Mitsubishi continua com prejuízos mesmo com programa SpaceJet suspenso

Projeto do jato regional rival dos E-Jets da Embraer teve um déficit de R$ 345 milhões no último ano fiscal
Mitsubishi SpaceJet M90
Mitsubishi SpaceJet M90 (Eigenes Werk)

Suspenso desde 2020, em meio à pandemia do Covid-19, o programa SpaceJet, de jatos regionais, ainda causa prejuízos vultosos para a Mitsubishi Aircraft.

Segundo balanço fechado em março, a fabricante japonesa registrou novo déficit, de 8,7 bilhões de ienes (cerca de R$ 345 milhões).

É um valor bem menor que o prejuízo anunciado no ano passado, que chegou a cerca R$ 3,6 bilhões, mas demonstra que a aeronave que seria uma dura rival para os E-Jets da Embraer não passa de um grande arrependimento para a empresa.

Oficialmente, a Mitsubishi diz apenas que o SpaceJet está em compasso de espera, mas alguns acontecimentos indicam que o programa tem pouquíssima chance de ser resgatado. Um deles é o desmonte de um dos cinco protótipos do M90, que perdeu a matrícula japonesa.

Outro sinal foi o fechamento da base de testes em Moses Lake, em março. O local nos Estados Unidos é conhecido por abrigar vários protótipos da Boeing e recentemente o avião elétrico Alice.

Três protótipos do M90, antigo MRJ90: certificação é esperada para 2020 (MA)

Enormes atrasos

O programa MRJ (Mitsubishi Regional Jet) foi anunciado em 2007 com o objetivo de recolocar o Japão no segmento de aviação comercial.

Com um projeto bastante moderno e capacidade entre 70 e 96 passageiros, os jatos regionais MRJ90 e MRJ70 deveriam ser concorrentes dos E-Jets, da Embraer, e que tem obtido enorme sucesso desde os anos 2000.

No entanto, o desenvolvimento da aeronave se prolongou além do esperado. Em vez de entrar em serviço em 2013, o jato regional japonês voou pela primeira vez apenas em novembro de 2015.

Em 2019, a Mitsubishi renomeou o programa como SpaceJet e trocou o MRJ70 pelo modelo SpaceJet M100, que pretendia atender as cláusulas de escopo das companhias aéreas regionais dos EUA.

A pandemia do Covid-19 e consequentemente o alto custo do programa motivaram a Mitsubishi a suspender os trabalhos no final de 2020.

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