Boeing 737 MAX 8 - Air China

Boeing 737 MAX 8 da Air China: empresas chinesas encomendaram mais de 300 jatos da série MAX (Boeing)

Recém-liberado para retomar os voos comerciais nos EUA, o Boeing 737 MAX ainda deve continuar parado por mais alguns meses em outras partes do mundo, sobretudo na China.

Autoridades da agência reguladora chinesa, a Administração de Aviação Civil da China (CAAC), reiteraram afirmações feitas há um mês de que não havia “um cronograma definido” para suspender o aterramento da aeronave em sua área de jurisdição.

Em comentários citados pela emissora estatal chinesa CCTB, a CAAC reafirmou os três requisitos principais que estabeleceu para o retorno do 737 MAX no mercado chinês: alterações para tornar a aeronave segura e confiável, treinamento completo para os pilotos e um desfecho claro sobre as investigações dos dois acidentes que motivaram a paralisação mundial do novo jato da Boeing.

No mês passado, o chefe do CAAC, Feng Zhenglin, disse a repórteres que, desde que o 737 MAX atendesse a esses critérios, a China ficaria “feliz” em liberar o retorno do avião.

A agência chinesa foi a primeira do mundo a ordenar a suspensão dos voos com o 737 MAX, um dia depois da queda de um modelo da Ethiopian Airlines, em 10 de março de 2019. A tragédia na Etiópia ocorreu cinco meses após o primeiro desastre envolvendo um MAX, operado pela Lion Air na Indonésia. Os dois acidentes deixaram um total de 346 mortos.

Após certa relutância da Boeing e da FAA, a agência de aviação civil norte-americana, o presidente Donald Trump interviu e ordenou a paralisação do 737 MAX nos EUA, em 13 de março de 2019. Nesse mesmo dia, a ANAC do Brasil e outros órgãos reguladores internacionais seguiram o mesmo exemplo a aterraram o avião.

Até a suspensão das operações, a Boeing entregou quase 100 jatos da família MAX para nove empresas chinesas, incluindo as “três gigantes” do país, China Southern Airlines, China Eastern Airlines e Air China. A série 737 MAX ainda tem mais de 200 pedidos de companhias da China.

Retorno do 737 MAX no Brasil é eminente

Ao contrário da CAAC, que deve liberar o MAX somente no decorrer de 2021, a ANAC deve autorizar o retorno da aeronave aos céus do Brasil nos próximos dias.

A agência brasileira é membro do Joint Operations Evaluations Board (JOEB – Conselho de Avaliação de Operações Conjuntos), que conduziu o processo de testes e certificação das atualizações do 737 MAX. Também participam do grupo as autoridades de aviação dos EUA, Canadá e União Europeia.

Boeing 737 MAX 8 - Gol

Um dos sete Boeing 737 MAX 8 recebidos pela Gol até março de 2019 (Gol)

A certificação da ANAC vai permitir o recebimento de mais aviões e a reativação da frota da Gol, único operador do modelo no país, além da entrada e saída de voos internacionais com jatos 737 MAX de outras empresas em aeroportos brasileiros.

Em comunicado divulgado na quarta-feira (18), a ANAC disse que está realizando os ajustes finais para conclusão da certificação do 737 MAX no Brasil seguindo as recomendações da FAA . “Após o término desse trabalho, o operador brasileiro da aeronave, que atualmente é a Gol Linhas Aéreas, deverá incorporar e demonstrar de forma satisfatória o cumprimento de todas as novas diretrizes, tanto em termos de projeto quanto de treinamento de pilotos.”

Após a emissão da recertificação pela ANAC, a Gol deverá atualizar suas aeronaves e preparar os pilotos de acordo com os novos requisitos. A companhia brasileira recebeu sete modelos 737 MAX 8 até a paralisação das entregas há quase 20 meses. A empresa ainda vai receber mas 94 jatos da Boeing, incluindo a nova opção 737 MAX 10.

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