Embraer reintegra divisão de aviação comercial e troca seu principal executivo

Fabricante havia separado negócio para promover joint venture com a Boeing. O irlandês John Slattery, de saída para a GE, será substituto pelo holandês Arjan Meijer como seu novo CEO
Jato E2: Embraer inicia reestruturação (Embraer)
Jato E2: Embraer inicia reestruturação (Embraer)

A Embraer anunciou nesta segunda-feira, 15, o início do processo de reintegração da divisão de aviação comercial, parte da reestruturação da empresa após a fracassada tentativa de criar duas joint ventures com a Boeing. Além disso, a fabricante também substituiu o CEO da Embraer Aviação Comercial, John Slattery, pelo holandês Arjan Meijer, até então CCO da mesma divisão.

Slattery, que esteve à frente do negócio que incluiu os aviões E-Jet desde julho de 2016, está de saída da empresa para assumir o cargo de CEO da GE Aviation, fabricante de motores aeronáuticos. Na empresa americana, o executivo irlandês assumirá o lugar de David Joyce a partir de setembro.

Funcionário de longa data da companhia aérea KLM, Meijer foi contratado pela Embraer em 2016 como vice-presidente da Aviação Comercial para Europa, Oriente Médio, África e Rússia. No ano seguinte, assumiu as operações da divisão comercial da Embraer, onde foi responsável pela área global de vendas e marketing e participou de 35 campanhas de vendas bem sucedidas da empresa.

“Arjan fez um excelente trabalho como líder da área de vendas na aviação comercial. Ele tem energia, experiência internacional e competências necessárias para liderar a unidade de negócio neste momento único”, disse Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer. À frente da nova área, Meijer terá o desafio de reverter um período de poucas encomendas da família E2, que inclui três novos jatos comerciais, o E195-E2, maior modelo do tipo já criado pela companhia, o E190-E2 e o E175-E2, único a não ter clientes até o momento.

Arjan Meijer: executivo holandês assume divisão de aviação comercial após o fracasso da parceria com a Boeing (Embraer)

Parceria fracassada

A saída de John Slattery, que liderou as negociações com a Boeing, não por acaso ocorre semanas após o fracasso do acordo. A fabricante dos EUA, bastante endividada e com vários problemas internos, desistiu de seguir com o acordo que previa a compra de 80% da divisão comercial por US$ 4,2 bilhões. As duas empresas preparavam a criação de uma subsidiária em conjunto, a Boeing Brasil Commercial, que ficaria encarregada de produzir e comercializar os aviões comerciais atuais e mesmo desenvolver novos produtos como um turboélice avançado.

Para viabilizar essa transição, a Embraer separou a divisão comercial no final de 2019, criando uma empresa provisória para gerir esses negócios, a Yaborã Indústria Aeronáutica. A expectativa é que com a aprovação dos órgãos regulatórios, o negócio fosse sacramentado neste ano, mas dificuldades com a União Europeia, que insistia em analisar o caso por receio de prejudicar a concorrência no setor, e o advento da pandemia do coronavírus, que fez as empresas de aviação mergulharem em prejuízos bilionários, teriam inviabilizado a sociedade.

Agora, a empresa brasileira terá a missão de redesenhar sua estratégia para os próximos anos e reverter algumas decisões tomadas como a de transferir a produção da linha de aviões executivos para Gavião Peixoto, onde hoje são fabricados os aviões de transporte C-390 Millennium.

John Slattery, à direita: após fracasso da joint venture com a Boeing, executivo irá assumir como CEO da GE Aviation (Embraer)

Veja também: O que o futuro reserva para a Embraer?

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