O governo da Bolívia avalia uma grande renovação de frota na estatal Boliviana de Aviación (BoA), com a Embraer despontando como possível fornecedora de pelo menos 10 aeronaves por meio de contrato de arrendamento.
A proposta surge em um momento difícil para a BoA. Sua frota é antiga, relativamente diversificada e apresenta baixa disponibilidade, o que coloca ao governo o desafio de renovar a companhia aérea sem os recursos financeiros necessários para compras diretas de aeronaves.
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O ministro boliviano de Obras Públicas, Mauricio Zamora, visitou as instalações da Embraer em São José dos Campos, Brasil, em julho, para discutir a renovação da frota. Posteriormente, o governo informou que pretende arrendar pelo menos 10 aeronaves da Embraer e devolver alguns dos jatos mais antigos da BoA. Zamora reconheceu que a companhia não tem capacidade financeira para adquirir novos aviões e afirmou que o arrendamento é a opção preferencial.
O governo não especificou qual modelo da Embraer está em análise. No entanto, dentro do portfólio atual de aeronaves comerciais do fabricante, o E195-E2 é o substituto mais próximo para uma parte significativa da frota de Boeing 737 da BoA.
O E195-E2 pode transportar entre 130 e 146 passageiros, dependendo da configuração. A Mexicana de Aviación, por exemplo, opera seus E195-E2 com 132 assentos. Isso coloca o modelo próximo dos antigos Boeing 737-300 e 737-700 da BoA, que normalmente têm entre 136 e 138 lugares.

Dados do Planespotters mostram que a frota atual da BoA tem idade média superior a 21 anos. Os Boeing 737 da companhia são especialmente antigos, com média superior a 22 anos, incluindo 737-300 com cerca de 29 anos e 737-700 próximos de 25 anos. Até mesmo os maiores 737-800 têm média de quase 20 anos.
O banco de dados atualmente lista 18 aeronaves na frota da BoA, mas apenas 10 ativas. Oito estão paradas. A frota é composta por três Airbus A330-200, 13 Boeing 737 nas variantes -300, -700 e -800, e dois jatos regionais Bombardier CRJ200.
A baixa disponibilidade também foi reconhecida pelo governo boliviano durante as discussões sobre o futuro da companhia. A BoA tem sido alvo de críticas por cancelamentos, atrasos e problemas de manutenção, aumentando a pressão sobre o governo para resolver a situação da frota.
Companhia aérea politicamente exposta
As decisões de frota na BoA também carregam uma dimensão política mais acentuada do que em companhias privadas. A empresa foi criada pelo governo boliviano em 2007 e permanece estatal, tornando decisões sobre aquisição, arrendamento e desenvolvimento de malha suscetíveis a mudanças nas prioridades do governo e nos gastos públicos.
Esse cenário se repete em outros países da América Latina, especialmente na Aerolíneas Argentinas, onde decisões de frota e negócios frequentemente se entrelaçam com mudanças nas políticas econômica e de aviação sob diferentes governos.
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O atual governo da Bolívia já sinalizou que pretende mudar o ambiente em que a BoA opera. Zamora criticou a proteção anteriormente concedida à estatal e defendeu mais concorrência, afirmando que o governo quer a entrada de novas companhias aéreas no mercado boliviano.

Para a Embraer, um acordo com a BoA representaria mais um cliente E2 respaldado por governo na América Latina. O México seguiu caminho semelhante com a reativação da estatal Mexicana de Aviación. Em 2024, a companhia encomendou 20 E2 diretamente da Embraer, divididos igualmente entre 10 E190-E2 e 10 E195-E2. A empresa mexicana optou por 108 assentos no E190-E2 e 132 no maior E195-E2.
As entregas começaram em 2025, tornando a Mexicana a primeira operadora do E2 no México.
Ainda não se sabe se a Bolívia seguirá o exemplo do México ao escolher o E2. Até agora, o governo boliviano confirmou apenas que negocia aeronaves da Embraer e pretende obter pelo menos 10 por meio de arrendamento. Não foi anunciado modelo, arrendador, cronograma de entrega ou acordo.
O E195-E2, no entanto, se encaixa na capacidade dos antigos 737 que a BoA precisa substituir. A grande questão é com que rapidez a Bolívia conseguirá transformar a intenção declarada em contratos de arrendamento e retirar da frota estatal aviões que se aproximam de três décadas de operação.



