Com milhares de voos cancelados devido à pandemia, emissões poluentes da aviação despencaram

Paralisação parcial do setor aéreo evitou a emissão de 28 toneladas de CO2 na atmosfera em março
(Pittsburgh International Airport)
Mais de 60% de todos os jatos comerciais do mundo estão armazenados (Pittsburgh International Airport)

Se por um lado a pandemia de Covid-19 está arrasando economias de muitos países, por outro ela está fazendo bem ao meio ambiente. Medidas de restrições de viagem levantadas no mundo todo para conter o surto da doença fizeram a demanda por transporte aéreo praticamente desaparecer, o que levou a uma paralisação maciça da frota global de aeronaves. Como resultado, as emissões poluentes geradas pelo setor caíram quase um terço no mês passado.

Uma análise do Financial Times constatou que o cancelamento de quase um milhão de voos em março evitou a emissão de 28 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Como explica a publicação, isso equivale a um mês das emissões totais de CO2 do Reino Unido e constitui uma queda de 31% comparado ao mesmo período do ano passado.

Lauri Myllyvirta, analista do centro de pesquisas em energia e ar limpo da Finlândia, afirmou que nenhuma crise anterior enfrentada pela aviação comercial é tão grave como a de hoje, citando como exemplos do passado os ataques terrorista do 11 de setembro de 2001 e a erupção do vulcão Eyjafjallajökull há uma década. “Nenhum desses eventos teve um impacto tão dramático nos volumes globais de aviação em um mês ou em uma semana como a atual crise do Covid-19, tornando os eventos atuais sem precedentes”, disse ele.

A poluição de outros modais de transporte também despencou com o avanço da pandemia. As emissões de automóveis e motocicletas na Europa caíram 88% desde o início da crise, de acordo com uma análise da Sia Partners, uma consultoria francesa.

As reduções de emissões foram calculadas pela publicação usando uma fórmula padrão para o consumo de combustível por aeronave, na qual a queima de 1 kg de combustível de aviação produz 3,15 kg de dióxido de carbono. Para o primeiro trimestre do ano como um todo, a análise do FT mostrou que a queda total nas emissões poderia chegar a 31,5 milhões de toneladas.

Uma análise separada do grupo de pesquisa finlandês Crea, estimou que cerca de 7,9 milhões de toneladas de emissões estavam sendo evitadas por semana devido a queda no número de voos, com base nos dados da semana que terminou em 6 de abril.

No geral, as emissões globais de dióxido de carbono dos voos comerciais em 2018 totalizaram 918 milhões de toneladas, ou 2,4% das emissões de carbono do uso de combustíveis fósseis, de acordo com o Conselho Internacional de Transportes Limpos (ICCT).

Para ativistas ambientais, ainda é difícil dizer quanto tempo a queda nas emissões do setor aéreo pode durar. “Após cada falha anterior, o crescimento foi retomado logo depois. Mas esta é uma crise diferente de todas as outras crises”, disse Andrew Murphy, gerente de aviação da Transport and Environment, um grupo sem fins lucrativos com sede na Bélgica.

Se as companhias aéreas forem obrigadas a usar suas próprias reservas financeiras antes de acessar os resgates governamentais, poderá levar mais tempo para que a aviação se recupere, disse Murphy. “Isso poderia levar a uma queda na capacidade da aviação, o que poderia levar a menores níveis de emissões.”

Alguns analistas de aviação agora estão prevendo que a indústria pode levar até três anos para recuperar os níveis de tráfego de 2019. Enquanto isso, com 64% de toda frota global de jatos comerciais armazenada, os céus do mundo todo seguem vazios, porém mais limpos.

Veja mais: Boeing confirma entrega dos últimos jatos 737 NG

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