Novos aviões comerciais não devem ser lançados até o setor aéreo se recuperar

Executivos de companhias aéreas e fabricantes consideram improvável que novos projetos sejam iniciados no curto prazo devido a pandemia da COVID-19
Com destino incerto, introdução do E175-E2 depende da mudança das regras da aviação regional dos EUA (Embraer)
Terceiro membro da série E2, o E175-E2 é o projeto mais recente da Embraer na área comercial (Embraer)

Os próximos dois anos ou talvez até mais devem ser um período de raras novidades na indústria aeronáutica comercial no Ocidente. Esse é o tempo que analistas preveem que será necessário para o setor aéreo se recuperar do impacto econômico causado pela pandemia da COVID-19. Diante desta nova realidade, é improvável que fabricantes como Airbus, Boeing e Embraer lancem grandes novos programas de aeronaves no curto prazo.

Executivos do setor aéreo fizeram essa previsão durante um seminário on-line realizado nesta quarta-feira, 22, promovido pelo Flight Global, dizendo que uma convergência de fatores afastou os fabricantes da possibilidade de gastarem bilhões de dólares no desenvolvimento de novos aviões.

Esses fatores incluem a desaceleração econômica causada pela pandemia, regulamentos ambientais mais rigorosos, o elevado custo de novos projetos e as adversidades enfrentadas atualmente pelos fabricantes e seus acionistas.

“Não vejo os fabricantes fazendo nada que envolva enorme investimento de capital”, disse Steven Udvar-Hazy, presidente executivo da Air Lease, maior empresa do mundo no ramo de leasing de aeronaves comerciais.

“Precisamos ter três ou quatro anos de estabilização no setor aéreo”, acrescentou Udvar-Hazy. “Precisamos reestabilizar e voltar à saúde antes que possamos realmente pensar em novos projetos de aviões de maneira significativa”.

Tim Clark, presidente da Emirates Airline, observa que um novo programa de desenvolvimento de aeronaves comerciais pode custar entre US$ 20 bilhões e US $ 30 bilhões.

“Não há apetite por isso no momento”, diz ele. “Vejo uma natureza adversa ao risco de conselhos e acionistas na comunidade de fabricantes e companhias aéreas”.

A projeto NMA era uma das grandes apostas da Boeing até o aterramento do 737 MAX e a pandemia (Montagem)

Novo presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial, Arjan Meijer, ressaltou que hoje a principal prioridade da fabricante brasileira é enfrentar a crise.

“Temos que superar isso e depois pensaremos nos próximos passos”, afirmou. “Estando na situação de Covid, temos outros peixes para fritar.”

Nos últimos anos, a Embraer vem sugerindo o desenvolvimento de um novo turboélice comercial com cerca de 90 assentos. O CEO da fabricante diz que o argumento para tal aeronave permanece sólido, mas antes de avançar com o projeto é necessário equilibrar os riscos e recompensas e garantir que as tecnologias tenham avançado o suficiente para viabilizar uma avião desse tipo.

“O risco de construir uma plataforma que no final não é bem-sucedida é muito grande”, afirmou Meijer no seminário. “Realmente precisamos garantir que a tecnologia esteja pronta para o uso”.

O A321XLR será um dos próximos lançamentos da Airbus, mas o projeto é uma variação do A321neo (Airbus)

O colapso do setor aéreo neste ano também fez a Boeing pausar o projeto “New Mid-market Airplane” (NMA), um jato de corpo largo para 270 passageiros. Além de enfrentar a crise do coronavírus, a fabricante dos EUA também precisa lidar com os problemas relacionados ao aterramento do 737 MAX, que permanece proibido de voar desde março de 2019.

Como aeronaves comerciais podem permanecer em produção por várias décadas, a Boeing e a Airbus devem se prontificar em não desenvolver produtos “que daqui a 10 anos não atenderão ao cenário ambiental”, disse Udvar-Hazy. “Essa é uma das razões pelas quais os fabricantes precisam ter muito cuidado”.

Veja mais: Entregas de aviões da Embraer recuaram 67% no segundo trimestre

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