A LOT Polish Airlines aposentou seu último Embraer E170, encerrando uma trajetória de 22 anos iniciada justamente com o primeiro voo comercial de um E-Jet no mundo.

O último exemplar, o SP-LDH, realizou na sexta-feira, 30 de outubro, sua derradeira viagem com passageiros entre Varsóvia e Viena. A LOT escolheu de forma simbólica a mesma rota voada pelo SP-LDA em 17 de março de 2004, quando o E170 entrou em serviço comercial pela primeira vez.

A companhia polonesa operou dez E170 ao longo desse período, configurados para transportar entre 70 e 76 passageiros. Segundo a LOT, os aviões transportaram 13,8 milhões de passageiros em quase 300 mil voos e acumularam mais de 455 mil horas de voo.

Mais do que a estreia de um novo avião na LOT, aquele voo para Viena marcou o início da operação comercial da família E-Jet, que se tornaria um dos programas de maior sucesso da Embraer.

Quase todos os E-Jets

A relação da LOT com a fabricante brasileira é ainda mais antiga. A empresa começou a operar o ERJ 145, de 48 lugares, em 1999 e depois incorporou todos os quatro modelos da primeira geração dos E-Jets: E170, E175, E190 e E195.

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Em 2022, como mostrou o AIRWAY, a frota da LOT chegou a 41 E-Jets, incluindo seis E170, 12 E175, oito E190 e 15 E195. Naquele momento, a companhia ainda ampliava sua operação com os aviões brasileiros.

LOT Embraer E170
LOT Embraer E170 | LOT

A relação chegou à segunda geração em 2024, quando a LOT recebeu três E195-E2 arrendados, configurados com 136 assentos. Com isso, a companhia operou praticamente toda a família E-Jet, com exceção do E190-E2.

A chegada do E195-E2 ocorreu justamente enquanto a empresa avaliava a nova geração da Embraer contra o Airbus A220 para uma renovação muito maior de sua frota de curta e média distância. A experiência de mais de duas décadas com os jatos brasileiros parecia dar uma vantagem importante à Embraer.

Mas o resultado foi outro. Em junho de 2025, a LOT escolheu o A220 e fez sua primeira encomenda à Airbus, com 20 A220-100 e 20 A220-300, além de direitos de compra para outros 44 aviões. Se todas as opções forem exercidas, a frota poderá chegar a 84 unidades.

Os 40 aviões firmes serão entregues entre 2027 e 2031, inicialmente na versão A220-300. Os futuros jatos terão 125 lugares no A220-100 e 149 no A220-300.

Primeiro jato E195-E2 da LOT (Krystian Truszkowski)
Primeiro jato E195-E2 da LOT (Krystian Truszkowski)

A transição, no entanto, já começou. Neste ano, a LOT passou a retirar E175 antes mesmo da chegada dos primeiros A220. Os E190, E195 e os três E195-E2 ainda permanecem em operação, mas até estes últimos, apesar de terem chegado há apenas dois anos, deverão deixar a frota à medida que a companhia padronizar esse segmento com o A220.

Geopolítica e o A220

A derrota para a Airbus causou incômodo na Embraer. A fabricante brasileira afirmou após a escolha que considerava o E2 a melhor solução técnica e econômica para a LOT e argumentou que a manutenção da mesma família poderia proporcionar uma economia de milhões de euros.

A Embraer também sugeriu que outros fatores tiveram peso na concorrência. Segundo a empresa, a indústria atravessava um período excepcional no qual a “geopolítica desempenha um papel importante”.

A LOT é controlada pelo Estado polonês e o anúncio da compra dos A220, realizado durante o Paris Air Show, contou com representantes dos governos da Polônia e da França. Um mês antes, os dois países haviam assinado um tratado de cooperação e segurança.

A companhia aérea, por sua vez, afirmou que a decisão teve fundamentos econômicos e que o A220 oferecia a combinação de capacidade e alcance mais adequada aos seus planos de expansão.