Embraer prevê demanda por 5.500 jatos e turboélices regionais até 2029

Embraer Market Outlook 2020 incluiu uma análise sobre o mercado de turboélices de passageiros
Embraer E190
(Embraer)
Embraer E190
Mercado deve voltar aos níveis de antes da pandemia somente em 2024, prevê a Embraer (Embraer)

A Embraer divulgou nesta quarta-feira o Embraer Market Outlook 2020, uma pesquisa anual realizada pela fabricante com uma análise sobre a procura no transporte aéreo de passageiros e previsões de entregas de aeronaves para os próximos anos. O relatório serve como uma ferramenta que identifica as tendências do setor e as necessidades das companhias aéreas.

Diferentemente dos relatórios divulgados pela Embraer anteriormente, que consideravam a demanda do setor para os próximos 20 anos, o edição deste ano faz uma previsão para 10 anos.

Segundo a companhia, a pandemia do novo coronavírus está causando “mudanças fundamentais” no mercado que redefinirão os padrões de viagens aéreas e a demanda por novas aeronaves.

Nesse novo contexto da aviação comercial, a Embraer diz que quatro principais tendências vão influenciar o setor:

  • Redimensionamento da frota – uma tendência para aeronaves de menor capacidade, mais versáteis para atender à baixa demanda.
  • Regionalização – empresas que buscam proteger suas cadeias de suprimentos contra choques externos realocarão os negócios regionalmente, gerando novos fluxos de tráfego.
  • Comportamento do passageiro – preferência por voos de curta distância e descentralização de escritórios de grandes centros urbanos exigirá redes aéreas mais diversificadas.
  • Meio ambiente – foco renovado em modelos de aeronaves mais eficientes e sustentáveis.

“O impacto de curto prazo da pandemia global tem implicações de longo prazo na demanda por novas aeronaves”, disse Arjan Meijer, presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial. “Nossa previsão reflete algumas das tendências que já estamos observando – a aposentadoria antecipada de aeronaves mais antigas e menos eficientes, a preferência por aviões menores para atender à demanda mais baixa de forma lucrativa, e a crescente importância das rotas domésticas e regionais para as companhias na restauração do serviço aéreo. Aeronaves com até 150 assentos serão essenciais para a rápida recuperação da nossa indústria.”

Demanda por jatos e turboélices

De acordo com o estudo da Embraer, empresas aéreas do mundo todo vão precisar de 4.420 novos jatos de até 150 assentos até 2029. O segmento mencionado no relatório é a especialidade da fabricante brasileira, que atua nesse ramo com os E-Jets.

Continuando a análise, a empresa diz que os mais de 4 mil jatos serão entregues para companhias aéreas da América do Norte (1.520 unidades), China e Ásia-Pacífico (1.220). Em seguida vêm Europa (780), América Latina (380), Oriente Médio (120) e África (100) – outros 300 aviões aparecem listados como CIS (Comunidade dos Estados Independentes, grupo integrado pela Rússia e países que foram repúblicas soviéticas no passado).

A grande novidade do Embraer Market Outlook 2020 é a análise da empresa sobre o mercado de turboélices de passageiros. A fabricante ensaia um retorno ao segmento com uma aeronave de última geração e capacidade entre 70 e 100 passageiros– o último turboélice comercial da Embraer foi o EMB-120 Brasília, descontinuado em 2003.

Concepção artística do novo turboélice de passageiros da Embraer (Embraer)
Concepção artística do novo turboélice de passageiros da Embraer (Embraer)

Segundo o estudo da Embraer aponta uma necessidade por 1.080 novos turboélices até 2029. A maior parte dessas aeronaves serão compradas por empresas da China e Ásia-Pacífico (490 unidades) e Europa (190). A lista continua pela ordem com América Latina (130), África (80), America do Norte (80), CIS (80) e Oriente Médio (30).

A Embraer diz que 75% dessa nova safra de jatos regionais e turboélices servirão para substituir jatos mais antigos e outros 25% na ampliação de frotas acompanhando o crescimento do mercado, que na visão da empresa deve retornar aos níveis de antes da pandemia somente em 2024.

Veja mais: Embraer dobra a aposta da divisão de aviões militares

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