A Embraer vê oportunidades para colocar o E195-E2 em mais companhias aéreas de baixo custo da América Latina, embora convencer empresas estruturadas em torno de uma única família de aeronaves a adicionar um jato menor ainda seja um desafio importante.
O CEO Francisco Gomes Neto falou sobre esse potencial durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre da Embraer na semana passada, quando foi questionado se o E2 poderia se encaixar nas frotas de companhias low-cost como JetSMART, Volaris e Viva.
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"Com certeza. Vemos o E2 como uma solução perfeita para esse tipo de aplicação", afirmou Gomes Neto.
O executivo citou operadores atuais e futuros do E2 na região e apontou o México como outra oportunidade. Em vez de substituir os narrowbodies maiores em toda a malha de uma companhia, Gomes Neto apresentou o E2 como uma possível aeronave complementar.
"Esperamos que outras companhias aéreas também olhem para o E2 como uma oportunidade para complementar de maneira muito eficiente a operação com narrowbodies maiores", disse.

As declarações não significam que a Embraer esteja negociando com JetSMART, Volaris ou Viva. As três empresas foram mencionadas na pergunta feita ao executivo e não apresentadas por Gomes Neto como campanhas de vendas em andamento.
Abra abre nova porta para o E2
O teste mais imediato desse conceito na América Latina pode vir do Grupo Abra, que fez em julho um pedido firme de 20 E195-E2, além de direitos de compra para outras 30 aeronaves.
A Abra controla a Avianca, da Colômbia, e a GOL, do Brasil, o que dá ao grupo flexibilidade para decidir onde os aviões serão utilizados. A encomenda foi realizada pela holding e não atribuída exclusivamente a uma das companhias.
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Isso cria diferentes possibilidades. A Avianca opera aeronaves da família Airbus A320, enquanto a GOL construiu sua operação em torno do Boeing 737. A introdução do E195-E2 em qualquer uma delas significaria acrescentar uma segunda família de aeronaves e um segundo fabricante à frota.

O leque de possibilidades poderá se tornar ainda maior caso a Abra conclua a aquisição da chilena Sky Airline. A companhia de baixo custo também utiliza aeronaves da família Airbus A320, e sua entrada no grupo acrescentaria outra malha em que um narrowbody menor poderia, em tese, ser utilizado.
Não há até o momento indicação de que a Abra pretenda destinar E2 à Sky, e a aquisição não significa que a companhia chilena operará o modelo. A combinação, no entanto, ilustra a oportunidade perseguida pela Embraer: utilizar uma aeronave menor ao lado de frotas de A320 ou 737 em mercados nos quais a demanda não exige a capacidade dos jatos maiores.
Equação difícil para companhias low-cost
Para uma companhia de baixo custo, porém, incorporar o E2 não depende apenas de o avião apresentar custos adequados em rotas de menor demanda.
A simplicidade da frota é há muito tempo um dos componentes importantes do modelo low-cost. Operar uma única família pode reduzir necessidades de treinamento de pilotos e equipes de manutenção, estoques de peças, ferramental e outras estruturas, além de proporcionar maior flexibilidade na utilização de aeronaves e tripulações.
Volaris e JetSMART concentram suas operações na família Airbus A320. A introdução do E195-E2 exigiria estrutura para uma aeronave de outro fabricante. Considerações semelhantes valem para outras empresas cujos custos foram estruturados em torno de frotas altamente padronizadas.

O possível benefício aparece na malha. O E195-E2 oferece menos assentos que os maiores A320neo e 737 MAX, permitindo atender mercados nos quais pode ser difícil ocupar um narrowbody maior ou acrescentar frequências sem colocar a mesma quantidade de assentos à venda.
Esse argumento ganhou relevância diante das grandes carteiras de pedidos da Airbus e da Boeing para suas principais famílias de corredor único. Durante a mesma apresentação, Gomes Neto afirmou que as companhias estão tendo de esperar anos por aeronaves maiores e que essa situação cria oportunidades para o E2 à medida que os operadores reconsideram o papel dos narrowbodies menores em suas frotas.
A decisão da Abra de encomendar o E195-E2 oferece à Embraer um caso importante na região. A questão agora é saber se outras companhias low-cost latino-americanas considerarão que a flexibilidade proporcionada por uma aeronave menor compensa os custos e a complexidade de operar uma segunda família.



