A IndiGo, maior companhia aérea da Índia, está negociando a compra de 100 jatos da Embraer, além de opções para cerca de 50 aeronaves adicionais, em um acordo que pode finalmente render à fabricante brasileira uma grande encomenda no mercado indiano.
A informação foi revelada nesta quarta-feira (4) pela Reuters, que ouviu três fontes com conhecimento direto das negociações. As conversas ainda estão em estágio inicial e não há garantia de que resultarão em um contrato. O modelo dos aviões também não foi definido e a quantidade pode mudar.
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Caso o negócio seja fechado, as primeiras entregas devem ocorrer apenas a partir de 2030. IndiGo e Embraer não comentaram as informações.
Um pedido firme de 100 aviões estaria entre os maiores negócios comerciais da história da Embraer e teria um peso especial por envolver uma empresa que a fabricante brasileira tenta conquistar há anos.
IndiGo tem mais de 440 aeronaves e domina o mercado doméstico indiano. Sua frota é formada principalmente por jatos Airbus A320neo e A321neo, além de 44 turboélices ATR usados em rotas regionais.

Anos tentando convencer as grandes indianas
A Embraer vem aumentando sua presença na Índia, mas até agora não conseguiu transformar essa ofensiva em uma grande encomenda de aviões comerciais.
Em junho de 2025, a fabricante revelou que negociava o E195-E2 tanto com a IndiGo quanto com a Air India, as duas maiores companhias aéreas do país. O argumento era ocupar um espaço pouco explorado entre os turboélices regionais e os Airbus A320 e Boeing 737.
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A estratégia ganhou força nos meses seguintes. A Embraer abriu um escritório em Nova Délhi, criou uma equipe de suprimentos no país, passou a procurar fornecedores indianos e levou o E195-E2 e o E175 à Wings India 2026.
Mesmo assim, os contratos não apareceram. A pequena Star Air continua sendo a única companhia aérea indiana a operar jatos comerciais da Embraer, com E175 e ERJ145 obtidos por leasing.
Em setembro, no entanto, a própria IndiGo confirmou que estava negociando com a Embraer e com a ATR uma possível encomenda de aeronaves regionais. Na ocasião, seu CEO, Willie Walsh, afirmou que os novos aviões poderiam complementar ou substituir parte da frota de ATR 72.

E175, E190-E2 ou E195-E2?
A Reuters afirma que o modelo envolvido nas negociações ainda não foi definido, uma questão particularmente importante porque os três jatos que podem entrar nessa discussão ocupam espaços bastante diferentes.
O E175 leva até 88 passageiros e ficaria muito próximo dos ATR 72-600 da IndiGo, configurados com 78 assentos. Um jato desse porte poderia substituir turboélices em determinadas rotas e permitir voos regionais mais longos e rápidos, mas haveria uma sobreposição clara de capacidade.
O E190-E2 abriria um degrau acima. Com capacidade para cerca de 100 a 114 passageiros, o modelo preencheria parte do grande espaço existente entre os ATR e os A320neo da companhia.

Já o E195-E2, que pode transportar até 146 passageiros, ficaria ainda mais próximo dos Airbus. Seria uma opção para rotas nas quais a procura já ultrapassou a capacidade dos ATR, mas ainda não justifica colocar um A320neo com cerca de 180 lugares.
É justamente essa diferença de capacidade que a Embraer vem tentando explorar na Índia. A fabricante estima que o país precisará de pelo menos 500 jatos de 80 a 146 assentos nas próximas duas décadas.
Há ainda uma familiaridade técnica entre a IndiGo e a nova geração de E-Jets. Os E190-E2 e E195-E2 utilizam motores Pratt & Whitney PW1900G da família GTF, tecnologia que a companhia indiana conhece por operar A320neo equipados com os PW1100G.
Essa possível vantagem, porém, perdeu importância. A IndiGo vem direcionando suas novas encomendas de motores para a CFM e assinou em julho um MoU para mais de 1.000 LEAP-1A destinados a 510 futuros A320neo e A321neo.

Fábrica na Índia depende de pedidos
Paralelamente às negociações com as companhias aéreas, a Embraer tenta transformar a Índia em uma base industrial.
A fabricante se associou à Adani Defence & Aerospace para estudar uma linha de montagem final do E175 no país, projeto alinhado ao programa indiano de desenvolvimento de uma aeronave de transporte regional.
Mas o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, colocou uma condição bastante ambiciosa para justificar o investimento: conseguir encomendas de pelo menos 200 aeronaves na Índia.
Um eventual contrato de 100 jatos da IndiGo, portanto, teria tamanho suficiente para mudar consideravelmente essa equação. Isso não significa, porém, que os aviões negociados seriam necessariamente produzidos na Índia. O projeto industrial com a Adani está centrado no E175, enquanto a IndiGo ainda não definiu qual modelo pretende comprar.



