões.

A linha de produção do 787: ritmo será reduzido de 14 para apenas 10 aviões por mês (Boeing)

Veja também: Há 10 anos, o Boeing 787 Dreamliner decolava para mudar as viagens aéreas

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