A família de jatos regionais CRJ estreou no mercado em 1992 (Bombardier)

A família de aeronaves CRJ da Bombardier entrou em clima de despedida. A fabricante canadense já reuniu todos os componentes para construir a última unidade do jato na linha de montagem em Mirabel. A entrega do avião derradeiro deve acontecer até o final deste ano, marcando o fim da série lançada no início dos anos 1990 e que foi fundamental para impulsionar a aviação regional.

A descontinuação do CRJ foi confirmada pelo grupo RUAG, fornecedora suíça que constrói os conjuntos de fuselagens das aeronaves montadas no Canadá. O último componente fabricando pela empresa, uma seção de fuselagem traseira, foi enviada para a sede da Bombardier no dia 7 de setembro.

Desde junho, o programa CRJ é propriedade integral da Mitsubishi Heavy Industries (MHI). O grupo japonês adquiriu a família de aeronaves da Bombardier para formar sua rede de serviços e absorver conhecimento para finalizar sua própria linha de jatos regionais, a série SpaceJet. No futuro, a Mitsubishi produzirá apenas peças de reposição e manterá a rede de manutenção para os aviões canadenses.

Em março, antes de concluir a venda do programa aos japoneses, a Bombardier informou que ainda tinha 15 aeronaves da linha CRJ encomendadas e que elas seriam finalizadas em Mirabel até o final de 2020 em nome da Mitsubishi, que preferiu encerrar a produção dos jatos.

A produção do CRJ (sigla para Canadair Regional Jet) foi iniciada em 1991. Os primeiros modelos da série foram os CRJ 100 e CRJ 200, para até 50 ocupantes. A partir de 1999, a fabricante iniciou a construção dos modelos com maior capacidade CRJ 700/900/1000, que foram os principais concorrentes da família de jatos regionais ERJ da Embraer.

Em quase 30 anos, a Bombardier produziu mais de 1800 jatos da família CRJ (Eric Salard)

Bombardier abandona a aviação comercial

Com a venda do programa CRJ ao grupo MHI, a Bombardier encerrou sua atuação no mercado de aviação comercial. Recentemente, a empresa canadense também abriu mão da série A220 (ex- CSeries) em definitivo ao repassar sua parte restante do programa para a Airbus.

No ano passado, a Bombardier já havia vendido o programa de turboélices QSeries ao grupo canadense Longview Aircraft Capital, que relançou a aeronave com a antiga marca De Havilland Canada e nome original do projeto, Dash-8.

A atuação da Bombardier no setor aéreo agora é restrita ao nicho de aviação executiva, no qual a empresa canadense é líder de mercado.

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