A Viva Air irá receber 50 jatos A320, 35 deles da variante Neo, nos próximos anos (Airbus)

Uma das mais agressivas companhias aéreas low cost da América do Sul, a Viva Air, descartou o Brasil em seus planos de expansão. Declan Ryan, presidente do grupo, considera o mercado brasileiro de “alto custo” e revelou que também prefere manter distância do Chile por conta da “grande concorrência”.

“Nós gostamos do Equador”, afirmou o executivo à Reuters na semana passada. “Geograficamente, está próximo e eles acabaram de perder sua companhia aérea estatal ”, possivelmente se referindo a TAME, empresa que continua a operar embora de forma restrita.

Criada em 2012 na Colômbia, a Viva Air tem como maior acionista a Irelandia Aviation, holding que controla a Ryanair, a maior low cost da Europa. No ano passado, a empresa colombiana recebeu uma injeção de US$ 50 milhões de um fundo de investimento dos EUA com o objetivo de financiar uma encomenda de 50 jatos A320 fechada em 2017 com a Airbus e que inclui 35 unidades da variante Neo.

Atualmente, a companhia aérea de baixo custo opera uma frota de 22 A320ceo que também são utilizados pela sua filial no Peru, fundada em 2017.

Corrupção

Há cerca de três anos, em visita à Argentina, Declan Ryan, que é um dos fundadores da Ryanair, declarou que o mercado brasileiro estava fora dos planos da low cost irlandesa. “Iniciamos negociações em todos os países da região menos no Brasil, onde há muita corrupção”, disse ao jornal argentino La Nacion.

A empreitada de Ryanair na Argentina, no entanto, não saiu do papel. A intenção era aproveitar a abertura do mercado argentino para adquirir a companhia aérea Andes, o que acabou não se concretizando. Hoje, a empresa argentina encontra-se em grave crise financeira e tem seu futuro em xeque.

Recentemente, o governo brasileiro tem buscado abrir o mercado de aviação comercial no país na esperança de atrair grupos internacionais, mas até aqui as medidas foram infrutíferas. Embora não exista mais restrição ao capital estrangeiro, persistem os problemas relacionados à burocracia e aos altos custos alegados pela Viva Air, sobretudo nos combustíveis e na cotação do dólar, que afetam a saúde financeira das companhias aéreas brasileiras.

Maior mercado de aviação da América Latina, o Brasil tem um tráfego aéreo de passageiros de mais de 100 milhões de pessoas por ano, mas especialistas acreditam que é possível ampliar esse mercado diante do ainda baixo uso do transporte aéreo no país.

A Viva Air é controlada pela mesma holding que é dona da Ryanair, a maior low cost da Europa (Divulgação)

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