Emirates anuncia operação regular para o Brasil de A380

Maior avião de passageiros do mundo assumirá rota São Paulo-Dubai no dia 26 de março, justamente quando a rival Etihad deixará o país
Emirates deve oficializar A380 para Guarulhos nas próximas semanas
Emirates deve oficializar A380 para Guarulhos nas próximas semanas
Emirates deve oficializar A380 para Guarulhos nas próximas semanas
O Airbus A380 da Emirates é configurado para transportar até 491 passageiros (Divulgação)

Desta vez o gigante da Airbus vem ao Brasil para ficar! A companhia Emirates Airline confirmou nesta segunda-feira (16) a operação regular para o país com o Airbus A380 na rota Dubai – São Paulo, a partir de 26 de março. A aeronave, a maior do mundo em capacidade de passageiros, substituirá o Boeing 777-300ER, em uso atualmente. A data coincide com o último voo da Eithad Airways, companhia de Abu Dhabi rival da Emirates.

O primeiro voo do A380 partirá de Dubai no domingo, 26, com destino a Guarulhos, e retorna na madrugada do dia 28 para os Emirados Árabes. Com capacidade para 491 assentos em três classes, ele elevará a oferta na rota em quase 40%. A saída da Etihad parece ter sido decisiva para a troca de equipamento afinal a demanda da companhia não era tão baixa assim.

“O icônico A380 da Emirates é uma aeronave que continua a empolgar nossos clientes e a definir a referência de conforto em voos comerciais. Estamos ansiosos em oferecer a premiada experiência com o A380 da Emirates para nossos clientes e continuar contribuindo com o sucesso econômico do Brasil”, disse Hubert Frach, vice-presidente da Emirates em comunicado oficial da empresa.

Ensaio em 2015

A estreia oficial do A380 no Brasil vem após dois voos isolados para São Paulo e Rio de Janeiro. Em novembro de 2015, a Emirates fez um voo apenas para Guarulhos numa ação de marketing, mas a troca de aeronaves não foi confirmada. No ano passado, durante os Jogos Olímpicos do Rio, a Air France também colocou a imensa aeronave num único voo entre Paris e a capital fluminense.

A vinda do A380 para  São Paulo ocorre num período em que o jato da Airbus passa por alguns questionamentos quanto ao seu futuro. A própria Emirates, maior cliente do A380, postergou a entrega de seis unidades de 2017 para 2018 por falta de demanda.

Inédito na América do Sul

Apesar de ser um marco para a região, a chegada do A380 à América do Sul levou mais tempo do que se previa há alguns anos. Isso poderia ter ocorrido antes, na época em que o mercado brasileiro estava aquecido, porém, não existia um aeroporto homologado para recebê-lo. Nem Guarulhos nem Galeão tinham condições mínimas para operá-lo, o que significava na prática adaptar pistas de táxi e de decolagem, oferecer pátios maiores e portões de embarque capazes de dar conta do alto número de passageiros.

Essas adaptações foram realizadas apenas quando os dois maiores terminais internacionais do país foram concedidos à iniciativa privada. No entanto, nessa época o mercado já dava sinais de queda e o interesse de companhias como Lufthansa, Air France e Emirates arrefeceu. Esta última até promoveu o voo isolado há pouco mais de um ano, logo após a GRU Airport receber autorização da ANAC para operá-lo, mas foi preciso que o equilíbrio de forças entre as companhias aéreas do Oriente Médio mudasse para justificar sua viabilidade econômica.

Com isso, São Paulo chegou atrás de cidades como Joanesburgo e Cidade do México e destinos turísticos como as Ilhas Maurício e Abidjan, ambos na África, mas à frente de Moscou, para citar alguns países do chamado BRIC. Atualmente, segundo a Airbus, os Estados Unidos (nove cidades) e a China (cinco) são os países com mais destinos operados pelo A380, seguidos da Austrália com quatro cidades. No entanto, é a cidade de Londres que impressiona por ter dois aeroportos com voos regulares do Airbus, Heathrow e Gatwick (veja infográfico).

Os destinos do Airbus A380 (clique na imagem para ampliar)

Dois andares

O A380 voou pela primeira vez em 2005 e foi uma estratégia ousada da fabricante europeia que previa que as principais rotas internacionais precisariam de aviões com capacidade superior aos jatos da época, mesmo o rival 747, da Boeing. A versão lançada, inclusive, seria a menor delas, e ponto de partida para uma família de gigantes. No entanto, a procura pelo modelo nunca chegou perto do esperado (acima de mil unidades): pouco mais de 300 aeronaves foram encomendadas, quase metade pela Emirates.

A Singapore Airlines foi a primeira operadora do A380 há quase dez anos (outubro de 2007) e seu futuro parece um tanto quanto obscuro com a concorrência de jatos menores e mais eficientes como o próprio A350. A fabricante europeia, no entanto, tem planos de aumentar a eficiência do quadrirreator na esperança de ver sua carreira decolar ainda.

Total
0
Shares
0 0 votes
Article Rating
11 Comentários
Oldest
Newest Most Voted
Inline Feedbacks
View all comments
Julio Cordeiro
Julio Cordeiro
5 anos atrás

Triste, muito triste ver o fim dos quadrireatores…quem assistiu o filme “Sully, o herói do Rio Hudson” consegue ver o perigo de se confiar em apenas dois motores, tomara que o A380 com motores mais econômicos consiga persistir, os mais belos aviões (A340-600, 747) vão deixar saudade…

Pascualdo
Pascualdo
5 anos atrás

O filme Sully não demonstrou nada a respeito da falta de confibialidade dos bimotores. O conceito dos quadrimotores remonta ao tempo em que a potência dos mesmos era menor e as falhas constantes. Hoje, um motor que equipa o 777 é capaz de fazer voar um 747, com menos chance de falha.

Junior
5 anos atrás

Pronto, começou a briga usando um evento totalmente aleatório (pássaros na turbina) pra defender ser 2 ou 4 motores é melhor… A força em empuxo causado por essas turbinas no A380 é tão mais forte que puxaria aqueles pássaros pra dentro das 4 turbinas, mas vamos deixar a coisa fluir, o A380 é bem mais pesado e menos instável em baixa velocidade, porém tem um sistema de flaps muito mais eficiente e maior, claro, pelo envergadura das asas ser maior… se as 4 turbinas parassem, a chance de trazer o avião de volta pro LaGuadia ou pousa no Hudson é mto mais dificil tanto pelo peso do avião quanto pelo tamanho, sustentação, e etc…

Claudio Lemes Louzada
Claudio Lemes Louzada
5 anos atrás

Parabéns GRU!! Parabéns São Paulo por se tornar parte do seleto clube do A380. O fato mostra que a infraestrutura de Guarulhos está completamente atualizada e operacional. A Airbus sugeria as empresas aéreas operarem em pista mínima de 3.000m por 60m de largura. Por outro lado, a realidade de infraestrutura na maioria dos aeroportos brasileiros está deficiente, e os projetados para o crescimento da aviação regional continuam replicando os mesmos erros do passado, pistas menores que 1.650m, largura inferior a 30m e resistência do piso da pista inferior a 30t. Não bastasse isso, as pistas regionais continuam a ser construídas de asfalto e não de cimento Portland com suas vantagens técnicas e econômicas. Saudações, bem-vindo A380!!Parabéns!!

Julio Cordeiro
Julio Cordeiro
5 anos atrás

Em nenhum momento aqui defendi a volta dos quadrimotores – e por mais confiáveis que sejam os atuais bimotores, o fato foi que sim, o avião teve uma pane em duas turbinas por conta de pássaros. Existem aviões monomotores até hoje, e certamente o risco de uma pane total é probabilisticamente maior num mono em relação a um bi.

Amigo
Amigo
5 anos atrás

Agora acredito que vai precisar mesmo de aumentar capacidade do elevador do T3 do GRU, entrou um passageiro com carrinho com duas mala, não cabe mais ninghém!!!! Pois foi inagurado há pouco tempo!!!!

Ernesto Ernst
Ernesto Ernst
5 anos atrás

Chama a atenção a “demanda” por viagens a Dubai, lugar artificialmente construido que se resume em torres e uma praia artificialmente projetada. Há de se considerar nao só custo da viagem mas também a estada lá, que para os padrões brasileiros está bem longe da sua realidade. Isto mostra que uma determinada “classe” de gente nao sofre os reflexos dos “problemas” que o país tem. Nao é a toa que 6 “brasileiros” possuem a riqueza equivalente a de 100 milhoes de brasileiros.

Eli Antonio
Eli Antonio
5 anos atrás

Estava à muito tempo esperando por essa notícia. Espero que outras linhas, como a Air France e a British Airways façam o mesmo e tragam o 38tão para o Brasil também. Porque não sei o que eu faria em Dubai. Além disso, gostaria de ver esse robusto pousando e decolando aqui no Rio. Espero um dia poder voar nele antes que ele seja aposentado

Rodrigo
Rodrigo
5 anos atrás

Na verdade a Emirates só está trazendo o A380 devido a desistência da Etihad de operar no Brasil. Não acredito que as outras companhias, que tenham o A380, farão o mesmo.

Vera Andreozzi
Vera Andreozzi
5 anos atrás

ERNESTO ERNST
A Emirates é muito procurada nas conexões e não para turistas em Dubai.
Numa das vezes que fui para Israel fomos com a Emirates, pernoitamos no hotel cedido por ela, e, após o café da manhã (free) voamos para a Jordânia; poderia ser Egito.
Conheci, no voo, pessoas que estavam indo para a China e também pessoas indo para o Japão.

João Francelino
João Francelino
5 anos atrás

O famoso Hub no oriente e outro na América do sul…Dois pontos de transferência de voo.. Simplesmente estratégia inteligente da Emirates. E tomara que não venha um político pegar carona nessa propulsão privada…. Afinal, não cabe..

Previous Post
A Embraer é líder no segmento de aeronaves para até 130 passageiros (Divulgação)

Embraer entregou 225 aeronaves em 2016

Next Post
O Airbus A330neo ainda nem voou, mas já tem quase 200 encomendas (Airbus)

Acompanhe a pintura do primeiro A330neo

Related Posts