Projeto “secreto” da Boeing, FSA pode originar sucessor do 737 MAX

Avanço do Airbus A320 pode levar a fabricante a engavetar o projeto NMA e finalmente projetar o sucessor do 737
737 MAX 8: jato é um sucesso comercial da Boeing, mas silêncio da fabricante pode macular sua imagem
Produzido há mais de 50 anos, o 737 parece não ter mais por onde evoluir (Boeing)

O tão falado NMA, o novo avião de médio porte da Boeing, apelidado de 797, pode não estar mais entre as prioridades da fabricante norte-americana. A sigla da vez é o FSA, o “Future Small Airplane”, um projeto ultra-secreto que pode originar um sucessor para o 737 MAX.

Reportagens publicadas no exterior apontam que a Boeing tem discutido esse novo tema de forma discreta com algumas algumas companhias aéreas ao redor do mundo. A gigante americana, porém, ainda não arriscou falar publicamente sobre o suposto novo avião de pequeno porte.

A exemplo de como seria com o NMA, a Boeing tem um longo caminho a percorrer antes de oficializar o lançamento do FSA. No entanto, é inegável que uma aeronave com essas características em algum momento deverá entrar na pauta de novos projetos da fabricante americana.

Produzido há mais de 50 anos, o 737 parece não ter mais por onde evoluir. Sendo assim, a série MAX provavelmente deve ser a última geração do bimotor fabricado nos EUA.

Aterrado desde março de 2019 após registrar dois acidentes em menos de 5 meses, o 737 MAX amargou um ano de poucas encomendas e levou a Boeing ao pior momento de sua história. Nesse meio tempo, a fabricante também viu o 737 perder o posto de avião comercial mais vendido do mundo para o Airbus A320.

Deixando o NMA de lado e diante deste novo cenário no mercado, um artigo publicado pelo Aviation Week sugeriu que a Boeing pode encerrar o programa 737 MAX em meados de 2026, e não em 2030 ou além, abrindo espaço para um avião totalmente novo.

O FSA é sugerido como um avião capaz de transportar entre 160 e 220 passageiros, capacidade compatível com a família 737 MAX. No entanto, se quiser recuperar a parcela perdida no mercado, a Boeing precisa desenvolver um avião capaz de superar o desempenho do A320, especialmente o A321XLR, versão de longo alcance que hoje é uma das maiores sensações do mercado.

O 737-100 foi o primeiro modelo da série, introduzido em 1967 (Boeing)

A Boeing tem capacidade e conhecimento para desenvolver um avião superior ao A320. Para isso, basta a fabricante aplicar no projeto FSA as lições aprendidas com o 787 Dreamliner, um avião revolucionário com ótimos índices de desempenho. O que falta, porém, é o dinheiro para iniciar um projeto do zero.

Analistas de mercado preveem que a Boeing pode enfrentar grandes dificuldades financeiras nos próximos anos, correndo até mesmo o risco de quebrar. O maior culpado por essa crise pode ser justamente o 737, o principal produto da empresa e cujas encomendas estagnaram.

É evidente que agora a Boeing precisa correr contra o tempo, caso contrário perderá ainda mais espaço no mercado. Projetar um novo avião para substituir o veterano 737, algo que exige um investimento fabuloso, pode ser a salvação da fabricante. Em outra ponta, se o FSA de fato for confirmado e porventura não obter resultados positivos, pode resultar na ruína da empresa.

Veja mais: Mais um Airbus A380 começa a ser desmontado na França

 

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  1. Essa nova anv da Boeing certamente contará com a contribuição técnica dos excelentes engenheiros da Embraer que passaram para a Boeing. O que rerá feito com os 737Max encalhados???

  2. Qualquer que seja o próximo avião da Boeing, sera mais um avião feito ás pressas.O Max ja foi feito pra correr atras do prejuízo que o A320NEO estava causando. Com o FSA não sera muito diferente.
    A Boeing vai passar no mínimo os próximos 5 anos tomando prejuízo. O MAX não tem mais credibilidade. Mesmo que seja liberado, não sera mais um sucesso de vendas.
    A Boeing está ficando descapitalizada. Por muito dinheiro em caixa que possa ter, fica difícil ficar um ano sem vender quase nada e oior que isso, ter dezenas de bilhões de dólares em estoque sem ooder entregar e receber o dinheiro.
    Os fornecedores vao começar a pensar duas vezes antes de vender, ja que n sabem quando vao receber. Os bancos vao começar a limitar o crédito. Enfim … pode ser que em 10 anos a Boeing não exista mais.

  3. Qualquer empresa se fabricar um produto que apresente problemas e cause grandes prejuizos aos compradores poderá perder credibilidade e quebrar. A Boeing só nao fechará as portas porque o governo americano precisa de produtos para suas forcas armadas e o conhecimento técnico da Boeing nao pode ser ignorado.

  4. Não adianta amigos do contra, a Boeing sempre será o link direto ao substantivo AVIAÇÃO! Eu entendo o sentimento antiamericanismo, mas Boeing é Boeing. A Airbus é incrível e já consagrada, mas sozinha não supre a necessidade voraz por aviões. E que lógica operacional seria se só uma fabricante dominasse os céus do mundo? O golpe suicida da fabricante veio por parte da equipe corporativa da empresa e não da parte técnica, estes sabiam o que aconteceria, mas a voz é de quem manda e ter o poder final e agora vemos em qual enrascada o selo Boeing ficou estampado. Mas é questão de tempo para que a empresa se erga e alcance o pódio mais uma vez. Eu torço por ela!

  5. Não acredito que a Boeing vá quebrar. Por mais difícil que seja, com as correções no MAX e com todos de olho nisso, eu imagino que ele se tornará o avião mais seguro de todos. A FAA e outras agências regulamentadoras estão sendo bastante rigorosos na aprovação de tais correções. Talvez demore um pouco para recuperar a credibilidade e talvez não a recupere 100%, mas vai voltar. Um novo projeto da Boeing e de qualquer outra fabricante com certeza passará por uma carga de testes e aprovação bem maiores do que é atualmente.
    Essas lições aprendidas serão importantes para todos, desde os fabricantes até os clientes finais (passageiros). A segurança crescerá exponencialmente com as ações que serão tomadas.

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