A Força Aérea Indiana encomendou um total de 36 caças Dassault Rafale (Divulgação)

Os primeiros caças franceses Dassault Rafale comprados pela Força Aérea Indiana (IAF) serão incorporados à frota do país no próximo dia 29 de julho, informou o Ministério da Defesa da Índia. Por conta da pandemia da COVID-19, a cerimônia de recebimento dos novos jatos será um evento discreto, sem a presença da mídia. Mais adiante, em 20 de agosto, os indianos prometeram uma apresentação pública dos aviões.

O lote inicial destinado à Índia compreende cinco aeronaves, sendo que quatro delas foram recebidas pela IAF em outubro de 2019, mas permaneceram na França enquanto os pilotos indianos passavam por treinamentos.

“A tripulação aérea e a equipe de terra da IAF passaram por um treinamento abrangente sobre a aeronave, incluindo seus sistemas de armas altamente avançados e que estão em pleno funcionamento agora”, diz o Ministério da Defesa indiano. “Após a chegada, os esforços serão concentrados na operacionalização da aeronave o mais cedo possível.”

Os primeiros Rafale da Índia ficarão baseados em Ambala, localizada ao norte da capital Nova Deli e ao alcance de áreas de disputa envolvendo o Paquistão e a China. O país encomendou um total de 36 caças da Dassault em 2016 por 7,9 bilhões de euros.

A chegada dos novos caças franceses ocorre em um dos momentos de maior tensão entre a Índia e China sobre um impasse territorial no vale Galwan. Em 15 junho, tropas dos dois países se envolveram num violento combate que resultou na morte de 20 soldados indianos e um número não divulgado de militares chineses.

A India é apenas o terceiro cliente externo do Rafale, juntamente com o Egito e o Qatar (Dassault)

Em meio a tensão com a China, no início de julho o Ministério da Defesa indiano também aprovou a compra de 33 caças russos, sendo 21 modelos MiG-29 e 12 Sukhoi Su-30, que serão construídos localmente pela Hindustan Aeronautics (HAL).

A Índia possui uma das frotas de caças mais diversificadas do mundo, com quase 600 aeronaves em serviço. Da Rússia, o país opera os caças Su-30, MiG-29 e MiG-21, enquanto a França forneceu os modelos Mirage 2000, SAPECAT Jaguar e agora o Rafale. O HAL Tejas, produzido no país, ainda está em fase de implementação na força aérea e futuramente também terá uma versão para operações em porta-aviões.

Brasil quase comprou o Rafale

A  Índia é o terceiro cliente internacional do Rafale, que foi introduzido na força aérea da França em 2001 após mais de 15 anos de seu voo inaugural. O primeiro operador estrangeiro do caça é o Egito que recebeu as primeiras aeronaves em 2015. No começo de 2019, o Qatar tornou-se o segundo operador externo do jato da Dassault.

O Brasil quase adotou o Rafale como sucessor dos Mirage 2000. O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva chegou a indicar que o jato de combate da Dassault teria saído vencedor da concorrência F-X2, mas voltou atrás em 2009. No ano seguinte, o jornal Folha de São Paulo apontou que o Rafale teria sido novamente escolhido pelo governo, mesmo sendo o caça mais caro. Um relatório interno da FAB na época, no entanto, já sugeria o caça sueco Saab Gripen como o preferido dos militares e que acabou escolhido tempos depois.

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