Boeing e Airbus tiveram um ano de altos e baixos em 2019. Mais baixos que altos para os americanos (Divulgação)

A Airbus teve um ano de recordes que ofuscaram ainda mais a Boeing em seu longo martírio causado pelos problemas com o 737 Max, entre outros projetos que não progrediram como se esperava. No entanto, os números finais de 2019 revelam que as duas maiores fabricantes de aeronaves comerciais do mundo não estiveram tão distantes entre si.

No que diz respeito às entregas, em que a Airbus bateu seu recorde ao enviar nada menos que 863 aviões aos seus clientes, a Boeing passou vexame: foram somente 380 unidades entregues, mas 40 delas para as forças armadas dos EUA e Austrália – 23 KC-767 e 17 P-8 Poseidon, versão de patrulhamento marítimo do 737, e que em tese não deveriam ser contabilizadas.

Mas isso não significou que as linhas de montagem da Boeing produziram apenas esses aviões. Como sabemos, cerca de 400 jatos 737 Max foram concluídos e aguardam a autorização das agências de aviação civil para serem entregues. Com esse volume extra, a empresa americana teria somado no mínimo 750 aeronaves entregues, número que seria certamente maior não fosse a desaceleração da linha de montagem do modelo.

Do lado da Airbus, a empresa contou mais uma vez a soma do A220, menor aeronave da empresa e cujo programa foi comprado da Bombardier. Mas não há dúvida que a fabricante desfrutou do sucesso da família A320neo que teve nada menos que 551 unidades entregues no ano passado.

Backlog negativo

Quando falamos das encomendas, os dados são mais complexos. Na ponta do lápis, a Airbus amealhou 1.131 pedidos enquanto a Boeing diz ter conseguido 246 encomendas brutas, aí incluso alguns aviões em versões militares.

O 787 salvou a Boeing de um vexame ainda maior

Na realidade, as encomendas líquidas mostram números mais modestos. O grupo europeu, por exemplo, somou mais 768 aviões encomendados quando são descontados os cancelamentos (363 aeronaves no total), número superior até mesmo ao da Boeing. Se o A320neo liderou os pedidos também ficou à frente nos cancelamentos com 134 unidades dispensadas pelos seus clientes.

Já a gigante norte-americana viu seu backlog (lista de pedidos) encolher em 2019: foram 333 cancelamentos, o que transformou o saldo em um número negativo (menos 126 aviões), basicamente pelos clientes que desistiram do 737 Max – nada menos que 252 unidades canceladas.

Vitória da Boeing no mercado de widebodies

Se o aterramento do 737 Max impossibilitou a Boeing de lutar contra o A320neo – e por isso terminou 2019 com uma acachapante derrota de 690 entregas contra apenas 110 aviões -, a fabricante dos EUA conseguiu entregar mais widebodies que a Airbus em 2019. Graças ao bom desempenho do 787, foram 230 aeronaves entregues, incluindo aí o 777 e o 747. A Airbus, por sua vez, somou 173 aviões, entre A330, A350 e A380.

Em encomendas de widebodies, a Boeing continuou à frente em 2019. Foram 159 novos pedidos, incluindo 31 unidades de 767 e 777 da primeira geração. O novo portfólio, por sua vez, obteve 110 encomendas de 787 e apenas 18 do 777X graças à British Airways.

A Airbus sobrou graças à família A320neo, mas os widebodies ficaram devendo

O saldo líquido, no entanto, foi de apenas 78 jatos já que a Boeing amargou 81 cancelamentos. A Airbus foi pior: embora tenha acumulado 217 pedidos brutos, foram 166 cancelamentos, entre eles 70 pedidos pelo A380 e 81 pelo A350. O saldo, portanto, foi de apenas 51 aeronaves de dois corredores.

Graças às indefinições que ainda afligem os testes com o 737 Max, a Boeing deverá apresentar números modestos também em 2020, dependendo de quanto tempo ainda seu jato comercial mais importante demorar para voltar ao serviço. Um reforço, no entanto, poderá vir da joint venture com a Embraer que repassará neste ano sua linha de aviões comerciais E2 e que irá engordar seus números.

O 737 Max foi o fiel da balança em 2019: se não tivesse sido aterrado, teria mais que dobrado as entregas da Boeing (Clemens Vasters)

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